Carluz Belo viu concretizado, no dia 30 de outubro, o sonho que o tem comandado nos últimos meses: a edição do seu álbum de estreia MENINO DA PRAIA.

Depois de uma série de singles editados no último ano como Folhas SecasMenino da Praia, chega às lojas e plataformas digitais o álbum MENINO DA PRAIA. O disco foi editado com o apoio da SPA [Sociedade Portuguesa de Autores].

Nas palavras de Carluz Belo “o álbum apresenta uma série de outras canções que, juntamente com os temas já lançados, completam um alinhamento em 12 capítulos, numa viagem por alguns dos meus territórios emocionais. É um disco com melodias sobreviventes ao longo de mais de uma década de trabalho e que nem uma pandemia consegue travar.”

Fica com a sua seleção de 10 músicas, aqui:

António Variações, “Anjo da Guarda”

“Tenho ideia de ter crescido com a voz do António a ecoar ao fundo, durante toda a minha infância. Minhoto como eu, o António Variações representa para mim uma espécie de proteção espiritual, um Anjo da Guarda. Vejo a sua obra como o maior dos exemplos do afeto minhoto, alguma vez gravado em canções.”

Cristina Branco, “Sete Pedaços de Vento”

“Pela Europa fora é apelidada por muitos como aquela que tem “A Voz da Mãe”. Descobri a sua obra a partir do disco “Abril” que gravou para homenagear Zeca Afonso. A Cristina reinventa o Fado todos os dias e não cabe em nenhuma designação deste ou de outros géneros musicais. A sua arte transcende qualquer estilo.”

Salvador Sobral, “Anda Estragar-Me Os Planos”

“Para mim, este é até hoje o tema que melhor retrata o rasgo de liberdade que Salvador Sobral veio trazer à música portuguesa. E a história deste músico é aos meus olhos tão bela quanto irónica, uma vez que o seu espírito jazzístico “necessitou” de passar pela Eurovisão, para alcançar o seu mais do que merecido reconhecimento.”

Lena d’Água, “Hipocampo”

“Esta canção do grande Pedro Silva Martins é para mim a que melhor retrata o regresso da Lena aos discos de originais. Muito autobiográfica, é com grande leveza que a Lena hoje demonstra estar tranquila com toda a sua história, cheia de luz e sombra. E que bela lição esta, vinda de uma voz sempre doce, sempre menina, sempre sonho e magia.”

Sérgio Godinho, “A Noite Passada”

“As palavras e a voz do Sérgio representam para mim um abraço a Portugal inteiro. Terá sido o nosso primeiro “MC” muito antes do surgimento do Hip Hop? Há quem diga que sim. Há uma enorme mestria na forma como ao longo dos anos foi criando canções verdadeiramente modernas, tendo como base uma belíssima portugalidade e tanta poesia.”

Maria Guinot, “Silêncio e Tanta Gente”

“Mais atual do que nunca, esta canção tem um dos poemas mais ousados de sempre. Quem não trocaria a sua vida por um dia de ilusão? Maria Guinot foi um dos ex-libris das representações portuguesas na Eurovisão, com uma irrepreensível interpretação, certeira e desassombrada! Eterna a cada instante!”

Pedro Abrunhosa, “Tudo O Que Eu Te Dou”

“Provavelmente a canção portuguesa romântica que mais me acompanhou durante a adolescência. Especialmente numa fase em que eu tinha dificuldade em identificar-me com a nova geração de bandas portuguesas, a obra do Abrunhosa, e esta canção em particular, foram sempre um Porto seguro.”

Sara Tavares, “Barquinho da Esperança”

“Cada criança será o pai de outra criança que dela sai”… Uma belíssima e sábia reflexão de Pedro Ayres Magalhães & Miguel Esteves Cardoso, aqui interpretada por uma das mais delicadas vozes que eu já escutei. Há de facto uma alma antiga em toda a música da Sara e é para mim um orgulho que a sua calorosa música se expresse na nossa língua.”

Rão Kyao, “A Voz do Tejo”

“Nunca mais fui o mesmo, desde que escutei pela primeira vez a maravilhosa flauta de bambu do Rão Kyao. Não sei como, mas sinto que neste tema, o Rão consegue condensar todos os mistérios da Portugalidade. Uma verdadeira preciosidade da música nacional, plena de densidade e de espiritualidade.”

Maria João & Mário Laginha, “Asa Branca”

“Nesta fantástica versão, este talentoso duo viaja aos confins da delicadeza. O disco “Lobos, Raposas e Coiotes” acompanhou-me bastante durante a adolescência e contém algumas das mais profundas aventuras musicais que já escutei. Arrojadas improvisações, tanto na voz como no piano.”

Fotografia da cortesia de Carluz Belo
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