Os irmãos André e Bruno Santos são dois dos guitarristas mais ativos do panorama nacional, com vários discos editados em nome próprio e participação em projetos variados (Maria João, Carlos Bica, Rita Redshoes, Salvador Sobral, entre outros). Além da atividade enquanto performers, são professores na escola do Hot Clube de Portugal (HCP), sendo o mano mais velho, Bruno, diretor da escola há uma década, com outros 10 anos a lecionar na licenciatura e mestrado da Escola Superior de Música de Lisboa. Juntos, formam o duo ‘Mano a Mano’.

Este ano lançaram o seu terceiro disco – Mano a Mano, vol. 3 – onde às guitarras e pedais juntaram os cordofones – braguinha e rajão –, característicos da ilha onde nasceram, Madeira. No dia 25 de janeiro sobem ao palco do Centro Cultural de Belém, mas antes podes vê-los no Funchal (31 de outubro), na Caparica (9 de novembro), em Alcains (10 de novembro), em Grândola (16 de novembro), em Mafra (23 de novembro), em Maiorca (30 de novembro), ou no Uruguai (4 de dezembro). Para já, fica com a seleção dos Manos.

Estas são as escolhas do André Santos:

É sempre ingrato ter um número finito de escolhas musicais. Hoje foram estas, amanhã seriam outras.

Fausto, Lusitana

Comecei com Fausto, a primeira música do disco ‘Para além das Cordilheiras’, provavelmente o disco que mais ouvi nos últimos tempos, do qual faz parte uma das mais belas canções de sempre – ‘Foi por ela’. Há muitas manhãs que começam com este vinil a rodar e este ‘Lusitana’ levanta logo o astral.

Lula Pena, Poema / Poème

Lula Pena tem um universo muito particular. Escolhi esta canção mas poderia escolher qualquer outra. São todas magistralmente tocadas e cantadas. É também o primeiro tema do belo disco Archivo Pittoresco.

João Mortágua, Bud Pets OUVE AQUI

João Mortágua é um músico genial! E neste disco ‘Axes’ deixou toda a gente boquiaberta com as suas composições, numa formação inusitada: 4 saxofones e 2 baterias. Não há link de YouTube mas merece uma pesquisa.

Clã e Sérgio Godinho, Espectáculo

“Clã e Sérgio Godinho invadiram e marcaram a minha adolescência com as suas canções. Neste disco (‘Afinidades’) partilham o palco. São tantas canções incríveis… escolhi esta, que é um pouco menos conhecida. Todo o disco merece escuta atenta.”

Sopa de Pedra, Adeus Ó Serra da Lapa

“Vi há uns meses as ‘Sopa de Pedra’ pela primeira vez ao vivo. Deliciei-me! Lindos arranjos, de belas canções, super bem interpretados e com uma ótima energia.”

Estas são as escolhas do Bruno Santos:

“A minha lista de 5 temas (propositadamente fora do meio do jazz para não deixar muitos amigos talentosos de fora:))”

Rita Redshoes, Mulher

“Além de gostar muito da parte pura e dura da música (melodia, harmonia), acho que é uma abordagem forte, muito certeira, irónica dum tema muito sensível e difícil de resolver. Ser pai duma filha fez-me sentir ainda mais pessimista e alarmado. Tema forte, escrito e interpretado por uma linda e talentosa Mulher.”

Sérgio Godinho, Já Joguei ao Boxe, Já Toquei Bateria (versão ao vivo)

“Durante 2 anos andei perdido no Algarve, a estudar gestão de empresas na Universidade local, enquanto experimentava o Conservatório de Faro e tinha as 1ªs aulas de jazz com o Zé Eduardo, contrabaixista e fundador da Escola HCP. Nem tudo foi mau! A minha tia e madrinha, Salete, que me acolheu nesses 2 anos tinha lá o disco “Noites Passadas” do Sérgio Godinho e eu passava a vida a ouvi-lo. Longe de imaginar que uns anos depois teria o Jorge Reis, saxofonista dessa formação, como um dos meus parceiros no meu 1º disco como líder.”

Rui Veloso, Sei De Uma Camponesa

“Também ouvi muito este disco por razões óbvias. Há uns tempos ouvi-o novamente e lembrei-me que adorava esta canção. Simples, mas muito bonita e sentida. E como eu gosto muito de uma quase camponesa, pronto!”

GNR, Valsa dos Detectives

“Outro disco que ouvi muito na minha adolescência, numa fase em que me estava a convencer que seria músico profissional. É uma valsa, para quebrar aqui os compassos binários e quaternários. Era, e sou, grande fã dos GNR e do Rui Reininho, personagem incrível e com uma presença e voz muito próprias. Gosto do disco todo, escolho esta para mudar o balanço.”

Lena d´Água, Dou-te um Doce

“Apaixonava-me pela Lena sempre que via este teledisco. Adorava a canção e tudo o que estava no vídeo, principalmente a Lena. Claro! Em 2000 integrei um projeto com a Lena, de homenagem à Billie Holiday, e ao longo dos anos fomos tocando, com essa e outras formações. Ficámos bons amigos. É uma força da natureza. Talento, intuição, fora do normal. Sou grande fã da Lena e fico mesmo contente que tenha voltado aos palcos. Canta e sabe muito. E já tive oportunidade de tocar esta canção várias vezes com a Lena. É emocionante vê-la e ouvi-la.”

Fotografia de David Cachopo

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