Com uma sensibilidade nata para as questões sociais e para as Artes, Juliano Mattos, também conhecido como “Julianji Matti”, é o fundador do Ativismo em Foco.
O fotoativista e geógrafo apresenta o seu projeto como “a forma de conjugar a Arte com o Ativismo, a Política, a Filosofia, o Pensamento Crítico e a Sociedade.”

O Gerador esteve à conversa com o Juliano, para perceber melhor o conceito do projeto desde a sua génese e o que o levou a unir duas das coisas que mais gosta e pelo qual luta diariamente: a Arte e o Ativismo.

Gerador (G.)- De que forma surgiu a relação Juliano, o fundador do Ativismo em Foco, com a Fotografia?

Juliano Mattos (J.M.) – Eu já vivo cá há cerca de vinte anos. Estudei Geografia, na Universidade do Porto, mas antes disso, estudei na Secundária Soares dos Reis, na Escola de Artes. Entrei lá com a ideia de fazer alguma coisa em Fotografia. No entanto, acabei por abandonar o curso no último ano. Estudava à noite e, no último ano, em que é preciso escolher uma vertente específica, a de Fotografia encerrou por falta de alunos. Então, acabei por abandonar e, foi aí que escolhi Geografia. Mas a paixão pela Fotografia já vem daí ou, talvez antes, logo que cheguei a Portugal. No Brasil, tinha interesse pela área, mas não fazia nada relacionado com a mesma. Quando entrei na faculdade de Geografia, comecei a ter algum dinheiro para investir em material. Foi aí que comprei uma câmera e comecei a fotografar, sobretudo, paisagens. Era o meu grande interesse inicial.

Ao longo do tempo fui evoluindo, digamos, para o que hoje é o Fotojornalismo, Fotoativismo – na verdade não sei como chamar.

Entretanto, eu comecei a trabalhar como fotógrafo à noite, no Porto, em alguns eventos de estabelecimentos noturnos, discotecas, como por exemplo, o antigo Armazém do Chá e coisas assim – isto, um pouco, por necessidade. Percorro os bares, desde 2016.

Todos os anos, menos este, fotografo festivais de Verão como o Andanças. Fiz três edições do festival e, depois, outros festivais ligados à Pé de Chumbo, que é a organização também de outros festivais. A partir daí, veio o próximo passo.

Eu já fotografava pessoas nos festivais porque não então passar para o Ativismo? Isso, está muito ligado ao atual.

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“Ele não é o nosso presidente!, ato contra Bolsonaro organizado pela FIBRA em parceria com a Frente Unitária Antifascista (FUA) e o Núcleo Antifascista do Porto (NAP)”

 O Ativismo em Foco é um projeto meu, não é um coletivo. Surgiu no final de 2018, logo após a eleição do Bolsonaro, paralelamente a outro projeto que eu ajudei a fundar que foi a FIBRA – Frente de Imigrantes Brasileiros Antifascistas do Porto – que surgiu também em 2018. Teve muita evidência no final dos meses de 2018. Fizemos reportagens para jornais, recebemos várias ameaças, enfim, aquelas coisas de quem está na evidência (risos).

 Depois, em meados de março\abril de 2019, eu saí da FIBRA. Acho que acabou por enfraquecer também, perdeu muito a sua força e potência por diversas questões, nomeadamente, internas e pessoais e, foi aí que decidi que o Ativismo em Foco seria a única – pelo menos para já – forma de participação no Ativismo. Quer dizer, eu passei de um ativista daqueles que ia para reuniões, escrevia atas e ajudava a organizar as manifestações, para um que faz parte somente da difusão. Existe uma relação apenas entre mim e a máquina fotográfica.

Penso que o percurso é este, comecei com fotografia de paisagem, passei para festivais e eventos noturnos e, agora, para o Ativismo, devido a este período conturbado.

G.- Tendo por base os conceitos Fotojornalista e Fotoativista, tal como se descreve inicialmente, considera que o Jornalismo e o Ativismo podem andar de mãos dadas?

