“MEMories and EXperiences for inclusive digital storytelling” é um projeto europeu inovador que se serve da tecnologia e do património para combater o risco de exclusão socio-cultural. O MEMEX é uma aplicação na primeira fase de construção, disponível para a realização de teste nas comunidades em risco de exclusão em Lisboa, Paris e Barcelona.

Com parceria da Mapa das Ideias e da ARDITI - Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, e coordenado pelo Instituto Italiano de Tecnologia, o projeto MEMEX conta ainda com apoio do Instituto Marquês de Valle Flôr, a Associação Lusofonia Cultura e Cidadania e a Academia de Produtores Culturais.

O aplicativo permite aos seus utilizadores partilhar histórias, em conjunto com as oficinas de storytelling com comunidades nas três cidades, Lisboa, Barcelona e Paris, orientadas, respetivamente pela Mapa das Ideias, Interarts e Associação Michael Culture. Neste contexto, as comunidades são desafiadas a escrever e partilhar os seus interesses, memórias e pensamentos, através de uma narrativa enriquecida com conteúdos multimédia de fotografia, vídeo e gravações de voz. Este conjunto de histórias são associadas, posteriormente, a um sítio do património local.  

Um estudo, conduzido pelo Instituto de Tecnologias Interativas – LARSyS, em parceria com a Mapa das Ideias e o Instituto Marquês de Valle Flôr, convidou um conjunto de jovens migrantes para partilhar e co-criar histórias, que resultaram numa lista de requisitos para a elaboração e design da primeira versão da aplicação.

Entre outubro de 2020 e maio deste ano, migrantes da lusofonia em Lisboa, mulheres migrantes em Barcelona e habitantes de um bairro prioritário de Paris, num total de 34 participantes de idades superior a 30 anos e inferiores a 80, estiveram envolvidos nas três fases piloto do projeto, criando mais de 30 histórias para a aplicação.

Segundo o projeto MEMEX, “os participantes mostraram um empenho e interesse na exploração da aplicação, usando as ferramentas para criar e partilhar as histórias previamente criadas”, recorrendo ao exemplo de uma mulher espanhola que achou surpreender poder escrever sobre o que sente, “como viajante, achei muito importante ter esta aplicação para partilhar os nossos escritos, os nossos sentimentos”.

Na cidade de Lisboa, os participantes envolvidos na primeira fase da aplicação, procuraram criar uma ligação das suas histórias com o património cultural. “Uma estátua que transmite felicidade ou alegria pode transmitir o oposto a outra pessoa. É interessante saber o que outras pessoas veem no mesmo elemento patrimonial”, conclui um participante.

O projeto MEMEX terá uma duração de três anos, de 2019 a 2022, e é financiado pelo programa Horizonte 2020. A segunda versão da aplicação está prevista para o próximo mês de julho. Para acompanhar a evolução do projeto consulte aqui.

Texto de Ana Mendes
Fotografias de MEMEX

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