"Olaria, Identidade Portuguesa: uma viagem pelos tesouros da Olaria Portuguesa de norte a sul", é a proposta de Cátia Cardoso, que quer explorar e dar a conhecer a arte da olaria portuguesa ao mundo.

No âmbito do programa de doutoramento em Proteção do Património Cultural da Universidade de Vigo, Cátia Cardoso, natural de Barcelos, decidiu aprofundar um dos ofícios tradicionais portugueses mais antigos, desde os seus primórdios até aos dias de hoje, procurando perceber a evolução histórica, temporal, social e patrimonial da olaria em Portugal.

Desde pequena, que a jovem barcelense foi envolvida pela olaria, não fosse esta uma cidade caracterizada pelo barro e a rainha do artesanato, 'o primeiro contacto com o tema deu-se na escola primária, no entanto, só muito mais tarde percebi o potencial e a curiosidade que seria estudar algo que também é meu por direito, considerando que o património é a herança de um povo", conta Cátia Cardoso ao Gerador. Em 2013, após fazer voluntariado no Museu de Olaria de Barcelos, Cátia ficou com interesse em trabalhar, a fundo, as questões sociais e formais associadas a esta temática, escolhendo assim, em 2016, licenciar-se em Gestão do Património, na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto. Durante a licenciatura, Cátia percebeu a necessidade de entender o Museu da Olaria enquanto instituição educadora, de valorização e preservação patrimonial, começando a dar os seus primeiros passos no mundo da olaria. Atualmente, integra o Programa de Proteção do Património Cultural da Universidade de Vigo, de onde partiu este desafio de descobrir mais sobre a cultura da olaria. Em declarações ao Gerador, Cátia explicou que, o que a motivou a começar este projeto, foi a falta de informação e 'desatualização' do material disponível. "O trabalho que pretendo desenvolver em Doutoramento, obviamente com todas as condicionantes de tempo e outras, será um estudo de conjunto, do Noroeste Peninsular, em que Portugal seja o "ator" principal.", acrescenta.

A procura por símbolos e rituais que atualmente representem o que temos de melhor na produção e criação de louça utilitária, levou a investigadora a traçar um plano de viagem por Portugal Continental, pelos 18 distritos. Desde a louça vermelha no Norte, a louça preta de Trás-os-Montes, a louça colorida do Alentejo, os azuis do Algarve, a louça figurativa de Bordalo Pinheiro, a tradição em Alcobaça, Coimbra, Aveiro, Viseu, Amarante, Guimarães e Braga. A escolha dos locais são fruto da investigação e da experiência de Cátia com a olaria de Barcelos, "alguns locais foram selecionados pelas suas particularidades como, por exemplo, Pinela (Bragança) por ser um local onde a produção foi sempre feita por mãos de mulheres e as famosas cantareiras, em Bisalhães, pela particularidade das cozeduras. Contudo darei também atenção a centros menos conhecidos, alguns extintos e outros mesmo esquecidos - Nisa, Crato, Beringel, Gondar e Melides. Depois o critério foi identificar o máximo de centros produtores e tentar passar por todos para documentar tudo aquilo que seja possível. O objetivo é, sem dúvida, captar o imaterial por detrás da produção de Olaria - as peças não se fazem sozinhas e há muito trabalho, ritual e segredos que só grandes mestres nos podem contar. "

Questionada sobre o que espera encontrar em cada distrito, a investigadora afirmou querer aprender com os artesãos e locais, e recolher testemunhos reais, uma vez que os livros e as revistas, muitas vezes, espelham realidades diferentes e não abordam as pequenas aldeias que Cátia se propõem a visitar.

Esta viagem, com a duração de 23 dias está pensada para o mês de maio e terá início na cidade de Barcelos. No decurso da mesma toda a informação recolhida poderá ser consultada nas redes sociais criadas exclusivamente para o projeto.

Texto por Patrícia Nogueira
Fotografia da cortesia de Cátia Cardoso

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