Os Birds Are Indie surgiram lá atrás, em 2010, quando Joana Corker e Ricardo Jerónimo – um par já muito enamorado na altura e que tão bem enamorado continua(rá) – decidiram que era tempo de juntar três acordes e fazer uma música. Mas como só dois era pouco e afinal foram três acordes que os fizeram nascer, aos dois Birds juntou-se um amigo de longa data, Henrique Toscano. Estava montado o trio de afinados “pássaros” para definir um plano: serem uma banda. Em abril lançaram o seu quarto álbum, Local Affairs. Repleto de canções pop e com melodias descontraídas, é nos seus arranjos elaborados que se sente a pulsão do baixo e o impulso da bateria, que convidam a abanar a anca e a bater o pé.

O Gerador foi saber quais são sons nacionais que inspiram o canto destes pássaros. Ora ouve lá :-)

1. The Twist Connection – Dancin’ in the dark #2 (Twist Connection, 2018)

Começamos por esta, que escolhemos em conjunto pois, além de gostarmos muito dos The Twist Connection, concentra em si uma série de outros músicos de Coimbra cujas bandas aproveitamos para incluir nesta lista. O disco foi gravado e produzido pelo João Rui (a Jigsaw) nos estúdios Blue House do Jorri (a Jigsaw, The Parkinsons) e tem a participação na voz da Raquel Ralha (Belle Chase Hotel, Mancines, Raquel Ralha & Pedro Renato). No videoclip, gravado no já mítico Pinga Amor, aparecem os Wipeout Beat e ainda o Victor Torpedo.

JOANA

2. GNR – Bellevue (Psicopátria, 1986)

Melhor. Canção. De. Sempre. Ponto Final.

3. Ornatos Violeta – 1 Beijo=1000 (Cão, 1997)

A minha infância/adolescência foi muito marcada pela música anglo-saxónica, mas os Ornatos foram a primeira banda a cantar em português que me chamou a atenção.

4. Mind the Gap – Todos gordos (A verdade, 2000)

Hip hop não é a minha cena, mas gosto muito desta música.

 

JERÓNIMO

5. António Variações – Estou além (Anjo da Guarda, 1983)

Para mim, o maior génio pop que Portugal já viu nascer. Pena, para ele, ter nascido perto de Braga e não em Nova Iorque… Mas provavelmente, se tal tem acontecido, ele não teria feito uma síntese artístico-musical tão perfeita. Simplicidade, sem simplismos. Originalidade, sem vedetismos. Genuinidade, sem limitações.

6. Mão Morta – Quero morder-te as mãos (O.D. Rainha do Rock & Crawl, 1991)

A primeira vez que ouvi os Mão Morta foi num videoclip, na TV, já não sei em que programa. Seria 1991 ou 1992. Com os meus 11 ou 12 anos, lembro-me de ficar boquiaberto com o nível de distorção e de gritos, e de estes virem de uma banda portuguesa. Os meus pais entraram na cozinha e também ficaram boquiabertos com o facto de eu estar boquiaberto…

7. Minta & The Brook Trout – Family (Olympia, 2012)

Ex aequo com a Joana Corker e com a Ana Deus, a Francisca é das minhas vozes femininas preferidas, em Portugal. O Olympia é um álbum incrível e esta letra é deliciosamente triste e acutilante.

 

HENRIQUE

8. Corações de Atum, Dr. Lello Minsk & Maestro Shegundo Galarza – Whiskey Fácil (Corações de Atum, 1999)

Um disco que comprei, há coisa de 20 anos, numa antiga loja da Valentim de Carvalho em Lisboa. Uma pérola que, ainda hoje, brilha num mar de berlindes descartáveis.

9. Estilhaços – A Mulher do anterior Inquilino (Estilhaços Cinemáticos, 2014)

Se um dia alguém fizesse um filme sobre a minha vida gostava que fosse narrada pelo Adolfo Luxúria Canibal.

10. Stowaways – Charity Fucker (Huntclub, 2006)

Uma família que, infelizmente, partiu cedo demais. No entanto, os filhos que deu à luz continuam na minha memória.

Fotografia por Bruno Pires