Iniciado no dia 8 de setembro e prolongando-se até dia 3 de outubro, passando por por cidades como o Porto, Viseu e Lisboa, o Encontro Internacional de Arte e Comunidade, mais conhecido por MEXE, chega agora à sua terceira cidade com mostras de cinema e muitas outras atividades que compõem a programação.

Desde a dança, música, teatro, instalação, performance e oficinas, palestras, conversas e encontros de discussão, o desafio tem-se vindo a marcar pela reflexão perante as as diferentes perspetivas d’O Risco. A abordagem do Humano e a natureza, o orgânico e o digital, a desigualdade e a exclusão são algumas das temáticas a que o festival se dedica.

Durante o dia 3 de outubro o festival apresentará diferentes filmes durante todo o dia, passando por realizadorxs como Tomás Quitério, o coletivo Women Connected, Juliana Vicente e ainda o mais recente projeto da Associação MEXE.

O ponto de partida é o Pequeno Auditório Culturgest. Pelas 11horas apresenta-se Uma Árvore no Largo – o retrato da comunidade no Bons Sons,de Tomás Quitério.
Trata-se de um retrato da comunidade de Cem Soldos, guiado pelos passos de cinco personagens que a constroem, braço a braço, com quem a habita. Filmado durante o Bons Sons, na nona edição do festival em 2018, Uma Árvore no Largo – o retrato da comunidade no Bons Sons "é uma viagem de descoberta das janelas e palcos desta aldeia em movimento", lê-se em sinopse.

Segue-se pelas 11h45 1000 Silent Heroins (Mil Heroínas Silenciosas),de Women Connected. Através do olhar de cinco mulheres, dá-se a conhecer o grupo de teatro Women Connected. Enquanto o coletivo trabalhava para uma estreia esgotada num dos maiores teatros de Roterdão, o filme dá-nos a conhecer Aïda, Jacqueline, Sara, Charahzad e Shamin. Estas mulheres levam-nos numa montanha-russa de emoções enquanto partilham excertos das suas histórias de vida. Apesar das suas diferentes culturas, partilham experiências semelhantes – como a fuga à guerra. Lentamente, apercebem-se que encontraram um novo lar partilhando o palco e fazendo parte do coletivo Women Connected.

Já na parte da parte, Cidade Correria é o destino que se segue, pelas 16horas, de Juliana Vicente. Fala-se de um Brasil pulsante e radicalmente coletivo. Por dentro do processo do espetáculo, o encontro com o transbordamento das urgências quotidianas, contradições, alegrias, delírios, feridas e potências através da voz e nascimento do Coletivo Bonobando, grupo inspirador que se expande do palco para o mar, do mar para a cidade, da cidade para a tela.

Assinalando-se como a última mostra do festival, CAIR apresenta-se pelas 17h20, da autoria da Associação MEXE. "CAIR aproxima-se da precariedade de pessoas reais procurando deixar as suas histórias falarem e não caindo na tentação de falar sobre elas", lê-se na sinopse.

Da parceria da Rede Europeia Anti Pobreza e da MEXE Associação, surge um processo suportado nos Conselhos Locais de Cidadãos, dos núcleos distritais da região Norte da EAPN Portugal (Aveiro, Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real). O processo de construção baseou-se nas Crónicas – textos vividos em tempos de crise pandémica (2020) e no desenvolvimento de fóruns de discussão que permitiu o desenho do roteiro desta curta-metragem. CAIR conta-nos como nos podemos segurar a nós, mesmo que em queda-livre.

Esta última mostra contará ainda com uma conversa com a equipa MEXE e a EAPN Portugal.

Texto por Patrícia Silva
Fotografias da cortesia do Festival

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