Mariano Alejandro Ribeiro nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 1993, mas é em Portugal, onde vive desde os 9 anos de idade, que encontrou forma de se expressar como autor. Depois de se estrear, em 2016, com Antes da Iluminação (edição Mariposa Azual), o jovem escritor lançou no ano passado, Bartlebyana (edição Língua Morta).

Neste livro de contos – que se recusam a ser interpretados nesse formato convencional – Mariano abre diálogo com autores que o têm acompanhado: Céline, Pessoa, Bolaño, Pizarnik, Cesariny, entre tantos outros. Num exercício que é, sobretudo, de grande humildade para com um conjunto de figuras que o antecedem no tempo, o escritor presta-lhes, de alguma forma, homenagem, realçando a importância da sua leitura, mesmo daqueles cujo o tempo e o momento atual não ajudam a fixar.

Em entrevista ao Gerador, Mariano explica o porquê de se ter interessado nas peculiaridades da vida de cada um destes escritores, acabando por os transformar em personagens de um livro que, de forma inusitada, nos ajuda a estabelecer pontos de contacto com a própria história da literatura do último século e meio.

O trabalho de qualquer bom escritor começa na leitura, aspeto que é, no caso deste livro, essencial para se perceber o exercício levado a cabo pelo autor. Não surpreende por isso que na epígrafe escolhida, a sua postura seja socrática: “Me analizo y reconozco que estoy vacío” (Antonio di Benedetto). Sem a leitura, não haveria Bartlebyana e, certamente, também, não haveria Mariano Alejandro Ribeiro, como autor.

Bartlebyana é uma edição da Língua Morta

Gerador (G.) – Neste teu novo livro acabas por estabelecer um diálogo aberto com uma série de autores que, certamente, te influenciam e inspiram. Foi um livro foi estruturado segundo uma lógica específica ou rígida?
Mariano Alejandro Ribeiro (M. A. R.) – A verdade é que não pensei. O que aconteceu foi que tinha uma data de textos que tinham funcionado como exercícios criativos, alguns escritos em castelhano, outros em português e só, posteriormente, vi que havia ali uma espécie de tom narrativo em relação ao conjunto. Por isso lembrei-me da ideia de associá-los a um autor, para que o leitor pudesse criar uma ligação mais profunda entre o texto e o seu conhecimento ou não desses escritores. A partir do quinto ou sexto texto comecei a utilizar este método, de ler um pouco o autor, perceber o que é que podia explorar sobre ele e utilizá-lo num texto que tentasse ir o máximo possível contra o que se espera de um conto.

G. – Reúnes uma série de referências, o que o torna numa espécie de biblioteca, mas que acaba por não ter propriamente uma ordem - seja cronológica ou de movimentos literários, por exemplo.
M. A. R. – Inicialmente, a ideia era pôr fotografias de cada autor, mas por causa das licenças achei que daria muito trabalho. No entanto, é por isso que quase todos os autores são do século XIX para a frente. A ordem surge pelo tom do texto. Abro com um texto que são só perguntas e a partir daí pretendia que fosse mais fluído e que desse para ler quase de uma só assentada.

G. – É errado, então, entender-se estas referência pela ordem das leituras que foste fazendo?
M. A. R. – Diria que sim, até porque eles não foram escritos nessa ordem. No final é que foram compilados. Importava-me mais o texto do que o autor, porque não queria que os textos não pudessem ser lidos se o leitor não conhecesse o autor de que falava.

G. – Vais buscar o Blanchot como referência e que até pelo seu Livro Por Vir, enuncia princípios sobre a literatura no espaço total, onde abre um diálogo entre autores e as suas obras. Embora pudesse assemelhar estes textos a esse tipo de exercício, acabas por chamá-los de "breves biografias".
M. A. R. – Um dos pontos de partida para cada texto é, de facto, a biografia do autor, até às vezes mais do que a própria obra. O texto do Max Blecher, que é o protagonista que tem um buraco na cabeça, aquilo obviamente que não lhe aconteceu, mas ele teve um tipo de tuberculose que o obrigou a viver uma parte da sua vida deitado. Escreveu a sua obra deitado, que é uma coisa trágica, mas ao mesmo tempo muito literária, então quis explorar isso, por exemplo. Interessavam-me as peculiaridades da vida de cada autor e como torná-las literárias sem que os textos se tornassem em biografias exatas ou ordenadas.

