Maria Lopes e Mário César juntaram-se para reunir 16 homens conhecidos pelos portugueses e lançar-lhes um desafio: deixar-se fotografar Na Pele Dela, assumindo contextos que habitualmente são associados às mulheres.

Das lides domésticas à depilação no banho, Albano Jerónimo, Carlão, Hélio Morais, Jhon Douglas, Julião Sarmento, Paulo Furtado e Tomás Wallenstein, entre outros, vestiram papéis que à partida não seriam para si e apresentam-nos ao público na exposição que estará patente no armazém Todos Playground nos dias 12, 13, 19, 20, 21 e 22 de setembro.

Maria Lopes é produtora, programadora, DJ e um dos rostos do duo Cumbadélica, Mário César é fotógrafo e tem trabalhado no universo publicitário. Em entrevista ao Gerador contam que os seus percursos profissionais “foram absolutamente cruciais para o projeto arrancar e chegar a bom porto” e que o facto de serem muito próximos os ajudou a nunca deixarem de “acreditar que seria possível fazer tudo em tão pouco tempo”.

“Somos uma dupla muito consciente das nossas capacidades e conseguimos sempre equilibrar a balança”, partilham.

Albano Jerónimo tem na filha um motivo forte para lutar “por um amanhã mais justo com direitos e liberdades comuns”.

A escolha dos protagonistas não foi difícil — “Desde que começámos a esboçar a ideia, sempre pensámos em homens reconhecidos pelo público, admirados por nós e que soubéssemos que estavam alinhados com a nossa visão”, explicam Maria e Mário.

“Ao mobilizar estes 16 rostos familiares dos portugueses, a nossa ideia passou muito por tentar, de alguma maneira, que o grau de identificação com a causa fosse mais espontâneo, impactando a sociedade ao descolar estas personalidades da associação imediata a um género e fazendo cair por terra a ténue fronteira entre a percepção de masculino e feminino”, contam.

Ainda que os circuitos artísticos, no qual estes intervenientes se inserem, sejam comumente associados a uma “mente aberta”, Maria e Mário acreditam que “ainda ninguém se encontra livre de julgamentos” e que “o primeiro passo para deixarmos de evoluir é acharmos que já temos tudo resolvido dentro das nossas cabeças”.

Neste sentido, “Na Pele Dela” pretende “normalizar, através das fotografas, o que sempre o deveria ter sido, sobretudo em pleno século XXI”. “Queremos que Na Pele Dela sirva de mote para dar novo fôlego a esta reflexão”, sublinham.

Além da dupla que ficou à frente do projeto, outras mãos se foram juntando ao projeto. Às fotografias que estarão em exposição junta-se ainda um mini documentário produzido por Leonor Bettencourt Loureiro e pelos Neura Media, com o processo de behind the scenes e entrevistas aos participantes.

“Acreditamos que este conjunto de camadas possa adicionar algo a esta luta, que ainda agora está no início, levando as pessoas a questionarem-se mais profundamente sobre as normas sociais que persistem em acorrentar a identidade de género a uma dicotomia redutora, despida de nuances e diversidade”, concluem.

O projeto de Maria e Mário é apoiado pela ILGA Portugal, pela Solid Dogma (que desenvolveu a identidade gráfica), pela Urban Decay (que forneceu a maquilhagem e a equipa de maquilhadores para a sessão), pela Plateia (responsável pela iluminação da exposição), pela Gamut (que fará a impressão e o acabamento das peças com o patrocínio da Gatilho), e pela marca de cerveja artesanal Trindade.  Podes acompanhar as novidades da exposição Na Pele Dela, aqui.

Texto de Carolina Franco
Fotografias de Na Pele Dela

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