De 2 a 20 de Setembro, de quarta-feira a domingo, pelas 21h30, no palco mais antigo de Portugal, entre as ruas de São Mamede e da Saudade, onde se localiza o sítio arqueológico do Teatro Romano, um dos núcleos do Museu de Lisboa, estará em cena a peça Medeia, tragédia do dramaturgo grego, do século V a.C., Eurípides, com adaptação e encenação de Beto Coville, da Companhia Teatro Livre.

Com interpretação de Beto Coville, Carla Chambel, Eurico Lopes, Helena Veloso, Inês Oneto, Joao Araujo, Luísa Ortigoso e Sofia Brito, este clássico, com mais de 2500 anos, será sempre contemporâneo enquanto o humano, como o (des)conhecemos, existir. A peça, com co-produção do Teatro Livre e do Museu de Lisboa-Teatro Romano, convida-nos a olhar o que está antes do gesto. “Esta Medeia não é só sobre uma mulher louca que mata os filhos. Coloquei o foco mais na situação e nas razões que levaram essa mulher à loucura, no percurso que a levou a cometer um ato tão desesperado e condenável como matar os filhos”, explica o encenador, em comunicado de imprensa.

Com esta criação podemos pensar o fácil julgamento, que, na opinião do encenador, ainda permanece, sobretudo no que diz respeito às acções da mulher. Este é-lhe mais carregado e podemos verificá-lo “em notícias de casos recentes em Portugal de mulheres que afogaram ou envenenaram os filhos”, exemplifica Coville. Acompanhando a protagonista, interpretada por Carla Chambel, e ficamos perante “uma mulher capaz de sacrificar tudo o que tem, em nome de uma paixão desmesurada, mas, capaz das mesmas ações para recuperar uma dignidade perdida”, continua.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia de @e.diferente.fotografia, disponível na página de Facebook do Teatro Livre