A partir desta quarta-feira, dia 11 de setembro, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, abre ao publico duas novas exposições: a mostra coletiva Playmode e a instalação artística M.A.G.N.E.T do egípcio Basim Magdy.

Com a participação de mais de trinta artistas nacionais e internacionais, a exposição Playmode propõe uma “reflexão sobre o poder da transformação do jogo, integrando-o nas suas obras com propósitos distintos: evasão à realidade, construção e transformação social, subversão ou crítica dos próprios mecanismos de brincadeira e jogo. Uma exposição que explora novos modos de ver, de participar e de transformar o mundo, ao usar o jogo de forma crítica”, refere o MAAT em comunicado de imprensa.

Com curadoria de Filipe Pais e Patrícia Gouveia, Playmode inclui trabalhos de artistas como Brad Downey (obra na foto), Gabriel Orozco e Ana Vieira, que adotam o tema e propõem uma reflexão sobre o período de ludificação que as sociedades contemporâneas atravessam, dividindo o espaço expositivo em três áreas temáticas: «modo de desconstruir, de modificar e de especular», «modo de transformar, de sonhar e de trabalhar» e «modo de participar e de mudar».

Na primeira secção, o conjunto de obras presentes explora os modos de jogar, de desconstruir, de modificar e de especular sobre o jogo, e os artistas têm liberdade para transformar as regras e os jogos que conhecemos em novas interpretações capazes de exprimir e sugerir outras visões sobre o mundo em que vivemos. Em «transformar, sonhar e trabalhar», os curadores exploram o paradoxo dos conceitos de brincadeira e jogo e do seu poder de transformação das estruturas cognitivas, físicas e sociais. Por último, a secção «modo de participar e de mudar» evoca o poder do jogo nos chamar à atenção, da sua capacidade de nos fazer participar em algo, convocando a nossa atenção mais profunda. Os sete jogos digitais presentes nesta área, propõe-nos diferentes modos de mudar de perspética e de consciência sobre certas condições sociais e culturais.

No mesmo dia, o museu apresenta também M.A.G.N.E.T,  título do mais recente filme de Basim Magdy, que se apresenta pela primeira vez em Portugal de forma individual .

Para este projeto, o artista egípcio, nascido em 1977, filmou em diversos locais, incluindo a zona dos petróglifos de Foz Côa e o Cromeleque dos Almendres, perto de Évora, em Portugal, na cratera vulcânica na ilha de Nisyros, na Grécia, assim como num laboratório de robótica em Manchester, no Reino Unido.

Comissionado pelo MAAT, o filme apresenta um cenário hipotético de factos inegáveis ocultados durante séculos por teorias da conspiração e por uma possível interpretação errada da história.

A instalação, projetada em quatro ecrãs, mostra os locais onde filmou e sugere o que poderia acontecer, no caso da gravidade aumentar, dando, entre outros exemplos, como o deixar cair uma moeda num pé poderia ferir gravemente uma pessoa.

O artista trabalhado no limiar de narrativas ficcionais e historiográficas, e a sua prática artística "equaciona questões sociais e políticas de forma crítica e quimérica, dando lugar a interpretações diversas, um tanto psicadélicas, do passado, do presente e do futuro".

As duas novas exposições estão patentes até fevereiro de 2020.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Brad Downey

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