G. – O que acaba por se um exercício de análise à própria leitura que fizeste?
M. A. R. – Eu acho que é isso. É entender uma leitura e ter uma ferramenta para criar mais a partir daí, diria. Pensando, por exemplo, se a [Alejandra] Pizarnik escreveu os poemas que escreveu, teve a vida que teve e morreu como morreu, como é que esses poemas surgiram e a partir daí fazer esse texto que é o resumo do que eu entendo que é a mistura entre a obra e a sua vida. São exercícios que funcionam literariamente nesse diálogo com os autores que vão surgindo.

G. – Onde há necessariamente tons e registos diferentes. No caso do Louis-Ferdinand Céline, tens um texto composto apenas de interrogações, mas noutros explicas que ainda não chegaste ao seu entendimento final, como é o caso do Samuel Beckett. Isto tem que ver com a tua leitura crítica que fazes de cada um?
M. A. R. – Tem a ver com isso, mas também com o meu estado de espírito enquanto estava a escrever cada conto. Mas custar-me-ia, por exemplo, fazer um texto que fosse muito azedo sobre o Cesariny. Esse texto acaba por ter um tom humorístico, sendo que qualquer pessoa que o leia encontra essa ligação entre um país de poetas e aquele banquete que surge no conto. É no fundo isso. Uma relação entre o autor, a minha leitura, a biografia e as possibilidades que surgem desse triângulo.

G. – Escreves sobre o Roland Barthes, que nos seus livros fala muito da separação entre a obra e o autor. Isso é algo que te importa enquanto leitor?
M. A. R. – Enquanto leitor faço quase sempre essa separação, e é raro para mim ler um livro devido à biografia do autor, mas a verdade é que todas estas obras foram escritas por pessoas, e para este meu livro interessavam-me as vidas que produziram certos textos. Também tenho noção de que é um exercício que não é inovador.

G. – Ainda assim, conseguiste estabelecer pontos paralelos entre alguns destes autores?
M. A. R. – Eu procurei que o livro fosse um desafio para o leitor encontrar ligações que não são óbvias, estabelecer ligações que eu próprio não estava a tentar estabelecer.

G. – Acaba por ser um livro que remete à importância da leitura.
M. A. R. – É um livro que parte da leitura.

G. – Estes autores moldaram a tua escrita?
M. A. R. – Sim. Às vezes, para me ensinar a fazer coisas e outras vezes para perceber o que não é suposto ou que não se deve fazer porque foi feito há 150 anos, e não há razão nenhuma para continuar a ser produzido. O escritor argentino Juan José Saer dizia que o romance vai do D. Quixote, de Cervantes, a Bouvard e Pécuchet, de Flaubert, e que ali acaba, porque depois dessa obra nada mais se pode dizer nesse formato que seja justo com o seu tempo. 

G. – Por outro lado reúnes aqui autores que, se calhar, hoje em dia, são considerados datados, outros até que foram desaparecendo de alguma forma. Há um lado de reavivar da memória presente neste livro?
M. A. R. – Não pensei nesses termos quando estava a escrever, mas, de alguma maneira, interessa-me a ideia de mostrar quão contemporâneas algumas leituras podem ser, a partir de autores antigos.

G. – Mas há autores que, porventura, o tempo e o contexto em que vivemos não os beneficia, como poderia ser o caso do Céline. Há um mote de redenção aqui presente?
M. A. R. – Sim, não sobre as suas vidas, mas sim sobre as obras. O que penso é que a maior parte deles não escreveria o que escreveu se não estivesse nas condições em que estavam à época.

