A assinalar o 15º. aniversário da companhia de Teatro Meia Volta, a Casa do Capitão ganha cores, reflexões e comemorações. De dia 9 a 20 de novembro, as salas inundam-se de vozes naquele que é o 'hub' criativo localizado no Beato.

Cinco monólogos. Cinco cores. Cinco atorxs. Este é o número de eleição que a companhia e André Tecedeiro escolheram.
A comemoração começa antes da sala principal estar pronta. É numa experiência localizada no limbo do site specific que os balões, as luzes e as emoções se distribuem. "Joyeux Anniversaire! Joyeux Anniversaire! Joyeux Anniversaire!", ouve-se pouco depois da azáfama da preparação se mostrar constante.

A viagem inicia. A sala azul faz as honras. Segue-se a vermelha, a branca, violeta e amarela. Seguem-se os corpos que nos encaminham para uma rota permanente. "depois vira-se à esquerda quando eu disser. Sigam-me", dizem.

É nesta celebração que a estreia de André Tecedeiro se realça. Assinalando-se o seu primeiro texto para teatro. Fruto de uma encomenda especial ao escritor e artista plástico, o texto parte de encontros e conversas individuais onde o poeta pretendeu explorar os desejos, medos, gostos, preocupações, urgências e limites de cada um dos atorxs.

Partindo de um convite inesperado e já com "algumas ideias consistentes", as premissas do teatro chegaram até ao autor, "quando comecei o trabalho com a equipa eu estava a pensar noutro tipo de coisa, ou seja, imaginei diálogos, mas depois acabou por ser um monólogo, o que acaba por ser uma escrita que não está assim tão distante da poesia e que continua ali, no mundo interior de cada personagem", explica.

O trabalho conjunto entre a interpretação e a palavra surpreendam o autor, o que o mesmo descreve como uma descoberta constante.

Já sobre o processo criativo pelo qual passou "esta companhia, muitas vezes, trabalha com os atorxs em separado, ou seja, não estão juntos em todas as peças e, desta forma, elxs criam que a peça decorresse em salas diferentes, separados pelas cores diferentes. Pediram ainda que o tema fosse o aniversário", explica.

Não queria criar retratos, mas sim vontades e caraterísticas pessoais que fizesse do texto dxs atorxs algo tanto deles como nosso. "Criei um texto para cada pessoa e, para chegar até aí, combinei encontros com elxs em jardins de Lisboa, andamos a passear e tivemos longas conversas. Eu tentei perceber quem era a pessoa que eu tinha ali à frente. Perceber quais são os seus medos, as suas características mais pessoais e o que é que podia explorar. Fiz-lhes questões como o' que é uma festa? Qual é o lado bom da festa? Qual é o lado mau? Qual é a música que mais gostas?', quase como uma entrevista", acrescenta.

É, desta forma, que cinco personagens refletem sobre os seus percursos de vida, em discursos profundamente íntimos e melancólicos, nos quais se fala sobre a passagem do tempo, as ausências, as solidões, mas também sobre conquistas e decisões para o futuro. Partindo das histórias específicas de cada um dos intervenientes, Joyeux Anniversaire aponta uma universalidade na procura dos lugares comuns.

Refletindo momentos de introspecção e auto-análise que questionam as 'personas' que se edificam ao longo de quinze anos, é a explorar e aprofundar um festejo de uma passagem do tempo, sobre o seu corpo num todo que o teatro meia volta se apresenta através de Alfredo Martins, Anabela Almeida, Cláudia Gaiolas, Luís Godinho e Sara Duarte.

Com sessões diárias sempre pelas 19h30, o texto da peça será ainda publicado em livro e lançado no dia 9 de novembro, pelas 21h00.

Texto de Patrícia Silva
Fotografias de Tuna, Teatro Meia Volta
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