Natural de Lisboa, André Nascimento faz uso de teclados, computador e outros instrumentos, para criar e tocar os seus sons, “viajando” entre o rock, o jazz e a música eletrónica, e trabalhando também em sonoplastia e bandas sonoras para vídeo, teatro, videojogos, novos media e projetos de artes digitais. Faz parte da banda Alexander Search e colabora com vários outros músicos, como o pianista Júlio Resende (Cinderella Cyborg) e a cantora Maria João (Ogre).

Aquando da seleção de 10 músicas de autores portugueses que o marcaram, o André partilhou com o Gerador:

“Aqui está alguma da música portuguesa que me tem influenciado nos últimos anos. Há muitos outros temas, de outros autores e de diferentes géneros musicais, igualmente importantes. Esta é apenas uma mescla de entre várias mesclas possíveis. A pior coisa de fazer estas listas é pensar naquilo que temos que deixar de fora. O melhor é a música, claro.”

Estas são as 10 escolhas da música portuguesa que o André Nascimento partilhou connosco:

Linda Martini, “Juventude Sónica” (Casa Ocupada, 2010)

Uma pequena ode à forma como nos maravilhamos com a música na nossa juventude. Manter essa excitação e capacidade de deslumbramento é o desafio. Rock a valer, directo ao assunto.

Ornatos Violeta, “Ouvi Dizer” (O Monstro Precisa de Amigos, 1999)

O monstro precisa sempre de amigos. E acho que a música portuguesa precisava que os Ornatos Violeta não tivessem parado. Mas ainda bem que o Manel Cruz continua a fazer das suas…

Mão Morta, “Tu Disseste” (Primavera de Destroços, 2001)

Há muito tempo que os Mão Morta são uma das nossas bandas mais importantes e criativas. É uma música simultaneamente introspectiva, agressiva, obscura e complexa, que não deixa ninguém indiferente.

Carlos Paredes, Sede e Morte (1973)

Impossível ouvir o mestre da guitarra portuguesa tocar este tema sem sentir um arrepio na espinha. E não é preciso dizer mais nada.

Maria João e Mário Laginha, “Há Gente Aqui” (Cor, 1998)

A Maria João e o Mário Laginha sempre foram um furacão de criatividade que transpõe fronteiras físicas e musicais. Este tema transmite um sentimento explosivo de liberdade sem amarras.

Moonspell, “Disappear Here” (Butterfly Effect, 1999)

Uma “pérola” menos conhecida desta grande banda, num álbum que na altura me lançou algumas pistas. É um momento mais “experimental” que quebra vários clichés do heavy metal, género musical que muito aprecio e que às vezes não tem o respeito que merece.

Zeca Afonso, “Gastão era Perfeito” (Venham Mais Cinco, 1973)

Há uma tendência para associar o Zeca Afonso exclusivamente à intervenção política, o que é compreensível. Mas a sua obra tinha outras facetas e aqui ele mostra-nos o seu lado surrealista, aberto a várias leituras, num tema curto, simples e com muito humor.

Megafone / João Aguardela, “2005” (Megafone IV, 2005)

No projecto Megafone, o João Aguardela assumiu o papel de “Giacometti cibernético”. O primeiro tema do álbum mostra como é possível aliar a nossa música popular e tradicional às sonoridades electrónicas. Imensas possibilidades.

Paus, “Sebo na Estrada” (Madeira, 2018)

Já tive o prazer de ver os Paus várias vezes ao vivo. O ritmo é contagiante, e o cruzamento entre as percussões e os sons electrónicos também. Só se faz arte com as máquinas quando os humanos estão envolvidos a fundo.

Lokomotiv / Carlos Barretto Trio, “Lugar sem Lugar” (Gnosis, 2018)

Há duas décadas que este power trio do jazz nacional faz da melhor música aqui do burgo. Este tema de abertura do álbum “Gnosis” é assombroso e marcante. Tenho-o ouvido vezes sem conta.

Fotografia de Tomás Monteiro

Se queres ouvir mais Mesclas da Semana clica aqui.