Para quem trabalha em escritórios na zona da grande Lisboa, EatTasty é um nome que provavelmente vai soar familiar. A empresa criada em 2016 por Orlando Lopes e Rui Costa tornou-se uma solução para quem se esquecia de levar almoço para o trabalho ou quem chegava a casa e percebia que não tinha nada para cozinhar — e, com o tempo, ganhou a confiança dos clientes.

Com refeições pensadas para a experiência de entrega, a EatTasty quer garantir, desde o início da sua existência, que não existem batalhas  com talheres dentro de uma caixa com comida, e que esta se encontra quente no momento em que for degustada. O negócio que começou por ser uma rede de chefs, liderada por Ruben Couto, acabou por gerar uma rede de cooperação entre restaurantes escolhidos a dedo, que passam por uma “seleção criteriosa” — agora não só em Lisboa, mas também em Madrid. 

Joana Duarte, a responsável pela marca, explicou ao Gerador o que distingue a EatTasty da Uber Eats ou da Glovo, como funciona o processo de seleção e avaliação dos restaurantes parceiros e dos seus menus (que são diferentes todos os dias, de segunda a sexta-feira), e ainda relembrou a importância que a gastronomia tem, e sempre teve, na cultura portuguesa. 

Depois de uma presença ativa no Oeiras Ignição Gerador, com conversas que convocaram vozes como Joana Barrios e Diogo Faro, fomos perceber quais são, neste momento, os maiores desafios da empresa que dá a conhecer o melhor da gastronomia portuguesa “que podia ser feita por toda a gente”, com os olhos postos no futuro. 

Gerador (G.) – A EatTasty surgiu em 2016, a cobrir a Grande Lisboa, numa altura em que a ideia de levar a marmita para o trabalho já era vista como comum. O que é que vos motivou a fundar esta empresa que, como disseram uma vez à Time Out, é “uma espécie de cantina virtual com comida de qualidade”?
Joana Duarte (J.D.) – A motivação para criar a EatTasty, que teve na origem a ideia entre os dois cofundadores, o Orlando Lopes e o Rui Costa, surgiu numa conversa que os dois tiveram durante um jantar num restaurante do Porto (cidade pela qual temos grande afinidade), e num momento quase de epifania, em que ambos constataram que as pessoas à volta estavam a comer um bocadinho por obrigação aquilo que tinham à sua frente, e repararam que não havia grande prazer. A partir desse momento eureka dos dois, entraram num sem fim de descobertas e de pesquisas, numa investigação profunda — essa é, aliás, uma característica que se destaca na EatTasty como um todo, esta perseverança, um sentimento de ser incansável; a ideia de serem completamente restless (que esteve em cima da mesa para ser um dos nomes da marca quando foi lançada, e depois veio a ideia de EatTasty, caindo o Restless). Neste caso, era um trocadilho devido ao facto de estes dois fundadores serem pessoas completamente restless, incansáveis, prontos para levar tudo para a frente com a melhor e a maior motivação que podemos encontrar. Mas também na lógica de ser restless por não ter de recorrer a restaurantes para encontrar a minha solução e a comida que mais gosto [enquanto cliente]. A motivação principal por detrás da criação da EatTasty foi a vontade de comer melhor todos os dias, sem ser necessário cozinhar e, ao mesmo tempo, sem ter de abdicar do sabor. 

G. – Ao longo dos últimos quatro anos, sentiram que a adesão aos vossos serviços foi crescente? O que é que acham que vos distingue de gigantes como a Uber Eats ou a Glovo, ao olhar do consumidor?
J.D. – A EatTasty surgiu numa altura em que os serviços e plataformas de entregas como a Uber Eats e a Glovo ainda não faziam parte do dia a dia das pessoas, como acontece hoje. Este à vontade e predisposição para encomendar comida, independentemente da plataforma, através de um serviço de entregas era pouco comum; o mais comum era o take away, levantar e levar para casa. O delivery (serviço de entregas) começou lentamente a entrar na vida dos portugueses, curiosamente — mas eu diria que não foi curioso, porque tem que ver com estarmos extremamente atentos àquilo que são as tendências, e também ter sido dessa tendência crescente e oportunidade que detetámos noutros mercados que surgiu a nossa ideia. O delivery como um comportamento típico do consumidor que quer que as coisas venham ter consigo, noutras áreas já se começava a refletir. A EatTasty surgiu talvez um pouco antes dos portugueses se terem começado a familiarizar com este comportamento. Isto traduz-se numa adesão progressiva e crescente àquele que é o nosso serviço, e que fez com que, olhando para trás, sejamos uma marca já estabelecida na vida dos lisboetas, neste caso, no que toca à facilidade de consumo e de encomenda. A EatTasty tem algumas particularidades, eu diria que muito interessantes (mas somos suspeitos para o dizer), no que toca ao que a distingue da Uber Eats e da Glovo: para já, a Uber Eats e a Glovo são market places, o que quer dizer que são plataformas tecnológicas que colocam a oferta e a procura em contacto. Essa oferta são restaurantes que as marcas angariam e ficam com uma margem e, a troco disso, ganham visibilidade que pode ser negociada através de uma cedência maior dessa margem. O que estou a dizer é que os restaurantes que estão em primeiro lugar não estão lá por acaso, estão por força da recorrência com que os utilizadores os consomem, mas também porque são posições pagas. É um negócio como qualquer outro. 