J.M. – Essa é uma questão muito interessante. Eu não me considero, quer dizer, talvez não me considerem fotojornalista, mas sim, fotoativista. Até porque, eu tento dar às minhas fotografias um elemento artístico, além do elemento informativo. Ou seja, eu quero que as minhas fotografias sejam Arte e não apenas informação. Então, essa junção de Arte com Informação e Ativismo é o que está por detrás.

 Muitas pessoas dizem, “Juliano, as suas fotos são muito exageradas na edição”. Tal acontece porque tenho um gosto relacionado com a Paisagem. Gosto de fazer algumas transformações e não apresentar a foto crua e sem edição. Mas, eu acho que sim, que é possível.

Não acredito que haja jornalismo isento e imparcial. Todos somos, de alguma forma, parciais e o Jornalismo, agora, por exemplo, com as eleições dos Estados Unidos (EUA), assume um partido e uma posição. No Brasil já é diferente. Os jornais fingem que não têm partidos ou posições e, aqui em Portugal, é mais ou menos igual.

No entanto, acredito que há sempre narrativas que suportam certas tendências. Temos um caso específico, que aconteceu numa manifestação. Não me lembro bem qual, foi agora no Verão, numa manifestação antirracista. Recordo-me que esteve relacionado com um caso de agressão, não sei exatamente qual porque houveram vários. Não estive presente, mas vi um cartaz de um rapaz que dizia “polícia bom é polícia morto”. Nessa altura, tive vários debates com amigos, colegas e outros ativistas no qual referi que se estivesse naquela manifestação, não publicaria aquela fotografia. A mesma não é representativa das reivindicações nem da totalidade do coletivo e podia ser usada para evidenciar apenas um aspeto e criminalizar todo o movimento. Claro que depois cria uma série de debates éticos que fazem parte do universo deontológico do jornalismo, que na realidade não é a minha área. Eu digo isto, enquanto fotoativista.

O meu papel nas manifestações é conseguir captar as reivindicações, as mensagens, as posturas significativas dos movimentos e depois oferecer para que os coletivos possam difundir da maneira que considerarem correta. É um compromisso voluntário. Todas as minhas fotos e vídeos são oferecidos gratuitamente. Esse é o meu trabalho. Então, sim acho que é possível.

Concentração “Nem mais um despejo”, março de 2020

G.- O Ativismo em Foco apenas realiza a cobertura na zona do Porto, ou já teve experiências a nível nacional e internacional?

J.M. – No âmbito do Ativismo em Foco só fiz Porto e Braga, pelo menos até agora. O primeiro festival “Rock contra o Racismo”, realizado em Braga, no ano passado, o qual fiz a cobertura completa, as fotos e os vídeos. Isto porque, eu também fazia parte da FUA – Frente Unitária Antifascista e sempre tive boa relação com eles, que pertenciam à organização do festival.

Fora isso, tenho estado sempre no Porto. No entanto, é apenas por circunstâncias. Se eu pudesse ir a outras cidades, como por exemplo, quando o Jean Wyllys (ativista brasileiro) foi a Coimbra, em que decorreu uma manifestação do PNR e motivou também uma contramanifestação dos estudantes, claramente iria. Eu não fui por impedimento, questões pessoais. Eu tento fazer a nível nacional, mas não tenho conseguido sair muito daqui (Porto).

G.- Sente que a Arte, pela fotografia, aliada ao Ativismo poderá influenciar o pensamento crítico da sociedade?

J.M. – Isso é como falar da música, por exemplo. Eu tenho sempre estes debates com o meu irmão. Ficamos muito frustrados com o facto de a música ter transformado a nossa vida e o mesmo não se refletir na totalidade da sociedade. Aplica-se da mesma forma na Fotografia.

Como diz o fotógrafo português Joel Santos, “vivemos na era das imagens”.  Eu concordo com ele, sobretudo com as redes sociais. Agora, a imagem tem esse impacto. É poderosíssima!
Ainda assim, não sei se tem a profundidade necessária. É muito superficial. Não sei se tem capacidade de tocar as pessoas para motivar a uma transformação mais estrutural. Creio que pelo menos – e acho que o meu intuito como fotoativista também é esse – motiva quem já faz parte e ajuda a difundir as ideias, difundir os atos. Pelo menos dentro desse campo de atuação, acho que conseguimos ter algum sucesso. Agora, a influenciar outras pessoas, não sei.

