Em Torres Vedras há uma rota histórica e um centro de interpretação para descobrir os trilhos do passado. Numa viagem ao início do século XIX, o município propõe que se revisite o sistema militar que tinha três linhas defensivas para proteger a capital de Portugal dos ataques da tropa de Napoleão. 

A estratégia de defesa pensada pelo futuro duque de Wellington constitui em fortificar pontos colocados no topo de colinas, para controlar os caminhos de acesso a Portugal, reforçando os obstáculos naturais do terreno. O sistema estendia-se por mais de 85 km, entre o Oceano Atlântico e o rio Tejo e contava com 152 obras militares, armadas com 600 peças de artilharia e cerca de 140 000 homens na defesa. 

No dia 15 de novembro de 1810, o marechal Massena ordenou a retirada das tropas francesas, o despontar da derrota de Napoleão Bonaparte que se concretizou na batalha de Waterloo, a 18 de junho de 1815. 

Preservar o território para conservar a memória histórica e cultural

Distinguida pelo Prémio da União Europeia para o Património Cultural / Prémios Europa Nostra na categoria de conservação, a 5 de maio de 2014 na Áustria, a Rota Histórica da Linha de Torres é, na prática, uma Associação (sem fins lucrativos) para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres Vedras. É constituída pelos municípios fundadores de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira. 

A equipa técnica que a compõe integra profissionais de arqueologia, comunicação, conservação e salvaguarda, museologia, parcerias nacionais e internacionais, programas e projetos culturais e turismo. Os seus objetivos vão de proteger e valorizar o património cultural, ambiental, histórica e urbanístico associado às Linhas de Torres Vedras até contribuir para uma política de produção e promoção turística sustentável. 

Antes do prémio de reconhecimento europeu, a Rota Histórica das Linhas de Torres Vedras já tinha recebido o Prémio de Melhor Projeto Público de Requalificação, atribuído pelo Turismo de Portugal. A distinção foi realçada pelo então presidente do Turismo de Portugal, que disse que “o projeto contribui para a valorização da oferta da região e para a requalificação do património monumental com a recuperação de fortificações militares assim como de diversos circuitos que possibilitam ao turista conhecer melhor a região.”

Do São Vicente ao Passo

O percurso iniciado no Forte de São Vicente abre caminho para o castelo medieval, cuja localização é próxima ao Forte, e convida à continuação dos trilhos, nos quais é possível ir fazendo paragens na Serra da Archeira, nas localidades de Runa e Dois Portos, e nos Fortes do Grilo e do Passo, construídos na direção do mar. 

A viagem permite também que se conheça o Centro de Interpretação das Linhas de Torres, criado no Forte de São Vicente em 2017 com o intuito de valorizar o papel fulcral do sistema defensivo das Linhas de Torres Vedras para o desfecho da Guerra Peninsular, prestando homenagem aos portugueses que construíram mais de uma centena de fortificações e aos que foram atingidos pela política de terra queimada. 

O Centro de Interpretação das Linhas de Torres localiza-se numa ermida construída no século XII, que se dedicava ao culto de S.Vicente. É constituída por 4 núcleos — Friso Cronológico, As Linhas de Torres Vedras, A queda de Napoleão, Filme Documental — que ajudam a contextualizar as Linhas de Torres Vedras e a preparar o percurso dos visitantes.

Um percurso histórico que virou filme 

Estreou no ano de 2012 “Linhas de Wellington”, um filme de Valéria Sarmiento cuja narrativa se centra no período histórico em que surgiram as Linhas de Torres Vedras. Produzido por Paulo Branco, o filme acabou por ser editado numa mini-série transmitida na RTP, cujo nome se alterou para As Linhas de Torres. 

O elenco conta, entre outros, com atores como Soraia Chaves, Paulo Pires, Nuno Lopes, Carloto Cotta, John Malkovich e Isabelle Huppert.  

Trailer do filme “Linhas de Wellington”, de Valéria Sarmiento 

O Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras pode ser visitado de terça a domingo, entre as 10h00 e as 13h00 pela manhã e entre as 14h00 e as 18h00 na parte da tarde. O bilhete individual tem um custo de 2€ apenas para acesso ao Centro, e 4€ com acesso ao Centro de Interpretação das Linhas de Torres Vedras – Forte de S. Vicente, no Centro de Interpretação da Comunidade Judaica e no Museu Municipal Leonel Trindade. A entrada é livre aos domingos, no feriado municipal, no dia dos monumentos e sítios e no dia dos museus para crianças a partir dos 7 anos e adultos, e em qualquer altura do ano para maiores de 6 anos. 

Fotografia de Câmara Municipal de Torres Vedras
A Câmara Municipal de Torres Vedras e o Gerador são parceiros

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