G. – Porquê a referência ao Bartleby do Melville?
M. A. R. – Porque todos os textos aqui presentes, quando começam, de repente acabam e, a meu ver, não chegam a ter um desenlace. Acabam de maneira abrupta ou são caóticos, quase propositadamente. Achei que isso se assemelha ao espírito do Bartleby, de se recusar a fazer o que tinha que fazer, sem uma explicação aparente. E acho que estes contos são também assim, uma vez que se recusam a serem contos. Foi por isso que o quis chamar Bartlebyana.

G. – Há uma ideia de biblioteca que te acompanha como escritor e isso faz parte do processo de escrita?
M. A. R. – Sim, mas também acho que é só um dos pilares que posso ter enquanto escritor. Não me parece que a biblioteca possa ser suficiente para criar sequer um trabalho. Pelo menos no meu caso, acho que não seria suficiente através da leitura conseguir criar algo genuinamente bom. Mas claro, as obras que lemos, fazem muito daquilo que somos enquanto pessoas e escritores, muito mais do que as experiências. Tenho sempre alguma hesitação e duvido muito daqueles livros que foram escritos por pessoas que leram pouco e que, de repente, foram iluminados pela sabedoria divina, criando um livro genial.  Mesmo o Rimbaud ou o Kerouac, que achamos que eram jovens rebeldes, tinham o seu catálogo de leituras.

G. – No caso do Kerouac e dos escritores da Geração Beat, estes tiveram a preocupação de renovar o entendimento sobre certos autores mais marginalizados como o Henry Miller ou o D. H. Lawrence. Sentes esse tipo de apelo?
M. A. R. – Acho que hoje em dia um escritor deve fazer tudo o que não se espera dele. Isso é o mais importante, porque se continuar a fazer o que o mercado espera da literatura, a literatura acaba. Como dizia há pouco, o romance, que é o produto standard, já não é suficiente porque as pessoas têm essa necessidade de ficção saciada com os filmes, as séries e com a televisão. Portanto, a literatura tem que superar isso e acho que, nesse sentido, ir para trás para buscar novas abordagens e novas referências é importantíssimo.

G. – No conto dedicado ao Mário Cesariny fala dos poetas que estão sempre famintos. Este livro também tem a ver com essa fome que não é saciada porque as leituras, essas, continuam?
M. A. R. – No conto do Jules Renard, o protagonista vai até um rio onde estão os editores a pescar autores submergidos. E o que esta pessoa que está um bocado perdida, porque não tem jeito para nada, decide fazer, é tirar de lá um autor, trocar de roupa com ele e mergulhar dentro do rio de autores. Acho que ser escritor é um bocado isso. É pegar nas roupas de outros escritores e mergulhar no rio. Diria que essa é a minha postura em relação ao dito cânone literário.

G. – Vivemos numa época em que parecemos fixados em musealizar tudo, inclusive com a literatura e a criação desses cânones. Sentes isso?
M. A. R. – Sim e percebo que aqueles que ainda estão vivos tentem fugir dessa musealização. Em todo o caso, acho que vivemos numa era nostálgica, em todos os sentidos, porque ainda não encontramos bem o que representa ser-se contemporâneo no século XXI. Como temos Internet temos também acesso a todas as eras que nos antecederam, sendo que hoje todos esses submundos vivem em simultâneo. O próprio mainstream tem de ser bastante básico para chegar à maior quantidade de público. Acho que para proteger certas imagens populares tem-se essa tendência de as santificar, como acontece com os músicos, em que bandas como os Rolling Stones tocam as mesmas músicas e utilizam as mesmas roupas há 50 anos. É importante perceber que o tempo passa e perceber que a nossa época é apenas mais uma entre outras.

