Luís Leitão nasceu em Gondomar em 1994. Foi aí que cresceu e que saltitou de curso em curso até acabar na Academia Contemporânea do Espectáculo. Acabou o curso de Interpretação em 2014 e desenvolveu trabalho na área durante um ano levando teatro de marionetas às escolas da cidade do Porto. Frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema.

Em paralelo manteve o projeto Baixo Soldado com o qual tocou na Festa do Avante 2015 e Queima das Fitas de 2015. Em 2017, criou o projeto FOQUE e lançou o primeiro EP.

Conta com presença no Caldas Late Night 2017, Indie Music Fest 2017 e Ginga Beat (Vodafone FM). Fez parte da curta-metragem “Fenomenologia da Alma” exibida no FECIBogotá – Festival Internacional de Cinema Independente de Bogotá, como músico/ sonoplasta. É também músico de cena/criador do espetáculo de teatro de rua Samsara, com o qual marcou presença no ano de 2017 no Fresh Street (St.Maria da Feira), Ovar em Festa, Festiteatro (Esposende) e Festival Internacional de Setúbal. Criou e interpretou música ao vivo para o espetáculo de dança vertical “Imortella” (S.João da Madeira). Foi também cocriador da Festa de Encerramento do Festival Bons Sons 2018 (Cem Soldos).

Fica com a sua seleção de 10 músicas de autores portugueses, aqui:

José Mário Branco, FMI

“Lembro-me precisamente da primeira vez que ouvi esta música. Vinha de mais um dia na labuta, autocarro, sentado no lugar imediatamente atrás do motorista. Ouvia “de um só jorro”, como é suposto. Contive as lágrimas, cheguei a casa, jantei e fui dormir sem dizer uma única palavra. Causou um impacto tão grande em mim, na altura aluno de teatro, que desde então já a ouvi na íntegra centenas de vezes. Já a utilizei, inclusive, num espetáculo. Mas mais importante, utilizo-a na vida.”

B Fachada, “Deus, Pátria e Família”

“É uma faixa que para mim é um dos trabalhos mais puros do B Fachada, na minha óptica de mero “consumidor”. Há uma narrativa, há cenários, há personagens tipo, há escárnio. É teatro e é Portugal.”

José Mário Branco, Canto dos Torna-Viagem

“É a junção de três grandes influências minhas: José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias e Sérgio Godinho, apesar deste último não ter tanto peso como os anteriores. Tem uns coros surreais e é simplesmente linda. Aconselho vivamente.”

DA WEASEL, Casa ( Vem Fazer de Conta )

“Escolho esta música assim como poderia escolher qualquer outra deste album. Uma tia ofereceu-me o CD no ano em que saiu. Desde então rodei-o no meu walkman até à exaustão. É intemporal. Junta também dois ídolos da adolescência, Pacman e Manuel Cruz.”

Slow J, Sonhei Para Dentro

“É uma música exemplar a nível de produção e de sentimento. Mais uma vez, escolho esta assim como poderia escolher qualquer uma deste album. É um trabalho exímio, das vísceras. Sente-se cada palavra, cada melodia, cada mágoa transformada em arte. Isto não é ar de duro, isto é arte!”

Valete, Melhor rima de sempre (Orelha Negra Mixtape)

“Um clássico. Agrada-me muito a narrativa extensa, o partir sem porto. Somos levados por uma dupla tão interligada como as cerejas, a lírica e a métrica. Obrigado Valete.”

Keso, “BruceGrove”

“É um tema que, para mim, se assemelha muito em essência do FMI do José Mário Branco. Parte de uma frustração, que na verdade me parece ser um dos melhores combustíveis criativos. Para além disso toca-me no nervo. Em momento de aperto a quem recorremos? ‘Se me vez a acenar a mão diz ao meu pai que o amo, diz à minha mãe que eu a amo.'”

Papillon, Imediatamente (Prod. Slow J)

“É um refresco no panorama nacional. Papillon leva-nos na sua narrativa agarrados do início ao fim. É “storytelling”, mordaz e incisivo. É bom de mais.”

Ornatos Violeta, Chaga

” ‘Chaga’ é apenas a ponta do iceberg Ornatos. Incontáveis as portas que se abriram para mim depois da escuta da discografia, incontornável a sua influência na minha formação enquanto músico e pessoa. Acrescento o “fun fact” de ter tocado no mesmo dia que os mesmos no Marés Vivas com The Lazy Faithful. Risco da lista, e se for agora, vou feliz.”

Bruno Pernadas, Ahhhh

“Permanece comigo até os dias de hoje por me lembrar perfeitamente da primeira reação que tive ao ouvi-la: “ai, isto também vale?”. É nacional, é do mundo.”

Fotografia de Marcelo Baptista

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