A história de confinamento do Theatro Circo começa como tantas outras a que o Gerador já deu voz. Obrigados a fechar as portas no dia 10 de março, foram mais de 60 os dias em que as equipas do Teatro estiveram em teletrabalho. Apesar dos constrangimentos e restrições impostas desde logo pelas autoridades de saúde, e da incerteza quanto à data da reabertura do equipamento cultural, a vontade de assinalar o aniversário dos 105 anos do Theatro Circo comandou os trabalhos durante o período de confinamento.

Em entrevista ao Gerador, Paulo Brandão, Diretor Artístico do Theatro Circo de Braga, conta que assim que o Teatro encerrou “ficou decidido que no dia 21 de abril nós iríamos fazer o aniversário; não sabíamos como é que o íamos assinalar, mas sabíamos que o íamos fazer”. E a celebração acabou mesmo por acontecer no dia previsto, com programação online através das páginas de Instagram dos mais de 20 artistas.

Paulo Brandão assume ser “muito pragmático enquanto diretor artístico”, o que lhe permitiu desde logo, “mesmo antes até de terem saído as regras do Ministério da Cultura”, decidir que não iriam reprogramar nada, no fundo, fala “numa espécie de suspensão para tentar perceber qual era o passo seguinte”. Confessa que “só agora quando começamos a programar junho e julho, porque esta programação foi toda feita de novo, é que fomos pegar nos espetáculos que tínhamos desde março e fomos percebendo se eles se apropriavam ou não para os programarmos a partir de junho, julho e de setembro”. Conta também que as limitações de espectadores e as medidas de higienização estão a dificultar o reagendamento de alguns dos espetáculos já esgotados, com mais de 600 bilhetes comprados em cada um.

Apesar das limitações implícitas ao reagendamento dos espetáculos, as portas do Theatro Circo reabriram no dia 15 de junho. A retoma gradual à normalidade, condicionada pelas novas circunstâncias, era desejada pelas equipas do equipamento cultural há já vários meses. Durante o período de confinamento prepararam o regresso à programação. Agora, desde a reabertura, as semanas abrem com sessões de cinema, às segundas-feiras, e as quintas-feiras são felizes – “7 Quintas Felizes” – sete concertos apenas com nomes nacionais. O diretor artístico conta que pensou “as 7 Quintas Felizes como um balão de ar, pensei em 7 nomes, com espetáculos até 100/150 pessoas em termos de público, não mais, embora o Teatro possa levar mais, mesmo com as restrições”. Assegurar o conforto dos espectadores e visitantes do Teatro foi desde sempre a primeira preocupação da direção – “a maior preocupação é que o público se sinta bem e que as pessoas estejam tranquilas e gozem o espetáculo”. A programação mantém-se até ao final do mês de julho.

Em agosto o Teatro bracarense estará encerrado. Regressam em setembro com uma nova agenda, “um boacadinho diferente do que tínhamos inicialmente previsto”, afirma Paulo Brandão. O equipamento cultural vai continuar a apostar em nomes portugueses, com espetáculos “reprogramados mas também novos espetáculos agendados”. De acordo com a direção, “vão haver semanas em que vamos ter dois ou três espetáculos, quando teríamos cinco ou seis. O cinema vai manter-se às segundas, e teremos sempre um espetáculo de teatro ou dança e um espetáculos música”.

Nas palavras de Paulo Brandão, “vamos continuar atentos, a fazer o nosso trabalho e a tentar fazer diferente, para conseguir o público, a atenção dos media e a atenção das pessoas. Queremos não só que o público venha ao teatro, mas também que o público nos siga nas redes, nos acompanhe, e que tenha admiração pelo nosso Teatro que existem desde 1925, e que também por isso temos de respeitar”.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Fotografia CMB