No que toca à EatTasty, as diferenças estão sobretudo no facto de nós escolhermos os restaurantes com quem trabalhamos. Não temos cozinhas, ao contrário do que muita gente possa ainda imaginar; a nossa comida é confecionada todos os dias em vários restaurantes espalhados pela cidade de Lisboa e Madrid, onde também estamos presentes, e a seleção destes restaurantes resulta de uma identificação feita pela nossa equipa responsável pela oferta, que é liderada por um chef, Ruben Couto, que está na EatTasty desde a origem da nossa marca. Como muitos também não saberão, a EatTasty começou com home chefs (pessoas que angariámos através de um processo muito semelhante ao do Master Chef, com vários testes). Eram pessoas que cozinhavam nas suas casas, a quem dávamos formação técnica em HCCP, e que garantiamos que conseguiam cumprir os requisitos, quer de um ponto de vista técnico, quer de um ponto de vista de controlo de qualidade e de sabor. As receitas eram desenvolvidas pelo nosso chef. Mais tarde, esse processo tornou-se insustentável e partimos então para uma nova fase da EatTasty, algures um ano e meio depois do nosso lançamento, em março de 2016. 

Passámos a recrutar restaurantes para servirem um pouco como as nossas dark kitchens – restaurantes esses que, até há bem pouco tempo, não tinham muita importância na nossa comunicação. Os clientes não sabiam que era o restaurante X, Y ou Z que confecionava os nossos pratos, e assim vamos continuar relativamente a alguns que temos e teremos na nossa oferta. Ultimamente temo-nos virado para um maior protagonismo dos restaurantes que confecionam a nossa comida, elaborando algumas parcerias de comunicação, e também eles nos ajudam a comunicar melhor junto dos seus e dos nossos clientes o que é a EatTasty. A principal diferença, à partida, para os market places como Uber Eats e Glovo, é o facto de selecionarmos os restaurantes que confecionam a nossa comida. Nós somos uma marca de comida e não uma plataforma que transaciona comida entre a procura e a oferta. Nós vendemos a nossa comida diretamente aos nossos clientes, que é confecionada diretamente nos restaurantes que são nossos parceiros e que diariamente confecionam os pratos que compõem o nosso menu. 

Fazemos entregas gratuitas na grande Lisboa e, desde que a pandemia começou, alargámos praticamente da noite para o dia, de forma incrível, devido ao esforço das pessoas que estão na nossa equipa, que é de louvar. Conseguimos, no espaço de cinco dias, menos do que isso, alargar o nosso raio de entregas para uma cobertura muito mais abrangente – estávamos no centro de Lisboa e passámos a cobrir até à Aroeira, Carcavelos, Cascais, Sintra, Odivelas. Outra coisa muito importante e que nos distingue é, por exemplo, o facto de na EatTasty a comida que veem no menu, que as pessoas podem encomendar diariamente, ser pensada para delivery. Isto quer dizer que não foi pensada para consumir no imediato, mas para consumir depois de ser transportada numa mota, de chegar a casa das pessoas e, ainda assim, conseguirmos garantir que vai ser comida quente. De um ponto de vista mais prático, também quer dizer que há algumas comidas que nunca vão fazer parte da EatTasty: é o caso de pizzas e de comidas com ossos, ou mais difíceis de comer. É o caso de comidas em que não conseguimos garantir que no transporte a qualidade seja assegurada. 

G. – Sentem que a Eat Tasty ocupa um lugar de preservação da gastronomia portuguesa, de certa forma?
J.D. – Sem dúvida que sim. Se olharem para o menu da EatTasty, há uma coisa que salta à vista: nós temos uma preocupação muito grande em encontrar um equilíbrio entre aquilo que são os pratos mais comuns do delivery (e não querendo tipificar, não consigo fugir de comidas como sushi, pratos indianos, pratos mexicanos, pizzas, hambúrgueres; coisas que as pessoas encomendam através de plataformas como a UberEats ou a Glovo). No caso da EatTasty, nós temos a preocupação de disponibilizar e levar para a mesa das pessoas pratos que garantimos a qualidade no momento da entrega – ou seja, ainda quentes e sem virem completamente derramadas ou espalhadas pela mochila do condutor -,  mas também pratos que fazem parte do imaginário dos portugueses como o arroz de pato, almôndegas, filetes, panados. Temos comida que,  como costumamos dizer a brincar internamente, “podia ter sido eu a fazer”. E é exatamente isso que queremos que as pessoas sintam: que o que estão a comer podia ter sido feito por elas, com a qualidade com que confecionariam a comida nas suas próprias casas, para a família ou para elas próprias. 

