O artista plástico Tadashi Kawamata e o fotógrafo André Príncipe são dois dos artistas por detrás das novas exposições do MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), em Lisboa. A uma semana de celebrar o 2º aniversário, que terá direito a um open weekend a todos os visitantes entre os dias 5 e 7 de outubro, o Gerador foi conhecer a nova programação do museu.

É na Galeria Oval do MAAT que o japonês Tadashi Kawamata apresenta “Over Flow”, uma instalação de grandes dimensões que alerta para a problemática da poluição nos mares e oceanos. A obra, composta totalmente por detritos recolhidos na costa nacional – falamos sobretudo de garrafas, botijas e caixas de esferovite utilizadas em contexto de atividade piscatória – é, naturalmente, uma referência ao atual estado de sujidade das águas portuguesas. “I did it, but not only me”, esclarece Kawamata, acrescentando que neste projeto, que também se tornou numa missão de limpeza do mar e das praias, contou com a ajuda importante da Brigada do Mar.

“Over Flow” de Tadashi Kawamata.

Com este trabalho de “arquitetura temporária”, assim lhe chama a curadora Marta Jecu, invoca-se também parte da história oitocentista da cidade de Lisboa, como se de um tsunami tivesse resultado o conjunto do “lixo” ali exposto, com o mar a arrastar para terra parte do seu fundo.

Também a título individual, André Príncipe dá-se a conhecer naquela que é também a sua primeira exposição em circuito institucional. Chama-se “Elefante”, e para a mesma foram selecionadas fotografias que fazem parte do seu arquivo pessoal, (ou corpo de trabalho) há cerca de 20 anos, e uma instalação-vídeo – essa sim -, concebida a partir do momento em que surgiu o convite do MAAT para aquela exposição que agora se encontra na Central Tejo. A primeira imagem da exposição – um conjunto de feixes de luzes – é, segundo o autor, um convite imediato à abstração, a que se segue um vídeo de 8 minutos feito de retratos tirados num formato de 35 milímetros, nos mais diversos locais do globo. “Cada pessoa a fazer a sua coisa”, assim resume o autor, “como no cinema”, aludindo a uma estreita relação entre o seu trabalho e a arte da imagem em movimento no grande écran.

Mais à frente na sala, a mesma em que geralmente são apresentados os novos trabalhos, as fotografias expostas surgem aos pares: de um lado um ambiente intimista, do outro uma imagem abstrata. A juntar-se a estas, existem ainda 3 painéis que consistem numa composição com várias imagens, cada um deles a contar uma história cujo tema gira em torno da resposta à questão: “Qual é o elefante na sala?”.

Para além de “Over Flow” e “Elefante”, o MAAT abre as portas da Sala das Caldeiras da Central Tejo a mais uma edição, a 3ª, do “Artists’ Film International”. “Verdade” é o tema que dá luz a todos os trabalhos, um total de 7 filmes, com curadoria de Maria do Mar Fazenda.

Todas as exposições inauguram no próximo dia 5 de outubro. “Elefante” fica em exibição até dezembro; “Over Flow” e o “Artists’ Film International” ficam até mais tarde, com data de encerramento prevista para abril.

Texto e fotografias de Madalena Massena

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