Miguel Torga nasceu no Alentejo, em Portugal. Até aos doze anos de idade subiu às árvores e perseguiu cobras e grilos. Aos treze, descobriu a música electrónica através da Electronic Body Music — um género cunhado pelos alemães Kraftwerk na década de 70.

Em 1995, motivado pela então emergente cena de música de dança nacional, começa por experimentar manipulação áudio com um tracker, o que, à medida que a curiosidade aumenta, o leva a explorar as várias técnicas de síntese de áudio e patch design. Em 2010, edita o seu primeiro ep na luso-alemã Con+ainer Music. Seguem-se edições na Freima Labs, Aroma Music, 1980 e Elements Recs. Nesta última, editou ‘Hexágono Amoroso’, um álbum que o Jornal Público descreve como “música house refinada pontuada por ambientes etéreos ou efeitos do dub (…) Qualquer coisa entre a música do Herbert mais sensual e a rusticidade de Vale Abraão de Manoel de Oliveira”. Para além disso, o álbum teve e tem uma presença assídua em rádios nacionais e internacionais.

Pontuada por paisagens hipnóticas e ritmos intensamente físicos, a sua música tem como matriz principal produzir ritmos electrónicos em português: house e techno com identidade nacional.

Para além de assinar como Miguel Torga, desmultiplica-se em mais cinco ou seis projetos musicais. Daí, podem-se destacar Early Jacker, um projeto que bebe essencialmente na cena house americana, e que conta com edições no mítico selo Tribal America, e Turista, um projeto que viaja por vários locais do planeta e debita música étnica de outras dimensões.

No dia 9 de novembro o Miguel Torga vai atuar no âmbito do projeto Estação Minhoca. Com o apoio do Fundo de Emergência Social – Cultura da Câmara Municipal de Lisboa e numa altura em que todo o sector musical viu os espetáculos cancelados devido à pandemia do Covid-19, nasceu o projeto Estação Minhoca – nome dado às rádios locais em Portugal no início do Século XX. A proposta é oferecer uma oportunidade a músicos independentes de, em tão difíceis tempos, poder apresentar os seus trabalhos ao vivo. A iniciativa vai realizar dez micro-concertos privados no centro de Lisboa, entre setembro e novembro, semanalmente, sempre às segundas-feiras, 19h. Sem nunca revelar o local da actuação – de modo a evitar uma desproporcional aglomeração de pessoas, de acordo com as regras da DGS – cada concerto terá um núcleo extremamente reduzido de espectadores presenciais a juntar à transmissão online pelo Rimas e Batidas

Fica com a sua seleção de 11 músicas, aqui:

Sérgio Godinho, “Eu Contigo” OUVE AQUI
Linda Martini, “Cem Metros Sereia” OUVE AQUI
Filipe Sambado, “Aprender e Ensinar” OUVE AQUI
Sétima Legião, “Glória” OUVE AQUI
Bruno Pernadas, “Ahhhhh” OUVE AQUI
Mão Morta, “Quero Morder-te a Mãos” OUVE AQUI
Vaiapraia e as Rainhas do Baile, “Rapaz #1” OUVE AQUI
White Haus, “How I Feel” OUVE AQUI
O Cão da Morte, “Canto Diferente” OUVE AQUI
PZ, “Mais” OUVE AQUI
Allen Halloween, “A Casa do Mickey Mouse” OUVE AQUI
Fotografia da cortesia de Miguel Torga
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