G. – Um pouco no sentido da pergunta anterior, e pela vossa relação com o Gerador, sentem que a gastronomia devia ser vista como um elemento com mais peso na cultura portuguesa? Ou, pelo contrário, sentem que já o é?
J.D. – Eu acho que a gastronomia já ocupa um papel muito importante na cultura portuguesa. Acho que o povo português tem uma relação muito forte, muito positiva e construtiva com a comida, com a sua gastronomia, e que a valoriza bastante. Em grande parte dos casos, os portugueses sentem-se orgulhosos relativamente à gastronomia, que usam muitas vezes para ajudar a descrever algumas das tradições do nosso país. Portanto, também por a comida ser um aspeto tão importante do imaginário coletivo e, no caso da EatTasty, nós partilhamos da opinião de que a comida é um elemento cultural agregador, tem um poder de conexão entre as pessoas. É à mesa que acontecem alguns dos melhores momentos de partilha entre as pessoas, e acreditamos que, realmente, comida é união. Portanto, esta preocupação de transmitir os valores e, acima de tudo, de assegurar a qualidade através do sabor, é uma preocupação muito grande que temos. No caso da EatTasty é sem dúvida um preocupação constante garantir que os sabores que os portugueses têm como estabelecidos e que conhecem bem não só são cumpridos quando entregamos pratos tradicionais, chamemos-lhe assim, mas também os desafiamos a explorar sabores conhecidos numa variável nova, num prato mais exótico — e, como já referi há pouco, dar-lhes a conhecer novos sabores, que é também um dos elementos importantes do menu da EatTasty. Dar aos nossos clientes a oportunidade de conhecerem coisas novas, sem que nunca tenham de abdicar da qualidade e do sabor, estando eles a encomendar comida para receber em casa ou no local de trabalho. 

G. – Há algum cuidado especial na escolha dos vossos restaurantes parceiros? Como é que fazem essa seleção?
J.D. – Há, sem dúvida, atributos qualitativos que orientam a identificação, em primeiro lugar, e a seleção de um restaurante parceiro. Os nossos restaurantes passam por um processo muito criterioso entre o qual estão etapas como o levantamento de receitas que se podem adequar ao facto de ser comida que tem de ser produzida para ser entregue dentro de uma caixa, que essa caixa garanta qualidade no transporte e que chegue quente às mãos dos nossos clientes quando entregamos. Outra etapa muito importante deste processo é a capacidade que os parceiros têm de garantir a qualidade que nós precisamos e de assegurar a quantidade. Há uma variável muito interessante, e da qual falamos muito poucas vezes, na relação com os restaurantes parceiros, porque a EatTasty assegura uma quantidade de produção dizendo antecipadamente ao restaurante qual a quantidade, por exemplo, de arroz de pato que vai precisar para o almoço do dia X, no qual ele já sabe que terá esse prato incluído. E assumimos o risco de podermos ter de ficar com o desperdício que resulte de vendas que não acontecem. Nós garantimos ao nosso parceiro uma quantidade fixa de vendas pela EatTasty, e depois vamos gerindo em função daquilo que são as encomendas nos dias em que é possível fazê-las. Outro aspeto importante é a identificação de parceiros que tenham elasticidade e capacidade para dar resposta a diferentes referências, à introdução de mais do que um prato no nosso menu, porque queremos estabelecer relações duradouras.

Ainda temos no nosso menu pratos que eram confecionados desde o dia um da EatTasty; pratos estes que resultam de receitas criadas pelo nosso chef, que entretanto seguiram para as mãos de outros produtores que confecionam semanalmente esses best-sellers que até hoje mantemos no nosso menu, como é o caso por exemplo do arroz de pato, dos filetes, mas também de outras inovações que vamos tentando introduzir em restaurantes com os quais já trabalhamos. Há aqui uma relação de sintonia e harmonia que, como em qualquer relação, têm de existir. Queremos parceiros que queiram crescer connosco e temos muito bons exemplos de restaurantes parceiros que olham para nós como alguém que lhes permite continuar a crescer, garantindo uma fatia do negócio interessante, dando sustentabilidade à relação. Sobretudo neste período de pandemia e de confinamento, como sabemos, o setor da restauração foi muito afetado, e em alguns casos a EatTasty foi o parceiro fixo que assegurava a produção que, por outro lado, no front of the house, estes restaurantes estavam a ver desaparecer. Mas temos processos muito criteriosos de controlo de qualidade, pedimos todos os dias feedback relativamente à comida que receberam e temos feedback de muitos clientes que encomendaram e que se interessam por partilhar connosco o que correu bem e o que correu mal, e esse feedback é depois internamente partilhado com os restaurantes que, naqueles dias, nos forneceram as refeições.

