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Mais Proximidade: Uma associação que torna o envelhecimento seguro, saudável e confortável 

A Associação Mais Proximidade procura combater o isolamento e a solidão de mais de 120 pessoas idosas. Os 40 voluntários e vários profissionais estão concentrados nos problemas sociais, habitacionais e apoiam ainda a área da saúde destas pessoas. Laurinda Cardoso tem 90 anos, é uma das beneficiárias e contou ao Gerador como a sua vida mudou com o apoio dos voluntários.

©Associação Mais Proximidade

A Mais Proximidade começou a crescer a propósito de um estudo realizado porta-a-porta por alunos da Universidade Católica Portuguesa, que inquiriram os idosos da freguesia de São Nicolau para perceberem os seus principais problemas. As conclusões do estudo remeteram para a solidão e o isolamento, que estavam também relacionados com as barreiras arquitetónicas de Lisboa. Tal como explica a atual coordenadora-geral do projeto e presidente da direção da associação, Mafalda Soure, “a maioria das pessoas vive em quartos e quintos andares sem elevador e têm dificuldade de sair e descer à rua”. 

Este não é um problema apenas de Portugal, em 2007, a Organização Mundial da Saúde (OMS) refletiu sobre o assunto e publicou o Guia Global das Cidades Amigas das Pessoas Idosas. A publicação explica que um edifício age friendly deve oferecer elevadores, escadas rolantes, rampas, portas e passagens largas, escadas apropriadas para os idosos, pavimento antiderrapante e ainda cuidados específicos nas instalações sanitárias. Estas especificidades não são comuns nos prédios e apartamentos da cidade lisboeta, o que acaba por provocar um maior isolamento das pessoas idosas.

Quando as primeiras falhas habitacionais na freguesia de São Nicolau foram sinalizadas, foi criada uma parceria com a atual Altice, que doou aparelhos que faziam chamadas automáticas para contactos de emergência em caso de quedas dentro de casa.

Em 2009, Mafalda Soure começou por ajudar na implementação destes aparelhos na casa de cada idoso. Mais tarde, como assistente social de formação, a atual coordenadora-geral e presidente da direção acabou por ser convidada a ficar na Associação e a criar uma proposta de intervenção na comunidade, que ainda hoje é o molde da Mais Proximidade. A equipa da organização não-governamental tem várias gestoras de caso, e cada uma tem “cerca de 30 utentes a seu cargo com quem cria relação, sendo um processo participativo e com base no diagnóstico que é feito individualmente a cada pessoa”, explica a presidente da direção da associação, concluindo que as gestoras de caso – cargo que já desempenhou –devem desenhar um plano de intervenção individualizado.

Em 2014, o projeto ficou totalmente independente do Centro Social São Nicolau e passou a ser uma organização autónoma, sem fins lucrativos. “O caminho que fomos trilhando passou por perceber o que está em falta na comunidade, o que é preciso e não existe, quais são as lacunas, e é aí que nasce o projeto e associação”, explica a coordenadora-geral e presidente da direção. 

“As relações são muito importantes e significativas para ambas as partes [pessoas idosas e voluntários]”

Entre os 120 idosos cada um tem as suas necessidades, e o apoio é personalizado pensado nas suas especificidades e personalidades. A Mais Proximidade trabalha na área do isolamento e solidão, na saúde e no bem-estar e na vida no domicílio.

“Para falar da Associação só tenho bem a dizer”, diz entusiasmada Laurinda Cardoso, 90 anos, ao Gerador. A beneficiária da associação elogia e agradece todo o apoio que recebe, recorda ainda que há pouco tempo teve uma cama articulada e que os voluntários estão “sempre disponíveis para tudo, são muito delicados, prestáveis”. 

Mafalda Soure assume que o apoio a nível da saúde é o que tem vindo a aumentar, mesmo que este tipo de serviço prestado pela associação tenha diferentes moldes. Existem cerca de 80 utentes que entregam a gestão da sua saúde total à Mais Proximidade, desde a marcação de consultas, idas ao hospital, levantamento de medicação. Laurinda Cardoso diz que à distância de uma chamada recebe ajuda para o que for preciso, seja arranjar uns óculos ou ir a uma consulta médica.

