O LU.CA - Teatro Luís de Camões, em Lisboa, inaugura o ciclo dedicado ao planeta Terra, intitulado “+Azul”, nesta sexta-feira, dia 10 de Janeiro, data em que arrancam, oficialmente, as iniciativas de Lisboa Capital Verde Europeia 2020, com a inauguração da exposição "Bonecos Salgados", do artivista Ricardo Nicolau, que permanecerá até dia 2 de Fevereiro.

Através deste ciclo, que também conta com debates, passeios a jardins, oficinas, cinema e leituras encenadas, reunindo pessoas de diversas áreas, das ciências às artes, o LU.CA torna-se o primeiro teatro municipal em Portugal com uma programação exclusivamente verde, que visa "criar uma espécie de alerta muito concreto, com questões muito concretas" que ajudasse as crianças e jovens "a pensar, a mudar comportamentos e também a influenciar os adultos", afirma Susana Menezes.

Uma vez que “a água ocupa 70% da Terra – razão pela qual lhe chamamos Planeta Azul – e o seu comportamento tem grande influência nas condições climatéricas, ou seja, é a principal responsável pelo clima ameno, propício à sobrevivência”, foi escolhido o título de “+Azul”, como se pode ler na apresentação do projecto.

O artista plástico Ricardo Nicolau dedica-se “a procurar na praia e entre as rochas, no Norte do país, plásticos que ficam perdidos no mar e na areia, e com eles faz criações artísticas", descreve Susana Menezes, directora artística do Teatro, à Lusa.

As leituras encenadas serão realizadas, de 10 a 19 de Janeiro, por Mariana Magalhães, partindo de três dos livros que Sara Amado escreveu para este ciclo, Aqui estamos nós, Estranhas criaturas, da editora Orfeu Negro, e Arrumado, da Livros Horizonte.

Ideias para um planeta feliz” conta com sessões de curtas-metragens, a 11 e 12 de Janeiro, onde há uma atenção particular na sensibilização para os gestos quotidianos de cuidado com a saúde do planeta. Com curadoria de Catarina Ramalho, os filmes a apresentar vêm de diversas partes do mundo e são Inércia (2014, Argentina), de Mariano Becho & Bergara Lobianco, Boxi: Na Natureza (2016, Hungria), de Béla Klingil, O Jardim (2016, Turquía), de Idil Ar Ucaner, Strollica (2017, Itália), de Peter Marcia, A Gota (2014, Espanha), de Josep Calle Buendía, TIP TOP (2016, Noruega), de Jan Otto Ertesvåg, Chiripajas (2017, Rússia), de Olga Poliektova e Jaume Quiles, 1 minuto de natureza – Alforreca (2016, Holanda), de Stefanie Visjager e Katinka Baehr, Caminho de Água para um Peixe (2016, Colômbia-Espanha-França), de Mercedes Marro Gros, O Buraco (2016, México), de Maribel Suárez.

O ciclo inclui duas visitas-passeio, uma atividade construída em conjunto com a Associação Natureza Portugal (ANP), a jardins vizinhos do LU.CA, guiada por Filipe Dias e Cátia Nunes. No dia 12 de Janeiro, poder-se-á explorar a biodiversidade do Jardim Botânico Tropical, e, no dia 19, do Jardim Botânico da Ajuda.

Nos dias 15, 16 e 17 de Janeiro, três especialistas, Rui Barreira, Afonso do Ó e Rita Sá, através de conversas/debates, abordarão os três ecossistemas mais importantes do planeta, as florestas, a água doce e os oceanos, respectivamente.

Considerando a importância do papel dos professores na consciencialização e transformação do presente e do futuro, “Azul +” propõe uma formação que visa a literacia destes profissionais, levada a cabo por Ana Pêgo, entre 17 e 15 de Janeiro. Esta debruçar-se-à sobre o tema do plástico, o seu impacto nos oceanos, devido a uma utilização descontrolada e desinformada. Serão facultadas, através, também, das artes, ferramentas para esta iniciativa em contexto de sala de aula.

Ana Pêgo será também a responsável por uma oficina de ictiologia, ramo da zoologia dedicado ao estudo dos peixes, que decorrerá a 18 e 19 de Janeiro. É dirigida exclusivamente às crianças, que poderão investigá-los, observá-los, medi-los, registando-os numa espécie de diário gráfico, através de uma técnica de impressão japonesa, Gyotaku, que foi utilizada por pescadores no século XIX.

De 24 de Janeiro, a 2 de Fevereiro, n'"A Caminhada", criação de Bruno Alexandre, co-criação e interpretação de Francisco Rolo e Ana Jezabel, a dança abrirá a brincadeira, a suspensão do tempo, a mistura de mundos e sua exploração a partir do corpo que sonha e, por isso, caminha.

O LU.CA, nas suas palavras, tem como missão “apresentar e apoiar a criação performativa contemporânea dirigida a crianças e jovens e a sua relação com outras disciplinas artísticas, sobre tópicos relevantes do nosso tempo e criar aproximações entre os criadores, as obras, os públicos e o edifício”.

Este artigo encontra-se ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Joel Filipe, via Unsplash