Uma das marcas mais evidentes do nosso tempo é, talvez, a erosão do que partilhamos: a fragilidade crescente das instituições, dos serviços comuns, dos espaços públicos, das infraestruturas democráticas, da confiança entre pessoas. Ao mesmo tempo, assistimos à captura do comum no espaço urbano, no ambiente digital, nos regimes de visibilidade, no acesso à memória, ao conhecimento e até no céu que nos cobre a cabeça.
A nova edição da Revista Gerador reflete sobre o enfraquecimento da ideia de coletivo e sobre a forma como o individualismo fragiliza aquilo que é comum. Mas procura, também, sinais de recuperação: práticas, movimentos, arquivos, redes, formas de cooperação e de imaginação política que insistem em reconstruir o que parecia perdido.
Para assinalar o lançamento da Revista Gerador 47, o Gerador organiza, no dia 29 de maio, às 18h30, no jardim do Goethe-Institut, em Lisboa, uma leitura coletiva a partir dos conteúdos da revista. Inspirado em práticas com origem em contextos de luta sindical e em culturas militantes, este formato faz da leitura em voz alta um ponto de partida para uma breve conversa em comum.
Qualquer pessoa presente poderá pegar na revista e ler um excerto. Para este momento, o Gerador desafiou também algumas pessoas ligadas a coletivos e projetos que admira a juntarem-se à leitura, como Marta Silva, dos Jardins do Bombarda, Filipa Bolotinha, da Renovar a Mouraria, e Elsa Maurício Childs, da Junta de Freguesia de Arroios. A entrada é livre.
Esta edição, bilingue, português e inglês, cruza artigos jornalísticos de profundidade, ensaios e obras artísticas de autores e coletivos como Amina Bawa, Constança Viegas Martins, Froh!, Ideias no Escuro, Manuel Malzbender / Goethe-Institut Portugal, Pierre Dardot, Renea Begolli ou Rodolfo Mariano, numa curadoria da Chili com Carne. Conta, ainda, com a visão de personalidades como Filipa Oliveira, Georg Diez, Gessica Correia Borges, Helena Roseta, Natalia Sliwinska, da Forensic Architecture, ou Lwando Xaso.
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