Poemas Eróticos dos Cancioneiros Medievais Galego-Portugueses, do professor e investigador Victor Correia, é um livro inédito que traduz a poesia erótica medieval do galego-português para linguagem actual. Chegou às livrarias a 7 de Janeiro e o seu lançamento será no dia 15 deste mês, com apresentação de Graça Videira Lopes, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

“Desde que o mundo é mundo, há erotismo. Nada é mais intemporal.”, disse a editora Guerra e Paz à Lusa. Contudo, Victor Correia notou que, ao contrário das cantigas de amigo e das cantigas de amor, as quais, ultimamente, têm sido editadas, “as cantigas satíricas e principalmente os textos eróticos têm continuado na sombra”, sublinhou o investigador em entrevista à agência. Desta lacuna, surgiram 1680 textos documentados.

“Os textos destes cancioneiros são composições em verso, de carácter profano, e na sua maioria são letras de cantigas, que foram musicadas e cantadas nos saraus das cortes régias e dos salões dos grandes senhores feudais, para entretenimento e divertimento”, pode ler-se no prefácio da obra.

O encontro com poemas, que datam entre o século XII e XIV, provenientes de Portugal, Galiza, Leão e Castela, e escritos por diversos autores, desde trovadores, dos quais fazem parte cavaleiros, príncipes, ministros da corte, e reis (como D. Afonso X, de Castela, e o seu neto D. Dinis, no mapa português), mas, também, jograis, provenientes de classes populares, realizou-se através de manuscritos originais, ou de monges copistas, conservados na Biblioteca Nacional, na Biblioteca da Ajuda e na Biblioteca Vaticana.

 

“Companheiro, já conheci tantas más conas,

Que não posso deixar de fazer uma canção

E mesmo que me faça sofrer

Não quero que se conheçam os meus casos,

E só eu sei como os compreendo:

Não gosto de conas bem guardadas,

Nem de viveiros sem peixes”

Excerto de um poema escrito pelo primeiro trovador francês, o conde Guillaume IX da Aquitânia, duque de Poitiers

 

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Este artigo segue o Acordo Ortográfico de 1945

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Sergiu Valena, via Unsplash