O Jornal de Letras, Artes e Ideias (JL) está a celebrar quarenta anos e, de acordo com o seu diretor José Carlos Vasconcelos, construiu um “acervo único na cultura portuguesa”.

“Nas suas páginas estão coisas fundamentais da cultura e a grande maioria dos grandes nomes da literatura, da arte e do pensamento e, em matéria de literatura, dos outros países lusófonos”, afirmou José Carlos Vasconcelos em declarações à agência Lusa. Salientou também “a credibilidade e a durabilidade” do jornal quinzenário que se publicou pela primeira vez em março de 1981, que durante oito anos também foi um semanário.

Na origem do jornal, esteve “a defesa e o combate pela criação de uma comunidade de povos de língua portuguesa”, que hoje está presente “nas mais variadas partes do mundo, sendo presença assídua nos leitorados de português” e outros centros culturais de português, explicou o diretor do JL.

O JL surgiu, recordou José Carlos Vasconcelos, no âmbito de um projeto “jornalístico, cívico e cultural”, do qual fez parte o semanário O Jornal, criado por um grupo de jornalistas. O Jornal saiu das bancas em 1992, depois de dezassete anos de existência, tendo nele colaborado nomes como Manuel Beça Múrias, Miguel Esteves Cardoso ou Francisco Sarsfield Cabral, José Silva Pinto, o próprio José Carlos Vasconcelos, Fernando Assis Pacheco e também Joaquim Letria, o seu primeiro diretor. “Neste contexto, era possível um projeto como o JL e que toda a gente dizia que seria inviável e que ia durar seis meses”, lembrou.

Atualmente, quarenta anos passados, “é único no universo da língua portuguesa”. E é um jornal “que só foi possível depois do 25 de Abril”, disse Vasconcelos, enfatizando que “contribuiu para um espírito de tolerância, de diálogo [e] de sentido crítico, que é inerente ao próprio conceito de cultura”. “Uma pessoa culta é mais esclarecida e deve respeitar a opinião dos outros”, referiu.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reitera esta posição num artigo que escreveu para o Jornal de Letras, Artes e Ideias. “Os 40 anos do JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias, e o percurso do seu diretor, José Carlos de Vasconcelos, são, ao fim e ao cabo, uma como que autobiografia da Democracia Portuguesa. Dizer isto é dizer que a Democracia existe em Portugal, como projeto que se quer pleno – no plano dos direitos pessoais, políticos, económicos, sociais e culturais – apenas há cerca de 40 anos”, escreveu.

No entanto, os “recursos são poucos, apesar de algumas entidades saberem o que ele representa”. O JL tem protocolos com entidades estatais, "que não significam subsídios" e “representaram, aliás, poupanças para o erário público”, disse José Carlos Vasconcelos, citando a agenda cultural, da esfera do Ministério da Cultura. O Jornal de Letras enfrenta, ainda, problemas na área da publicidade, aos quais não são alheias as concentrações de editoras em grandes grupos.

O JL “é hoje uma presença do português no mundo”, tendo “sido o seu papel destacado por seis presidentes da República de Portugal e do Brasil, de diferentes quadrantes [políticos]”. Como afirmou o escritor Jorge Amado (1912-2001), “o JL é um milagre”.

Para assinalar a data, o Jornal de Letras, Artes e Ideias publicou um artigo com as quarenta capas do jornal (JL 40 anos 40 capas), uma crónica que relevará, ao longo das próximas edições, quarenta personagens da ficção portuguesa (40 anos, 40 personagens) e um artigo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que escreve sobre a entrada do JL na entrada do 40º ano de publicação (JL, 40 anos: A autobiografia da democracia portuguesa).

Texto de Rita Dias
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