 Eu costumo sempre publicar fotografias para fora das minhas bolhas e, elas costumam ter as suas reações, mas são semelhantes às reações que tinha quando fazia fotografia de paisagem. No entanto, o facto de serem fotografias com essa carga artística, acabam por atrair pessoas e por tirar da imagem artisticamente composta algum tipo de consciência sobre o assunto que está exposto. Ainda assim, acho que é muito difícil, meio utópico até.

Greve Feminista Internacional, 2020

G.- Ao longo dos últimos anos aconteceram imensas coisas. Desde a pandemia a outras problemáticas relacionadas com o contexto social. Acredita que em Portugal o Ativismo é um campo ainda isolado, socialmente, em comparação com o Brasil?

J.M. – Eu não posso falar muito do Brasil porque quando eu vim para cá tinha dezoito anos. Agora tenho trinta e oito. Ainda estava a iniciar o meu interesse por questões políticas, nunca havia participado em manifestações no Brasil. Claro que conheço porque acompanho sempre e, além disso, somos de escalas diferentes, dimensões completamente diferentes. Quando eu falo com os meus amigos do Brasil, e digo que se conseguirmos reunir cem ou cento e cinquenta pessoas aqui, no Porto, é uma grande vitória, eles ficam um pouco chocados, porque lá falamos na escala dos milhares.         

Eu tenho um pouco aquela ideia dos brandos costumes que permeiam um por todos os lados, mas não sei se Portugal é muito diferente, mais acomodado e passivo que o povo brasileiro. O Brasileiro também sempre foi conhecido na sua generalidade por ser um povo despolitizado. Nos últimos anos, é que existiu esta loucura toda que em grande parte nem é política, mas sim antipolítica. É a despolitização. Mas, em Portugal, eu vejo ainda uma grande dificuldade na mobilização. Os próprios temas, aqui, são abordados de uma forma muito imatura, no sentido de não ter sido madurada o suficiente no ponto de vista teórico. Quando se fala, por exemplo, no Racismo ou no Movimento Feminista, geralmente as referências são trazidas de fora. Eu digo isso porque fiz a cobertura de várias, como fotoativista foram as manifestações que mais cobri.
E posso dizer que as grandes referências vêm do Brasil, não que sejam as mais importantes, mas têm ajudado nessa pujança nova, na dinamização dos dois, três, quatro anos, que têm sido bastante fortes e importantes. Tem renovado os ares e trazido os novos conceitos, agora debatidos internacionalmente e na esfera portuguesa, que começa a lidar com alguns assuntos mais problemáticos como a ideia de lugar de fala ou apropriação cultural. São assuntos debatidos há alguns anos no Brasil e que geraram alguns conflitos dentro da própria Esquerda (posição política).

G.- A falta de conhecimento do Ativismo na sua génese, no caso português, existe? Entende que pode derivar das diversas influências internacionais, sendo um contributo para a ascensão, ou não, do mesmo?

J.M. – Eu acho que num mundo globalizado acaba por ser inevitável, as causas mais fraturantes incidirem sobre um território menos global. Falando em linguagem de geógrafo, em Portugal temos esta questão do país mais centralizado em duas grandes cidades, à escala nacional claro e, depois todo um restante de cidades médias e do interior que são renegadas praticamente. Fala-se muito na questão da descentralização e da revitalização humana do interior. É um assunto que, enfim, para qualquer pessoa que estuda questões territoriais é importantíssimo.

Acho que há alguns casos, alguns precedentes, mesmo em Portugal de ativismo espontâneo e, diria até, sem vínculos ideológicos ou partidários. Eu lembro-me do caso das pinturas rupestres, em Foz Côa, que motivou toda aquela mobilização dos estudantes. Foi uma coisa lindíssima, conseguiram vencer a barragem e a construção do museu do Foz Côa, mas são casos isolados.  
Eu acredito que é importante também não participar em qualquer coisa motivado apenas pela emoção ou pelos impulsos, porque vivemos num momento em que podemos ser levados muito facilmente para alguns lugares mais perigosos, no campo das ideias.        

