Joana Sequeira Duarte tem desenvolvido o seu trabalho artístico no cruzamento interdisciplinar entre a Música e Performance. Estreou-se, em 2019, em nome próprio com o projecto Dela Marmy (Dream Pop / Indie Rock), editando os singles “Empty Place”, “Stellar”, “Mari Wolf” e “Secretly Here”, que viriam a resultar num primeiro EP Dela Marmy (KPRecords – edição exclusiva em vinil).

Em 2017 Joana teve o enorme prazer de participar no Festival da Canção, com a autoria da letra “My Paradise” para a composição de Toli César Machado (GNR) e interpretação de David Gomes. Entre 2011 e 2017 integrou a banda The Happy Mess (synths / voz), tendo participado na criação de dois álbuns e ao vivo em inúmeros concertos, em auditórios e festivais, em Portugal e no estrangeiro.

Formada em Dança pela Escola Superior de Dança do IPL e em Arquitectura pela Universidade do Minho, especializou-se, em Performance e Coreografia no Programa de Estudo, Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (Lisboa). Estudou pianonaEscola de Música Osnabrück (Vilarandelo / Valpaços) e concluiu o 5º Grau de Piano e Formação Musical (Conservatório de Música do Porto). Como coreógrafa e música, o seu trabalho performativo tem-se debruçado, sobretudo, nestas duas áreas artísticas, como são exemplo: o dueto em co-criação com Lucia di Pietro, Fantastic Moments of Understanding; a peça de grupo The Dross; e o solo That soundddddd buuuuufffffff. Como performer, foi intérprete de Madalena Brak-Lamy em Into the Tranquility e Passion Fruits e participou em Oil Aint’ All, JR do Teatro Praga,Sub-Reptício – Corpo Clandestino de Vera Mantero, Ana Borralho, João Galante e Manual de Instruções de Victor Hugo Pontes.

O seu mais recente EP, Captured Fantasy, é composto por cinco temas. Cada um deles é uma pequena viagem que nos pede tempo, por não serem óbvios. É um disco atento aos detalhes, às pequenas coisas, às pequenas histórias. Atento às margens, ao marginal. Que apetece fazer voar e fazer pensar. Intimista e universal, sim, um paradoxo.

Fica com a sua seleção de 10 músicas, aqui:

Capitão Fausto, “Semana em Semana”

Um álbum inventivo que adoro, Capitão Fausto Têm os Dias Contados, do qual faz parte este tema, o meu preferido do disco.

Bruno Pernadas, “Spaceway 70”

Bruno Pernadas, o artista português da atualidade que mais admiro pela complexidade das suas composições.

Sérgio Godinho, “Eh! Meu Irmão (ou mais uma canção de medo)”

Era criança e sentia uma fascinação enorme por esta canção, creio que devido à temática da letra; escrita de uma forma crua e pouco usual, estimulava o meu imaginário; este senhor é uma celebração.

Lince, “It Feels Like Looking At Sculptures”

A sensibilidade e sonoridade nostálgica da Lince, artista que muito admiro.

First Breath After Coma, “Heavy”

Lindíssimo este tema (e vídeo) dos First Breath After Coma com a Casota Collective; poderosos e cheios de talento.

Mirror People, “Come Over”

Ouvi e dancei várias vezes esta canção de Mirror People, melodia e voz lindíssimas e um balanço super sensual.

Sopa de Pedra, “Cantiga de la Segada”

Uma canção que representa as minhas origens transmontanas, numa versão delicada das Sopa de Pedra.

Francisca Cortesão, “Anda Estragar-me os Planos”

Um canção tão bem escrita – pela Francisca Cortesão – que nasceu no renovado Festival da Canção; escolhi esta versão do Salvador Sobral e Tim Bernardes.

Zeca Afonso, “Venham Mais Cinco

Os meus pais ensinaram-me a ouvir o Zeca, ensinaram-me os valores da solidariedade e liberdade, ensinaram-me a ler nas letras o que não estava nas letras, ensinaram-me a cantar em uníssono; e para nos lembrarmos, sempre, que nada é garantido.

Sétima Legião “Por Quem Não Esqueci”

Uma canção que me foi passada pelo meu irmão, que sempre me prendeu e que me transmite serenidade e esperança, tão necessárias neste momento.

Fotografia de Alípio Padilha
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