Somos obcecados por dados na EatTasty; somos uma empresa que olha para os números com muita atenção e muito carinho. Depois, cada um, dentro das diferentes equipas, trata desses dados consoante a sua especialidade, otimizando por exemplo a criação do menu, que tem pratos que resultam melhor em função dos diferentes dias da semana, no departamento da comunicação olhamos para os pratos que as pessoas estão a pedir mais, através das reações nas redes sociais, e tentamos cruzar isto tudo, procurando sempre oferecer um menu o mais variado possível – em termos de sabor, de experiências e de texturas dos pratos que colocamos disponíveis. 

G. – Receberam há um ano um montante de 1,1 milhões de euros para investir na consolidação da vossa presença tanto em Portugal como em Espanha. Qual é o balanço que conseguem fazer até agora?
J.D. – A expansão que começou com a nossa operação em Madrid, em 2019, tem-se revelado muito positiva. Tem-nos dado grandes ensinamentos relativamente àquilo que são as necessidades de explicação e de construção da marca. Percebemos que há ainda aspetos que temos de trabalhar, no que toca a uma abertura cada vez maior ao exterior – como por exemplo o que descrevi relativamente ao processo de seleção dos nossos parceiros. Há muita gente que não sabe aquilo que a EatTasty faz de uma forma clara, caindo no erro de nos comparar com serviços de delivery tradicionais. Portanto, a expansão, que começou com Madrid, permite-nos, acima de tudo, detetar oportunidades de melhoria, seja de um ponto de vista de comunicação, seja de um ponto de vista operacional, seja de um ponto de vista de oferta. O balanço é extremamente positivo.  

G. – Além de fazer e distribuir comida, sentem que o vosso papel também passa por levantar discussões relacionadas com alimentação e restauração? (servem de exemplo as conversas no Oeiras Ignição Gerador, o episódio do Assim Assado, mas também a vossa presença nas redes sociais)
J.D. – É precisamente por nos definirmos como uma marca de comida e não como uma forma de entregas de comida ao domicílio que achamos que trazer a comida para o centro da discussão e do prazer é muito importante. Exemplo disso são iniciativas como as que patrocinámos recentemente, como o Oeiras Ignição Gerador, algumas abordagens a outro tipo de conteúdos, como a parceria que temos com o podcast Assim Assado, com quem levámos a cabo três episódios recentes em que discutimos temas relacionados com a comida enquanto elemento da cultura e como um fator de conexão entre as pessoas. Depois, há toda a temática da restauração, o ecossistema em que nos inserimos, que é composto por diferentes playersplayers esses que, pelas nossas características, contactamos a todos os níveis: temos relação com restaurantes, com fornecedores de matérias primas, negociamos preços de peixes e carnes, se for preciso, falamos com marcas emergentes a quem queremos dar visibilidade, falamos com investidores, falamos com o cliente final, com empresas que procuram uma solução para os colaboradores (sobretudo neste tempo) de fragmentação entre as pessoas. Enfim, a EatTasty é, de facto, um agregador, um serviço que tem pontos de contacto com todos os intervenientes e os players daquele que é o ecossistema da comida e, por isso, sentimo-nos responsáveis por promover discussões, conversas, debates, incitar dúvidas, em vez de simplesmente explicarmos e mostrarmos a nossa comida. Porque sentimos que, com o passar do tempo e com os quatro anos em que já cá andamos, temos cada vez mais essa autoridade, e queremos que nos vejam também como alguém que promove uma discussão saudável, aberta e criativa, em torno daquilo que são as experiências que as pessoas têm com comida e a importância que esta exerce nas suas vidas. 

G. – E quais são os objetivos da Eat Tasty a médio e longo prazo, que ainda estão por cumprir?
J.D. – Sem dúvida a expansão para mais cidades, levarmos a marca a cada vez mais pessoas, fazendo sempre uma adaptação àquilo que é a cultura local, e o desafio do jantar — que é cada vez menos um segredo que equacionamos na nossa estratégia de crescimento, por acharmos precisamente que não é só ao almoço que quem não tem tempo para cozinhar ou porque não quer, porque não lhe apetece ou porque não consegue, tem de abdicar do sabor. Nós queremos levar o sabor e a qualidade da comida, associados à  conveniência, a outros momentos que não sejam só o almoço, e acreditamos que o jantar é também uma oportunidade para o fazermos. 

Texto de Carolina Franco
Fotografia da cortesia de Joana Duarte

O Gerador é parceiro da EatTasty

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