Uma exposição sobre a fotografia de arquitetura na era pós-Revolução Digital, com imagens construídas ou manipuladas a partir de elementos arquitetónicos, abre ao publico esta quarta-feira, dia 20 de março, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa.

Com cerca de 70 obras de artistas como Jeff Wall, Thomas Ruff, Sabine Hornig, Antoni Muntadas, Evandro Soares ou Filip Dujardin, e portugueses como Edgar Martins, André Cepeda, Tatiana Macedo e Rodrigo Oliveira, Ficção e Fabricação foca-se no “olhar do artista sobre a realidade construída”.

De acordo com a organização da mostra, “numa era em que os meios digitais dominam a fabricação de imagens arquitetónicas para consumo mediático, as ficções provenientes do campo artístico surgem aqui como uma alternativa crítica que interroga e amplia a conceção de arquitetura”.

Com curadoria de Pedro Gadanho e Sérgio Fazenda Rodrigues, a nova exposição assinala ainda os 30 anos da invenção do Photoshop e da invasão das ferramentas digitais na produção fotográfica. Desta forma, em Ficção e Fabricação assiste-se ao cruzamento do imaginário da arquitetura através da fotografia, com outras temáticas como a política ou a vida doméstico dos subúrbios.

“Desde as obras seminais de Andreas Gurski, Thomas Demand ou Doug Aitken, até às criações ficcionais de Beate Gütschow, Oliver Boberg ou Isabel Brison, delineia-se um panorama da fotografia de arquitetura que contorna abordagens objetivas e privilegia as efabulações sobre o real entre o olhar cinematográfico, a desconstrução da imagem ou as narrativas mais politizadas”, explica a organização.

A exposição abre, desde logo, com um foto do português Edgar Martins, que por ter alguma manipulação foi retirada do New York Times onde tinha sido originalmente publicada. “Neste sentido, a exposição inicia-se com esse debate sobre a verdade da fotografia”, sustenta Pedro Gadanho. “Depois vai até ao extremo oposto como fotografias em que apenas é possível ver pixels”, acrescenta.

A mostra encontra-se dividida em três núcleos que comunicam entre si, explica o outro curador, Sérgio Fazenda Rodrigues. O primeiro com a “ideia de campo expandido, onde a fotografia está em intersecção com outras expressões artísticas, seja a escultura ou o cinema”. O segundo núcleo, da “narrativa e ficção”, deambula entre o “poder doméstico e o coletivo — abordagens de caráter mais político e social”. Por fim, o terceiro núcleo, o das “reconstruções digitais”, apresenta trabalhos “em torno de como se fabrica e ficciona a imagem”, explicou Sérgio Fazenda Rodrigues.

A nova exposição poderá ser visitada no principal edifício do MAAT até ao dia 19 de agosto.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Evandro Soares

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