Os MANCINES (ler à italiana) estão de regresso com o segundo disco de originais II. A banda composta por Raquel Ralha (Wraygunn, Belle Chase Hotel, Azembla’s Quartet, The Twist Connection), Toni Fortuna (d3ö, Tédio Boys, M’as Foice), Pedro Renato (Belle Chase Hotel, Azembla’s Quartet) e Gonçalo Rui (produtor musical e guitarrista) lança, ao fim de cinco anos, 11 novos temas, com uma “identidade renovada”, “mais fresca, mais cheia de cores”. 

Ao longo destes últimos cinco anos, muitos foram os projetos em que estiveram envolvidos. O compositor da banda, Pedro Renato, diz não ter dado conta destes anos que passaram desde o lançamento do primeiro disco da banda “Eden’s Inferno” – “estive direcionado para uma série de projetos, fiz uma série de discos” e agora “vou estar mais focado nos MANCINES”. O álbum já estava gravado há dois anos, confessa Toni Fortuna, mas “foi ficando de lado, quase acabado, quase para acontecer mas depois não acontecia”. Entretanto, o cantor diz que “apareceu uma altura que parecia ser a melhor altura possível para o fazer, com a proximidade do festival Lux Interior, em Coimbra, que também nos permitia apresentar o disco – fizemos um concerto – o disco ia sair quando ficamos todos enfiados em casa”.

Este II álbum apresenta agora uns MANCINES renovados, “com uma cara um bocadinho diferente”. Para Pedro Renato, quem compõe as músicas da banda, “as referências são as mesmas, tem na mesma um bocadinho de cada um de nós lá, mas está mais leve, menos negro, menos datado, está um disco mais solto”. Afirma que algumas das melodias têm mais de 20 anos, outras foram compostas para integrar este disco, mas tal como Toni, reconhece que enquanto o “primeiro disco veio muito à procura daquilo que nós conseguimos fazer”, este segundo está “muito mais fresco, mais cheio de cores, cheio de uma outra alegria”. 

A banda estreia-se ainda na língua portuguesa, em colaboração com Samuel Úria, na música “O Poço”. Com melodia de Pedro Renato e letra do Samuel, esta surgiu num desafio feito por Toni Fortuna ao Samuel, que “achou interessante e disse na altura que ia tentar fazer um “sapato para o meu pé”.

Apesar das dificuldades perante o lançamento de um disco em período de quarentena nacional, Toni Fortuna afirma que “tem corrido muito bem, temos tido algumas pessoas que tão pouco nos conheciam e agora estão a entrar em contacto connosco”. 

A gestão da situação está a ser feita dia a dia e a presença online acabou por se tornar inevitável, sendo neste momento a única via de contacto entre os artistas e os seus públicos. Os dois elementos da banda, em entrevista ao Gerador, assumiram que, apesar de não estarem muito confortáveis com o novo mundo do online, “cada vez mais a presença nas redes sociais é inevitável”. A vontade de entrar neste universo era anterior ao lançamento do disco, contudo “depois de acontecer tudo isto, não há mesmo como contornar”, afirma Pedro Renato. Toni Fortuna está de acordo, já que “numa altura em que não se pode tocar, convém que haja alguma maneira de promover e de mostrar o novo disco”. A banda criou então uma conta no Instagram onde promete tornar-se mais ativa.

O regresso dos MANCINES surgiu de forma natural, “depois do primeiro disco houve sempre a vontade de continuar e de nos voltarmos a juntar e de voltar aos palcos juntos”; “nunca sequer pusemos a hipótese de não haver continuidade”, afirma Pedro Renato. No entanto, esta vontade do grupo de voltar a pisar os palcos parece estar agora comprometida, sem salas ou festivais onde possam apresentar os novos temas. Pedro Renato assume que “gostava muito de dizer que ainda voltamos aos palcos este ano e poder levar estas músicas ao maior número de palcos possíveis, mas na verdade já estou a ver a coisa complicada para este ano”. A banda espera agora que o disco seja capaz de resistir a esta provação temporal, considerando possível que quando pisarem os palcos da próxima vez possam ter de apresentar dois discos num só concerto. Mas isso seria sinal de que o terceiro disco está para breve. Fica a promessa de Pedro Renato: “Não vamos demorar 5 anos a lançar um novo disco”.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Fotografia é capa do albúm II MANCINES