Hoje, dia 2 de outubro, o espetáculo JazzNãoJazzPT, de estreia absoluta, acontece no Jardim Botânico de Coimbra, pelas 16h30. Com o propósito de fomentar o desenvolvimento de criação artística e intercâmbio criativo, potenciando a relação de proximidade entre músicos e técnicos envolvidos, Azar Azar, Bardino, Mazarin e Yakuza são as quatro bandas que subirão ao palco do Jardim Botânico.

Bardino, banda

Tendo como ponto de partida os artigos da autoria do jornalista Rui Miguel Abreu, nos quais descreveu um conjunto de projetos com expressões semelhantes, cena musical a que deu o nome JazzNãoJazzPT, o evento ganhou forma, "ao sermos incluídos neste grupo fez com que conhecêssemos outras abordagens, que não só respeitamos enquanto músicos mas também apreciamos enquanto ouvintes", explica o Rui Martins, um dos membros da banda Bardino e também curador do evento.

"Depois de mais de um ano isolados e longe dos palcos surgiu a ideia de fazermos este evento, que visa não só devolver a oportunidade de mostrar trabalho editado o ano passado mas também promover a interação entre músicos que de outra forma talvez não se cruzassem, algo de que se beneficia facilmente aquando a partilha de palco e backstage", continua.

Yakuza, fotografia de David Breda Silva

Criando sinergias entre artistas, público e agentes culturais nacionais, essenciais para o desenvolvimento futuro de projetos artísticos sustentáveis, questionado sobre a oportunidade de repensar as artes e a forma como pode chegar a todxs partindo para palco com um pano de fundo a céu aberto Rui explica que esperam conseguir atrair a atenção do público "não só para as quatro bandas que se apresentam no sábado mas também para as restantes listadas pelo Rui Miguel Abreu como parte do JazzNãoJazzPT e contribuir de alguma forma para catalisar o interesse das pessoas para a música ao vivo", ainda que o evento possa, eventualmente, mostrar-se pontual.

Mazarin, uma das bandas que integram a programação do evento.

Permitindo uma nova abordagem e liberdade que abraça a natureza principal, o espetáculo ao ar livre proporcionará uma maior acessibilidade e proximidade entre as bandas e o público.

Através de um diálogo diversificado e com uma bagagem incontornável, os diferentes projetos que se propagam pelas cidades do Porto e Lisboa "encontram-se a meio caminho, numa cidade com forte presença na história da música mas na qual nenhum dos projetos teve muita oportunidade de tocar. Há inevitavelmente outros tantos projetos que gostaríamos de ver também neste dia, e essa escolha final foi talvez a parte mais difícil", admite o curador.

Azar, um dos projetos que estará presente no evento.

JazzNãoJazzPT é um evento que leva o Jazz para o futuro? Rui reconhece que há um conjunto de influências comuns entre os projetos ainda que direta ou indiretamente. Se isto se trata de futuro? Talvez sim, talvez não.
"Há uma conjunto de influências em comum entre estes projetos, influências essas que vão do jazz mais tradicional às abordagens trazidas pela recente cena do jazz londrino, sendo isso mais ou menos evidente de acordo com o projeto.
Falando por nós, Bardino, não há uma influência direta do jazz ou intenção de nos expressarmos por essa via, nem em nenhum outro género em particular, e talvez seja esse o maior valor deste paradoxo do jazz que não é jazz. Aquilo que fazemos é uma mescla de muitas influências, onde estão naturalmente músicos de jazz, o que faz com que levemos para a nossa expressão algumas dessas coisas", conclui.

Hoje, o destino é Coimbra, mas a viagem no universo musical dará voltas ao mundo.

Texto por Patrícia Silva
Fotografia de David Breda Silva

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