Por exemplo, em relação à extrema Direita e extrema Esquerda, eu posso ser muito suspeito para falar sobre isso. Eu assumo-me como uma pessoa de Esquerda Radical, mas acho que seria necessário refletir sobre o que seriam os extremos.            
No mundo capitalista em que vivemos, as palavras “extremismo” e “radicalismo” não possuem o mesmo significado. Eu vejo que, voltando a uma linguagem geográfica, o “extremismo” a jusante e o “radicalismo a montante, ou seja, o “extremismo” é aquela coisa que desagua; que vai ao extremo, ao fim. Vale tudo para desaguar ali com aquele objetivo.
No caso do “radicalismo”, estaria a montante, na nascente; nas raízes onde os problemas surgem. Para mim, essa é a grande definição. Nesse sentido, eu não acredito que possa existir uma extrema Esquerda. Só existe uma Esquerda Radical. Não tem acesso ao extremo porque luta por algo que não faz parte das estruturas do sistema, quer transformar as estruturas.

Todas estas questões que são complexas não podem ser abordadas apontando o dedo uns aos outros afirmando “você não sabe o que diz”. Tem de ser abordado de uma forma pedagógica. Estão ainda muito distantes de premiar o universo das pessoas mais do interior e, digo mais, mesmo da cidade, de quem já faz parte do Ativismo.       
Há muito Ativismo despolitizado. Acho que um dos grandes traços da atualidade é a participação política despolitizante. E, esse é o grande problema, eu acredito que o MIMO em Amarante, por exemplo, pela sua própria oferta, pelos artistas que lá vão, permite o acesso a um tipo de bagagem cultural, e mesmo ativista, que pode influenciar o pensamento de um miúdo de dezasseis anos.

Manifestação Feminista de 8 de Março, 2020

G.- Tendo em conta a influência da Educação na construção da sociedade, acredita que também pode estar monopolizada?

J.M. – Como eu estou dentro do mundo académico português desde 2007, uma das coisas que me frusta bastante é não haver Ativismo dentro da comunidade estudantil. Não dentro do universo académico.

No Brasil, não conheço muito o universo académico de lá, mas todos sabemos que, desde o tempo da resistência, da ditadura no Brasil, a Academia sempre teve aquele ambiente em que as ideias saltavam como pipocas. As grandes figuras políticas, mesmo de hoje, surgiram dentro da Academia, do Ativismo Académico e continua a ser muito importante ainda hoje.       
Em Portugal é um absoluto deserto. Eu sempre vejo que a única coisa que reúne realmente os estudantes numa proporção significativa é a Praxe Académica, mais nada. Só as tradições académicas. Talvez, ali em algum momento ou outro, eu veja alguma reivindicação em relação às propinas ou alguma outra coisa, mas não existe dentro da Academia nada estruturado. Admito, isso deixa-me muito frustrado.

No caso dos professores, ainda são colocados num pedestal e os alunos não podem alcançá-lo, nem sequer questioná-lo. Eu vejo muito isso acontecer e vejo que os estudantes que vêm, sobretudo de pequenas cidades, vilas e aldeias nas quais não estão informados e não têm uma personalidade influenciada pelo meio urbano nem qualquer relação ou dialética, acabam por “engolir” tudo e aceitar as coisas.

No caso da Faculdade de Letras do Porto, tem tudo para ser e deveria ser uma Faculdade de pensamento crítico muito forte. A Faculdade de Letras, no Brasil, é de onde saem todas as mentes brilhantes e pensantes do ativismo. Aqui, enfim, eu não vejo isso acontecer. Talvez haja mais Jornalistas engajados do que Geógrafos provavelmente e, isso, é preocupante.

