No dia 28 de Maio, foi publicado, pela Direcção-Geral de Saúde, o documento com as orientações de prevenção da pandemia covid-19, aplicadas aos espaços culturais, que, no caso dos cinemas e salas de espectáculos, poderão ser reabertos a partir do dia 1 de Junho.

Será esta a data em será possível regressar aos espaços do Teatro Nacional São João, o Teatro Carlos Alberto (TeCA) e o Mosteiro de São Bento da Vitória, ao qual pertence o Centro de Documentação. Contudo, os espectáculos serão retomados mais tarde, em Agosto, antecipando, em cerca de um mês, a próxima temporada.

“A opção por reatar a actividade de palco com duas peças com carreiras longas, que decorrem em Agosto e início de Setembro, permitirá ao TNSJ salvaguardar, atempadamente, todas as medidas definidas pelas autoridades de saúde, no que toca ao cumprimento das condições de segurança e protecção do público, dos artistas e dos colaboradores”, lê-se no comunicado de imprensa. Entre as medidas específicas, encontra-se, por exemplo, a salvaguarda de “um lugar livre entre espectadores que não sejam coabitantes, sendo a fila anterior e seguinte com ocupação de lugares desencontrados”; a desocupação das “duas primeiras filas junto ao palco ou, em alternativa,” a garantia da “distância de pelo menos 2 metros entre a boca de cena e a primeira fila ocupada”; a ocupação dos camarotes, com seis ou menos lugares, apenas por coabitantes; a existência exclusiva de lugares sentados na galeria; a realização da entrada dos espectadores na sala “por ordem de fila e de lugar, no sentido do lugar mais afastado da entrada para a entrada, evitando o cruzamento entre espectadores”, e da saída, de preferência, “por local diferente da entrada, no sentido do lugar mais próximo da saída para a saída, evitando o cruzamento entre espectadores.”

A estreia d’ O Burguês Fidalgo, uma coprodução do Teatro da Palmilha Dentada e do São João, a partir de Molière, com dramaturgia e encenação de Ricardo Alves, acordará o palco, a 6 de Agosto, e permanecerá em cena até dia 23 do mesmo mês, no Teatro Carlos Alberto. Trata-se da primeira peça clássica que o Teatro da Palminha Dentada apresenta, dando “a conhecer uma comédia-balé que, escrita em colaboração com o compositor Lully, mistura danças e canções”, retratando as “ambições que tudo devoram e (…) os novos-ricos que tudo compram”. Na verdade, ainda estamos aqui, n‘O Burguês Fidalgo, que “continua a falar de nós e das nossas cidades, em suma: das nossas fealdades”, lê-se na apresentação.

Já no Teatro Nacional São João, Castro, uma produção própria, do poeta António Ferreira, com encenação de Nuno Cardoso, moverá os panos de 20 de Agosto a 12 de Setembro. Esta peça estreou no início de Março, no Teatro Aveirense. Também teve a sua estreia, bem como a partilha de um ensaio, online, no dia Mundial do Teatro, quando estes espaços do imaginário já se encontravam encerrados. “(…) Nuno Cardoso instala-se pela primeira vez no território de um cânone da dramaturgia portuguesa, pioneiro da tragédia clássica em Portugal. E quer habitar esta ficção literária, ela própria oferecendo uma leitura particular do drama histórico/lenda/mito dos amores de Pedro e Inês, para a dar a ‘ver com outros olhos’, revelando-lhe a modernidade e densidade intrínsecas, veladas pela poesia da linguagem e pela elocução. Um imenso palco-casa-país, espécie de maquete gigante dos espaços da ação, célula familiar primordial e claustrofóbica, coloca-nos face à intimidade concreta de personagens que se revelam cativas de si próprias e da sua irredutibilidade”, lê-se na apresentação.

As coproduções do TNSJ que não se realizaram foram adiadas para a temporada 2020/21. A programação online manter-se-á até Agosto. Esta conta com dois projectos, ainda por disponibilizar, destinados à plataforma digital, Bambolina! – Um Glossário Intempestivo de Teatro e a leitura do livro Vou ao Teatro Ver o Mundo, uma parceira com a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, levados a cabo por 12 actores que fizeram parte das produções do Teatro nos últimos 20 anos, Pedro Almendra, Jorge Mota, Paulo Freixinho, João Castro, Diana Sá, Pedro Frias, Paulo Calatré, Miguel Loureiro, Luís Araújo, Mafalda Lencastre, António Afonso Parra e Pedro Manana. A primeira criação “é um compêndio de termos técnicos, conceitos, jargão, o teatro como prática e o teatro como história. Abrindo o “léxico” do teatro aos seus públicos, o objectivo é o de construir um dicionário performativo, feito de palavras ditas, explicadas e representadas por quem as vive por dentro.” O segundo leva o espectador numa “viagem pelas ideias políticas, estéticas e filosóficas que marcaram a história do teatro”, descrição presente no comunicado de imprensa.

Este artigo encontra-se ao abrigo do Antigo Acordo Ortográfico.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia disponível na página de Facebook do TNSJ