G. – Mas sentes que há também o complexo de édipo, especialmente nas artes, da ideia de se ter que "matar o pai" para fugirem, iminentemente, a uma lógica de reciclagem?
M. A. R. – O primeiro impulso é sempre matar o pai, criativamente. Agora eu acho que é também um sinal de maturidade manter os pontos fortes das gerações passadas e aplicá-los ao nosso dia a dia. É sinal de que pomos de lados as divergências. Imagine-se alguém que se recusa a ler o Lolita hoje, por causa do comprometimento moral do enredo… é não perceber o livro à partida e estar disposto a perder um pedaço de cultura gigante.

G. – Tu começaste pela poesia, quando publicaste o Antes da Iluminação. Desde aí há um outro sentido da maturidade que foste ganhando?
M. A. R. – Esse livro de poemas em particular foi escrito num contexto muito específico, e só meses depois é que percebi que tinha um conjunto que podiam funcionar. Eu estava completamente fora do mundo editorial português, mas decidi enviá-lo à Mariposa Azual, que gostou, e foi assim que foram publicados. São poemas que hoje sinto como sendo muito frágeis de um ponto de vista literário. Se lesse esse livro como sendo de outra pessoa considerá-lo-ia como um bom início, mas que ainda é verde. Acho que é normal que uma pessoa na sua juventude escreva melhor poesia do que ficção. É raro haver jovens que se dediquem com método à ficção. O Milan Kundera diz num ensaio que o romancista surge das ruínas do poeta que foi na juventude. Não concordo necessariamente com isso, mas neste caso diria que o meu ‘eu’ enquanto escritor surge do que sobra desse livro.

G. – Sendo argentino, embora vivas em Portugal há bastante tempo, escreves em português logo de princípio ou há um intercâmbio mais fluído com o castelhano?
M. A. R. – Escrevo nas duas línguas e às vezes há uma conversão de alguns textos para o português. No caso do Bartlebyana, quando eu senti que tinha uma coisa que podia dar em livro comecei a escrever os restantes em português. As minhas ligações editoriais também são todas cá em Portugal e não faria muito sentido escrever um livro que depois não conseguisse levar a um editor. São duas línguas muito parecidas por isso acontece-me, por vezes, saber uma palavra numa língua e não saber na outra, ou certas expressões que não são traduzíveis... Não sinto que seja nem uma vantagem nem uma desvantagem. O problema da língua com os escritores é que é uma ferramenta que está muito associada à identidade. A um realizador de cinema nunca lhe perguntam em que cânone é que se insere. Aos escritores estão constantemente a perguntar isso. De facto, muitas das minhas leituras são hispânicas e latino americanas, por ser talvez uma literatura da qual me sinto mais próximo enquanto leitor.

G.  – De todos estes escritores que reúnes no Bartlebyana, há algum com que sintas uma afinidade mais pessoal?
M. A. R. – Eu diria, por exemplo, o Roberto Bolaño. É um dos escritores com quem sinto mais afinidade, não necessariamente porque ele seja um grande escritor, mas pela sua postura em relação à literatura e ao mundo contemporâneo. A obra de Antonio di Benedetto, a quem roubo a epígrafe, também é muito importante para mim.

G. – Consideras que é mais difícil escrever hoje do que para alguns destes autores no seu tempo?
M. A. R. – Eu diria que não. Penso muito como é que seria escrever durante a 1ª ou a 2ª Guerra Mundial e qual seria o impulso para não se escrever sobre isso. Creio que o Hermann Broch deixou de escrever quando soube dos campos de concentração, o que até me parece bastante normal. Lembro-me também daqueles poemas que os soldados nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial escreviam... Às vezes penso «porquê escreveram um poema? O que é que os levou a isso?». Estavam à beira da morte, constantemente, e ainda tinham um impulso criativo que era necessário para encontrar uma certa paz interior. Atualmente a escrita é uma tarefa que está muito mais profissionalizada e, se calhar, escreve-se com um propósito definido, que foge à ideia de se escrever para si próprio.

