Domingo, dia 7 de novembro, foi convocado um dia global de ação, pela coligação das organizações baseadas no Reino Unido que estão a preparar a intervenção dos movimentos sociais durante a COP26 (conferência global sobre o clima, a decorrer em novembro).

Em Portugal, organizações de sociedade civil convocaram uma marcha em Lisboa, no dia 7 de novembro, com início às 15h, no âmbito da plataforma Salvar o Clima que tem organizado as marchas do clima desde 2016. A marcha vai começar às 15h00 no Martim Moniz e vai percorrer a Avenida Almirante Reis, terminando com uma concentração na Alameda. Até ao momento, pelo menos 32 entidades (ambientais, sociais e políticas) já subscreveram a marcha oficialmente.

Defendendo que "a justiça não nos será dada pelos líderes mundiais nem entregue pelas corporações", a marcha visa lutar pela justiça climática, reunindo "movimentos de todo o mundo para unirmos esforços e mudar o sistema: movimentos indígenas, comunidades na linha da frente, sindicatos, grupos de justiça racial, jovens grevistas, trabalhadores rurais, camponeses, ONG, campanhas de comunidades de base, movimentos feministas, grupos de fé, entre muitos outros. As comunidades indígenas, na linha da frente e do Sul Global estarão no centro."

A plataforma identifica múltiplos pontos de ruptura, nomeadamente "o clima, a covid-19 ou o racismo" e defende que "estas crises não só se sobrepõem, como partilham a mesma causa". Como tal, reivindicam a justiça climática, mudança sistémica e poder às bases. "Precisamos de uma mudança no sistema que comece de baixo para cima. Para resolver estes problemas, temos de resolvê-los todos juntos. A justiça climática reconhece que todas as lutas têm origem no mesmo sistema injusto. Estejamos a lutar por melhores salários, água limpa, ou contra a violência policial ou a abertura de uma nova mina. Pelo controlo sobre os nossos corpos ou para parar a destruição das florestas em que vivemos. Precisamos de ação climática que funcione para toda a gente, não apenas para as pessoas com mais dinheiro nos bolsos", argumentam.

Por acreditarem que "todos devíamos poder participar em decisões que nos afetam", e sabendo que em novembro, líderes mundiais e especialistas estão reunidos em Glasgow, na conferência global sobre o clima (COP26) para tomarem decisões que vão moldar como os governos respondem (ou não) à crise climática, este foi o momento escolhido para reivindicar os valores pelos quais acreditam.

Texto de Andreia Monteiro
Fotografia de Vanda Pereira, via plataforma Salvar o Clima
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