Há casos de beneficiários que têm autonomia, mas quando têm de ir a um hospital diferente ou distante do centro da cidade pedem uma ajuda pontual. ©Associação Mais Proximidade

Segundo uma revista sistemática publicada em 2013, o estudo “Morte no domicílio em Portugal” explica que 49 a 70 % das pessoas desejam morrer em casa. Os idosos acompanhados pela Associação não são exceção, a Mais Proximidade notou a importância de adaptar as casas destas pessoas e mantê-las seguras. 

Para manter as casas dos idosos seguras, a Associação faz a ponte para a contratação de algum serviço externo de confiança, ou através de serviços disponibilizados pela câmara. ©Associação Mais Proximidade

Os 40 voluntários da Associação Mais Aproximar têm diferentes funções, mais de metade é responsável por visitas ao domicílio, outros por contactos telefónicos, e há quem faça o acompanhamento a consultas médicas. Mas independentemente da área de atuação, todos são obrigados a passar por um processo de recrutamento e de formação durante cerca de um mês. Sónia Pinheiro tem 49 anos e decidiu fazer a formação e tornar-se voluntária por volta de 2017/18 e já contribuiu em todas as vertentes do projeto. A voluntária explicou ao Gerador que sempre foi muito sensível à população mais idosa, ao mesmo tempo teve uma avó com quem tinha uma relação próxima que faleceu, e ainda se sente mais útil dando um contributo a nível social. Como conclui: “Tudo se conjugou para que fizesse a formação e a Associação foi perfeita.”

A Mafalda Soure refere que é necessário definir um compromisso para gerir as expectativas da pessoa idosa. Explica que: “Muitas vezes trabalhamos com pessoas que têm um histórico de perdas afetivas, sendo que a maior parte das pessoas que acompanhamos são mulheres e viúvas. Por isso, às vezes a saída de um voluntário de uma forma não explicável pode ser mais doloroso que o bem que fez.”

A coordenadora do projeto partilha que os voluntários e os idosos criam uma relação muito próxima, comenta que há casos de quem acompanha os beneficiários até à sua morte, e depois “nem todos (os voluntários) têm a capacidade de renovação, porque, de facto, eles também estão de luto, as relações são muito importantes e significativas para ambas as partes”. 

“Cada idoso tem o seu valor, cada pessoa tem a sua história, e tem muito orgulho em contá-la”, explica Sónia Pinheiro sobre a relação com os utentes.

A Mais Aproximar é constituída por voluntários adultos. Mas há espaço na Associação para os universitários em atividades mais pontuais, como serenatas à janela. ©Associação Mais Proximidade

“Temos aquele tipo de pessoas que nos abre a porta de imediato, que nos deixa entrar, que nos senta no sofá, oferece bolo e quase não nos deixa ir embora”

O primeiro impacto entre os idosos e a associação depende sempre da “maneira de estar e de ser de cada um”, partilha Mafalda Soure. Há casos de pessoas idosas que demonstram estar muito recetivas à chegada da associação e noutros casos em que há uma maior resistência. “Temos pessoas que à primeira, segunda e à terceira vez não nos abrem a porta.”.A presidente da direção explica que ainda assim insistem, porque há casos em que sabem que existe uma “situação complicada”, seja de risco ou mesmo de violência doméstica. 

A Associação Mais Aproximar toma conhecimento dos casos de idosos que necessitam de apoio através de contactos orgânicos, ou através dos protocolos com algumas organizações que referem a Associação Mais Aproximar. 

No fim de cada visita semanal, os voluntários reportam à Associação como decorreu o encontro e salientam alguns pormenores que considerem importantes. ©Associação Mais Proximidade

A Associação Mais Aproximar não é um “modelo chapa cinco”

Mafalda Source reconhece a importância do trabalho que fazem junto da comunidade idosa, mas não o considera possível implementar da mesma forma por todo o país, porque não é “um modelo chapa cinco”, explica. A presidente da direção da Associação e coordenadora-geral diz que “é importante tentar perceber o que falta em determinada comunidade e de que forma é possível potencializar os recursos que já existem e adicionar outros para diminuir o isolamento de pessoas idosas”. 

Texto de Mariana Sousa Lopes

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