Rui Taipa nasceu em Freamunde (Porto) em 1993, começando a descobrir a música através duma harmónica oferecida pela mãe, desde cedo. Chegada a hora de partir à descoberta de outras sonoridades, descobre a guitarra e a escrita.

Em 2014, lança o EP a solo “Meia Dúzia de Histórias” e, com este na bagagem, Rui Taipa pisa, sozinho, alguns pequenos palcos do nosso país. Mas (como em todos os percursos) chega a altura em que quer mais e junta amigos músicos em volta de si para criar o primeiro longa duração. Ainda não tinha tido bem a sensação do que era fazer parte de uma banda rock.

Inicia-se a produção do disco que Rui Taipa queria fazer há muito tempo. Assim nasce o “Berro“. Um disco sem medo de ser incoerente, sem preocupação estrutural em que, provavelmente a canção mais tocante, nem sequer tem refrão. Um disco cru e ao mesmo tempo doce. Um disco que tinha de ser feito mesmo que, para muitos, seja considerado um erro na carreira de alguém que parecia apenas saber soar bem com uma sonoridade mais calma. De momento Rui Taipa encontra-se ainda em apresentação do disco, enquanto prepara novo material para ser lançado em 2019.

Estas são as 10 escolhas da música portuguesa que o Rui partilhou connosco:

Jorge Palma, O meu amor existe

Um dos exemplos em que menos, é mais. Um poema saboroso, uma só melodia para as partes do verso, uma outra simples melodia para o instrumental e está. Não mexe. Genial!

Sérgio Godinho, Cuidado com as imitações

Se são detectadas metáforas nas minhas canções, aprendi a fazê-lo com este Senhor. Esta canção mantém-se tão actual.

JP Simões com Luanda Cozetti , Se por acaso (me vires por aí)

Senhor Timbre. Senhor “estou-me nas tintas”. Senhor Genuinidade. A música é de Pedro Renato, mas a letra e co-interpretação é do JP Simões.

Miguel Araújo, José OUVE AQUI

Conheci este tema lindíssimo no disco que engloba os concertos (“residência artística” de 28 datas hehehe) nos Coliseus, dados por Miguel Araújo e António Zambujo, em dueto a cantarem canções um do outro, assim como malhas que lhes lembrem as suas origens, por exemplo.
Fala da viagem de uma criança com ano e pico, que pela primeira vez se aventura pelo jardim fora. É genial a forma como é descrito, qual odisseia por uma selva adentro.
No final acaba a aventura e somos obrigados a acordar daquele “sonho”, daquele imaginário mundo do José (personagem da história):
” Até que um rugido muito enfurecido fez tremer todo o jardim
Será que é ciclone, algum dragão com fome ou bicho muito mais ruim?
Era a voz da minha mãe a perguntar por mim.”

Samuel Úria (com Manel Cruz), Lenço Enxuto

Samuel Úria e Manel Cruz. À partida não haveria espaço para dois titãs da música portuguesa na mesma canção
Interpretações absolutamente geniais onde volta a reinar a simplicidade como ingrediente chave.
A explosão final surpreende quem conta apenas com uma canção “à viola”.

Ornatos Violeta, Débil Mental

Uma espécie de carta a quem tem sempre de opinar sobre a forma como o outro fala, veste, age, com um tom de rebeldia que eu adoro.
” (…)Se não te agrada a forma de eu falar,
Acorda e vê que eu cago pró teu não gostar.
Se as minhas calças,
Parecem de um pijama,
Da próxima vez eu saio como entrei na cama.”

Linda Martini, Cor de Osso

Embora conheça bem a discografia destes senhores e seja absoluto fã, de todas as canções fortíssimas que têm escolhi esta por falar de algo com que me identifico diretamente, em vez de apenas entender o que o autor quer dizer. Já agora, acho este que este disco é provavelmente o disco mais “Linda Martini” dos Linda Martini.

The Black Zebra, Eco

Não consigo falar de música em Portugal sem referir estes dois meus irmãos, entre si irmãos verdadeiros. Hugo e Nuno Machado, (actualmente com Davide Lobão no baixo), formam os The Black Zebra. Das melhores coisas que o nosso país já teve o prazer de albergar.
Têm malhas que talvez apreciem mais, mas coloco esta para conhecerem esta história pelo início.

First breath after coma, Tierra del Fuego: Nisshin Maru

Dos momentos ao vivo mais arrepiantes da minha vida.

NU, Alastra

É um prazer ter amigos com um talento tão grande.
Ouçam! De nada!

Fotografia de Alberto Almeida

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