Inês Raposo e Francisco Correia decidiram no último ano da licenciatura em pintura que queriam fazer uma exposição. Reuniram mais 12 colegas e amigos e um ano depois, com a ajuda de Filipa Correia de Sousa, também ex-aluna da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e hoje co-programadora do espaço Uppercut, montaram Jet Lag, uma exposição coletiva que pode ser vista até hoje na Galeria Liminare, no Lumiar.

O ponto de partida foi a pintura, ainda que esta seja explorada por todos de uma forma diferente.  “No início o objetivo sempre foi mostrarmos o que andávamos a fazer, não tínhamos uma ideia muito concreta para a exposição” — conta Francisco Correia. Ainda no início do processo sentiram a necessidade de trazer alguém de fora, “que tivesse uma visão exterior”, diz Inês Raposo. Aí surgiu Filipa Correia de Sousa.

“Quando o Francisco e a Inês me convidaram a participar neste projecto, só conhecia o trabalho do Francisco, com quem já tinha trabalhado anteriormente. A partir da nossa primeira reunião, tive a oportunidade de ir conhecendo o trabalho de cada um dos artistas mais de perto. Visitei ateliers e procurei acompanhar as exposições que cada um ia desenvolvendo”, explica Filipa.

A escolha dos artistas foi feita pelo Francisco e pela Inês, mas o processo de curadoria e seleção das obras foi desenvolvido pelos três. “O ponto de vista da Filipa foi muito importante porque quando as coisas são demasiado afetivas e próximas, acaba por ser um bocado difícil ter mais rigor. Arranjar alguém de fora foi importante nesse sentido, de conseguir criar uma certa distância, ainda que com alguma proximidade que temos com ela”, diz Francisco.

Alberto Marques, Anabela Maravilhas, Ana Romãozinho, Carlota Jardim, Carolina Lino, Catarina Silva, Gonçalo Gouveia, Hugo Guerreiro, João Garcia, João Rosa, José Taborda, Pedr’O Novo e ainda Francisco Correia e Inês Raposo compõe a exposição que se divide em três salas onde as peças vão dialogando entre si, direta ou indiretamente.

“Ainda que os meios sejam muito diferentes, há preocupações pictóricas, em termos formais, que se mantêm”, sublinha Filipa. “Encontramo-las na recorrência à tinta sobre diferentes suportes, mas também no desenho, no livro de artista, bem como ao nível do vídeo (animação), fotografia e instalação”, remata.

Virem da mesma turma na faculdade foi o ponto de partida para a exposição, mas nenhum dos curadores queria que fosse o cerne da mesma. “Não queríamos que esse fosse o assunto da exposição e a parte boa da faculdade é que cada um fez o seu percurso à sua maneira, por isso também não seria um elo de ligação muito forte.

Jet Lag surgiu da ideia de viagem, de desencontro e de uma desaquação ao sítio onde estamos. Uma desadequação ao espaço/tempo, até; que acaba por estar muito ligada à própria prática artística, porque na verdade estamos sempre a criar porque sentimos uma certa desadequação quer ao fator tempo quer ao sítio onde estamos”, explica Francisco.

Os 14 artistas seguiram o seu caminho e voltaram a encontrar-se na Galeria Liminare, um ano depois e com ideias conceptuais e estéticas ainda mais definidas. Filipa conclui que “para estes jovens artistas, esse processo de amadurecimento ainda agora começou, e será certamente marcado por muitos momentos de mudança. Esta exposição marca esse momento de começo.”

Jet Lag reflete o começo de uma nova fase na vida destes artistas. Podes fazer parte dela até às 17h30 de hoje, na Galeria Liminare.

Texto de Carolina Franco
Fotografias de Francisco Correia

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