Como forma de ajudar a enfrentar a “crise no mercado livreiro, que vem comprometendo a existência de pequenas livrarias em todo o país” – principalmente agora neste período de pandemia – foi criada esta quinta-feira, dia 2 de abril, a RELI – Rede de Livrarias Independentes, que desde logo endereçou uma carta aberta aos órgãos de soberania, com um conjunto de propostas para ajudar os livreiros.

Composta por mais de meia centena de livrarias independentes, espalhadas de norte a sul do país, a rede, que dispõe de um site que pode ser consultado aqui, surge numa altura de maior incerteza, nomeadamente pelo encerrar da maior parte dos locais de comércio nacionais.

Esta rede “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, sublinham, numa nota que é assinada, em nome de todos, por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob.

“Acreditamos que a constituição desta plataforma nos vai permitir agregar esforços, juntar todos os livreiros independentes de Portugal – maioritariamente micro e pequenas empresas –, delinear estratégias e ações comuns e enfrentar esta situação inédita, que nos apareceu num momento em que o encerramento das livrarias independentes – empurradas para fora dos seus estabelecimentos pelos efeitos da desenfreada, desnecessária e absurda especulação imobiliária – dava sinais de algum abrandamento”, pode ler-se na carta aberta dirigida pelos livreiros aos órgãos de soberania.

Juntamente com o lançamento da rede e do respetivo site, são lançadas duas ações conjuntas, intituladas “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”, numa tentativa de manter em movimento o negócio dos livros, procurando fazer face à atual conjuntura.

“Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia o público a escolher um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados” e, mediante um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.

Já a campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela aos leitores para que encomendem livros numa das livrarias independentes da rede, e os livros serão enviados sem encargos dos portes de envio.

As duas iniciativas estão disponíveis no site da RELI, que dispõe também da listagem de livrarias que fazem parte da rede, com as respetivas moradas e contactos.

Além disso, a RELI pretende ainda que este venha a ser um espaço online com venda de livros e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, constituindo “o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Em tempos de crise, a RELI está a tentar assegurar a sobrevivência das livrarias independentes, num cenário em que “as ruas estão desertas, e as pessoas, acantonadas em suas casas, não podem sequer ocupar os seus lugares nas trincheiras”.

“Estamos convencidos de que este movimento nos permitirá solidariamente atenuar, primeiro, e ultrapassar, depois, os efeitos da propagação do covid-19, principalmente os efeitos corrosivos que o pós-vírus exercerá em crescendo sobre o tecido social, as finanças, a economia e a vida de cada um de nós”, acrescentam, referindo-se ainda à proposta da Ministra da Cultura Graça Fonseca, que admitiu a possibilidade das livrarias se manterem abertas com venda ao postigo, como “pouco adequada à realidade de uma livraria, e dos clientes que a procuram”.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Eli Francis via Unsplash

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