É fácil tropeçar na ideia de que ouvir Da Chick equivale a viajar no tempo: talvez até aquela era em que Nova Iorque cruzava os diferentes impulsos das cenas Disco e Punk, New-Wave e Hip-Hop num híbrido que abalava as pistas de dança. Nada de errado com essa ideia: existe em Da Chick muito do espírito Boogie clássico, com uma imagem vincada, uma atitude de palco completamente “sassy” e um groove que parece beber das melhores fontes.
Mas se é verdade que ouvir Da Chick é viajar no tempo, também se deveria pensar no futuro como ponto de referência para o que esta artista propõe: um futuro em que o poder da criatividade no feminino não é posto em causa, em que esta Eletrónica dançante made in Portugal pode dar cartas ainda mais fortes no panorama global.

Depois da estreia em 2012, com o EP “Curly Mess” – carimbo Discotexas –, vieram os palcos em atuações de crescente impacto, sempre servidas por uma atitude confrontacional própria de quem não pede licença para brindar a plateia com Funk do mais urgente e real. O álbum de estreia, “Chick to Chick”, em 2015, com produções de Xinobi, Moullinex, Cut Slack e Isac Ace, foi um marco importante na carreira de Da Chick.

Seguiram-se colaborações com vários artistas, e mais lançamentos como “Call Me Foxy”, em 2017, e eis que, em 2020, chega “conversations with the beat”, um disco inteiramente escrito e produzido pela artista multifacetada. Para além de cantora, compositora e produtora, Da Chick carrega o seu nome e imagem: vídeos, styling, design de palco, merchandising, sempre muito cuidadosa com a sua apresentação ao público. E no palco, quer esteja acompanhada por um DJ ou por uma full band, Da Chick nunca deixa argumentos por mãos alheias provando constantemente que é uma Funk machine: foi isso que a levou a conquistar o prémio de Best Live Performance nos Portuguese Festival Awards de 2015, que levou Peaches a chamá-la para o seu concerto no Vodafone Mexefest do mesmo ano ou que justificou o slot de abertura de concertos de Earth Wind & Fire e Maceo Parker no EDP Cool Jazz.

Em 2021, apresenta “I Got Music“, a canção com música e letra da sua autoria, que leva a concurso no Festival da Canção 2021.

Sobre a sua seleção para esta Mescla, disse-nos: “Esta playlist tem um pouco de tudo, desde artistas/ bandas que me inspiraram a fazer música, amigos talentosos com quem já tive a oportunidade de colaborar e, quiçá, futuros amigos. O que nos une é nacionalidade portuguesa e o Groove.”

Esta é a lista de 10 músicas de autores portugueses que partilhou connosco:

Cool Hipnoise, “Dantes”
Double D Force, “Enforce the Funk”
Blackout, “Sente o que vês” OUVE AQUI
Mike el Nite, “T.U.G.A”
Best youth, “Mirrorball”
Yanagui, “Fly”
PZ, “Mais”
Filipe Karlsson, “Prejuízo”
Moullinex, “Things We Do”
Lulemon, “Blonde Weather”
O Festival da Canção, mais do que um concurso, é uma celebração da música portuguesa e dos seus autores, por isso, desafiámos os talentosos participantes da edição de 2021 a partilharem connosco as suas 10 músicas nacionais preferidas. Todas as segundas sintoniza no site Gerador e descobre as Mesclas Especiais Festival da Canção 2021, aqui.
Fotografia de Arlindo Camacho
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