João Cutileiro recebeu ontem, quarta-feira, a medalha de mérito cultural no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora. O escultor de 81 anos assinou também o protocolo com o Ministério da Cultura, o município e a Universidade de Évora, para que possa finalmente doar a casa-ateliê e parte do seu espólio, como era já a sua vontade desde 2014. 

Nascido a 26 de junho de 1937 em Lisboa, João Cutileiro vai buscar as raízes alentejanas aos seus pais — Amália, natural de Pavia (no Alto Alentejo) e José, de Évora. Passou a sua adolescência em Lisboa e desde cedo se dedicou às artes, frequentando o estúdio de Jorge Barradas, onde modelava, pintava e fazia vidrado de cerâmica, entre 1949 e 1951. Mudou-se para o atelier de António Duarte, onde se iniciou a esculpir pedra. 

Apenas com 14 anos, fez a sua primeira exposição individual, em Reguengos de Monsaraz, numa loja de máquinas de costura. Dois anos mais tarde entrou para a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, que só frequentou durante dois anos por acreditar ser limitada a nível criativo, e seguiu para a Slade School of Art em Londres, aconselhado por Paula Rego. 

Regressou de Londres em 1970, estabeleceu residência em Lagos, e, 15 anos mais tarde, mudou-se para Évora, onde construiu a sua casa-ateliê. Lá desenvolveu parte do trabalho escultórico que quer doar. 

Em Outubro de 2013, recebeu o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora. 

Entrevista a João Cutileiro a propósito da exposição "Pós-Pop. Fora do lugar-comum" do Museu Calouste Gulbenkian

Texto de Carolina Franco
Fotografia de vil.sandi via Flickr

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