G. – Muitos escritores acabam por ter vivido em períodos bastante conturbados, não que o nosso não o seja. Mas nesta ideia de que houve sempre acontecimentos tão disruptivos que era quase impossível não escrever sobre isso. E agora parece que vivemos num tempo de não acontecimento.
M. A. R. – Mas depois chega a pandemia e acho que ninguém se atreveria a escrever uma história sobre isso, pelo menos para já. Seria ridículo porque é algo que estamos a viver constantemente. Tirando no campo ensaístico, não estou a ver ninguém a escrever uma comédia romântica com máscaras e desinfetantes.

G. – Mas poderá haver essa predileção.
M. A. R. – Quando isto passar vai sentir-se uma certa nostalgia do tempo do distanciamento social e dos hospitais em crise e vai surgir toda uma produção cultural relacionada com isso. Pessoalmente não sinto a necessidade de escrever sobre a pandemia. Mas há, certamente, pessoas que querem sentir o pulso da nossa sociedade e debruçar-se sobre o que nos está a acontecer. Estou aqui a pensar no Catcher in the Rye, do Salinger, foi escrito depois de ele ter voltado da Segunda Guerra Mundial e que, enquanto todos os seus contemporâneos estavam a escrever livros sobre a guerra, ele escreveu este livro sobre um adolescente em Nova Iorque. Acho que esse é o caminho, pegar nas experiências e não fazer uma releitura direta delas para criar algo que seja novo.

G. – Falavas que vivemos numa era de nostalgia, mas isso acaba por ser uma pulsão criativa interessante para ti?
M. A. R. – Só esteticamente. Acho que há certas coisas, e um realizador de cinema concordaria, como um disco a girar enquanto toca que transmite muito mais informação do que quinze páginas de texto e que, se calhar, acabam por ter o mesmo efeito. A nostalgia é só mais uma ferramenta artística e não devia ser o principal foco de nada. Acho que há muito conteúdo artístico atualmente que depende exclusivamente da nostalgia e quando se estuda mais a fundo, percebe-se que não há nada por trás disso.

G. – Como jovem escritor, sentes essa pressão de vir a produzir um romance, depois de teres passado pela poesia e pelo conto?
M. A. R. – A verdade é que escrevo muito, mas a maior parte das vezes não sinto que os textos estejam preparados para serem editados. Se publicasse um romance não seria pela necessidade editorial, mas sim porque encontrei naquele formato alguma coisa que pretendo expressar. Se alguém procura especificamente um género tem de conseguir acrescentar alguma coisa nesse mesmo género. Há uma frase que eu gosto muito que diz: um grande livro é aquele que ou funda um género literário ou o dissolve.

G. – Em Portugal atualmente discute-se muito esta ideia dos ditos cânones. Como é que olhas para isso?
M. A. R. – É importante cada leitor ter o seu cânone individual. E acho que é importante haver uma linha, que é ténue e frágil, de autores que são marcos na literatura. Mas aí entra-se na questão se é a literatura do país, a literatura de uma língua, etc. Pessoalmente, sinto que tenho o meu cânone, com determinados autores, que se mantêm. Devo dizer também que, nos últimos anos, tenho vivido um processo de ‘desamericanização’ do meu consumo cultural. A verdade é que vivemos muito dependentes da produção dos Estados Unidos e tenho tentado fugir a isso sempre que posso.

G. – Fala-se constantemente desta ideia da figura (romantizada) do escritor estar em crise. Consegues classificar-te neste sentido?
M. A. R. – De facto, a palavra escritor incomoda-me um bocado e a palavra poeta incomoda-me ainda mais, porque estão associadas a uma ideia romântica do sujeito misantropo em crise, que talvez já não seja assim tão real. A verdade é que não penso muito nisso. Escrevo porque não sei fazer mais nada (risos). Sinto que a literatura é o único espaço onde tenho paciência, e essa acaba por ser uma ferramenta essencial para a criação.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Inês Viegas Oliveira

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