Uma retrospetiva de Carlos Bunga, uma mostra sobre as implicações da robótica na sociedade e inéditos de Ana Santos abriram ao público esta quarta-feira, dia 23, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa.

Em The Architeture of Life. Environments, Sculptures, Paintings and Films, o artista português Carlos Bunga apresenta uma retrospetiva, reunindo obras dos últimos 15 anos. Com curadoria de Iwona Blazwick, o trabalho de Bunga cruza disciplinas que vão da pintura à performance, passando também pelo vídeo e desenho, numa relação direta com a arquitetura.

“O meu projeto é uma espécie de arquitetura; não é um espaço real, mas uma ideia mental”, refere o artista que, em diversos fragmentos, desenvolve um exercício de desconstrução da sua obra, à semelhança do que o americano Gordon Matta-Clark fazia na década de 70.

Trabalhando quase exclusivamente com cartão e tinta, Carlos Bunga põe em causa a ideia de solidez que associamos tradicionalmente à arquitetura, mas que dá a possibilidade de criar grandes estruturas, como aquelas que ali estão representadas, explica a curadora responsável.

Carlos Bunga formou-se na Escola Superior de Artes e Design (ESAD), nas Caldas da Rainha, estudou em Nova Iorque e venceu o prémio EDP Novos Artistas em 2003. A exposição permanece no museu até ao dia 20 de maio.

Na mesma ocasião, o MAAT apresenta a exposição Hello, Robot. Design Between Human and Machine, numa parceria com o Vitra Design Museum, na Alemanha, que ficará patente até 22 de abril.

Esta mostra é composta por mais de 200 peças das áreas de design e arte, robôs utilizados no nosso quotidiano, na medicina e na indústria, bem como em jogos de computador, instalações de media e exemplos cinematográficos e literários.

Em termos conceptuais, a exposição aborda o modo como o design molda a interação e relação não só entre os humanos e as máquinas, mas também entre os próprios humanos – para o bem e para o mal.

“Qual a forma como nós, enquanto indivíduos e como sociedade, escolhemos lidar com estas novas tecnologias? Como queremos reagir a um ambiente cada vez mais inteligente?” são algumas das catorze questões que o espectador encontrará à medida que percorre a exposição.

Por fim, em Anátema, Ana Santos – artista vencedora do Prémio Novos Artistas em 2013 – apresenta um conjunto de esculturas inéditas, sem recurso a legendas, que resultam de um processo de reflexão sobre as características formais e funcionais de determinados materiais encontrados e das relações que entre eles possam estabelecer.

 

Texto e fotografias de Ricardo Ramos Gonçalves

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