Ainda sobre esta questão de influência geográfica e de Educação, o meu primeiro ano em Portugal foi em Braga. Em 2001, Braga era uma cidade extremamente fechada, extremamente pacata. Foi impactante para mim, com certeza o ano mais difícil da minha vida.          
As pessoas quanto mais me empurravam para o canto da parede mais eu aparecia com uma camisa rasgada, uma crista no cabelo, só porque sim. Depois, eu vivia num bairro com muitos ciganos, africanos, ucranianos, brasileiros e muitos portugueses de classes muito baixas. Era uma relação muito interessante porque naquele ambiente não havia estas questões discriminatórias com as quais nos deparamos hoje, no contexto mais nacional. Quer dizer, todos se davam muito bem porque éramos todos da mesma classe social e estávamos todos em contacto diariamente. Então, não se criavam os fantasmas nem os espantalhos que criam os estereótipos.

G.- Alguma vez idealizou que o Ativismo em Foco fosse mais além?

J.M. – As primeiras vezes em que fui para a rua cobrir manifestações, ainda só com o Ativismo em Foco na ideia e no pensamento, foi com o meu irmão, creio que em 2016.
O meu irmão é formado em Cinema, trabalha com vídeo. Ele gosta muito de filmar. E, então, eu lembro-me que, no começo, íamos para a rua e eu fazia as fotografias e ele o vídeo. Éramos uma dupla. Acabámos por trabalhar juntos mais vezes mas, entretanto, ele foi viver para a Polónia.

Estar no Ativismo também implica fazer algumas conceções pessoais. E, chegou um momento em que estava tão saturado que cheguei à conclusão que o meu contributo seria de outra forma. Em vez de ser em reuniões, a fazer atas e a parte organizacional, seria com a câmera, com a cobertura e difusão. Tem funcionado assim. Sinto-me bem a fazer isso sozinho, até porque não acho que haja uma dinâmica ativista aqui no Porto que faça com que eu fique saturado ou não consiga dar conta de tudo. As coisas acontecem esporadicamente e eu apareço sempre no meu ritmo, faço as fotografias e o vídeo. É mais do que um compromisso ou qualquer obrigação ideológica. É um gosto que eu tenho. Então, não vejo porque mudar.

Quando começou a pandemia eu tomei uma decisão – enquanto esta questão não fosse solucionada, o Ativismo em Foco vai ficar parado. Desde o começo, que eu assumi uma postura muito pertinente em respeitar a ciência e quem realmente sabe e não andar em teorias conspiratórias, até porque também existem dentro da Esquerda, infelizmente. Claro que talvez não sejam tão “malucas” e “escabrosas” como a de extrema Direita, mas existem.

Concentração “Nem mais um despejo”, março de 2020

G.- Sentiu que os coletivos queriam que o Ativismo em Foco estivesse presente nas manifestações realizadas?

J.M. – Sim, sem dúvida, sobretudo, o pessoal ligado aos coletivos antifascistas que fizeram alguns convites, desde Porto a Lisboa.         
Numa das manifestações, cheguei a estar presente, mas não como fotoativista. Apenas para dar corpo à manifestação, sem câmera.          
Acabam mesmo por referir e pedir que o Ativismo em Foco se junte ao corpo e listas de organização, mesmo sem a minha presença.        

Os últimos eventos que fiz foi o 8 de março, que foi uma semana antes do estado de emergência e, depois, penso eu, a manifestação dos moradores e das moradoras da Ribeira, derivado ao despejo da mãe, Joana Pacheco, com dois filhos.

Eu estive na zona traseira da Câmara Municipal do Porto, local onde as pessoas se reuniram inicialmente e foi incrível!
Primeiro chegaram os ativistas, as caras que eu já conhecia há largos anos. Depois, chegaram vindos da Ribeira, as mulheres com as faixas e os grupos de apoio à habitação, nomeadamente “ O Porto não se vende”. Ninguém arredava pé, à espera do Rui Moreira. Foi belíssimo por causa da mobilização.

Eu escrevo artigos de opinião para o JUP – Jornal Universitário do Porto, e escrevi um a falar exatamente sobre isso: o direito à cidade e às mulheres da Ribeira que tentavam proteger a sua comunidade, quase como uma mãe a proteger o seu filho que estava a ser ameaçado por todos os lados e o agarra para o proteger da vida.

A grande mobilização não foi apenas por causa da Joana, mas pela ameaça que sentiram em relação ao tratamento da comunidade. Achei belíssimo!

Texto por Patrícia Silva
Fotografias de cortesia de Juliano Mattos

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