Alberto Pimenta vai fazer uma performance inédita no Monumental, em Lisboa, no dia 6 de abril às 17h30, tendo como ponto de partida o filme “O Homem-Pykante — Diálogos com Pimenta”, no qual Edgar Pêra inclui imagens e conversas com o poeta desde 1994 até aos dias de hoje.

Além da performance e da exibição do filme vai haver uma conversa entre o poeta Alberto Pimenta, o realizador Edgar Pêra e o poeta Manuel Rodrigues, e a apresentação da antologia “Anastática”, dedicada a Pimenta, da autoria de Manuel Rodrigues. A Medeia Filmes promete ainda “bónus surpresa” a quem marcar presença na sessão.

“O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta”, sobre o escritor, ensaísta, ‘performer’ e professor universitário Alberto Pimenta, que foi apresentado pela primeira vez em maio passado, no festival IndieLisboa, é um filme “poético sobre um poeta”. A estreia comercial foi no dia 21 de março, em Coimbra e no Porto.

Em declarações à Lusa, aquando da exibição no IndieLisboa, Edgar Pêra disse que Alberto Pimenta “é toda uma obra e uma pessoa que vale a pena redescobrir ou descobrir, para quem não conhece” e que este é “um filme poético sobre um poeta”.

Edgar Pêra começou a acompanhar Alberto Pimenta em 1977, quando o poeta fez “Homo Sapiens”, a performance em que estava dentro de uma jaula do Jardim Zoológico de Lisboa, e quando lançou a primeira edição de “Discurso sobre o Filho-da-Puta”. Conheceram-se em 1994, “por acaso”, nas “Conferências do Inferno” e não perderam o contacto.

Fizeram o primeiro trabalho juntos em 2002, “um vídeo para uma instalação, chamado ‘Fiquem com a Cultura que eu fico com o Brasil’ “, ao qual se seguiram mais parcerias como os “pequenos filmes de adaptações de poemas” de Alberto Pimenta, feitos por Edgar Pêra.

“Como tenho essa prática de registar muito do meu próprio quotidiano, filmei muitas coisas com o Alberto e comecei [em 2008] a fazer conversas com ele filmadas. Andava a prometer a mim mesmo fazer alguma coisa e quando o Alberto fez 80 anos [em dezembro de 2017] resolvi dar-lhe esta prenda de aniversário”, partilhou.

O realizador lamenta a “pouca tendência a celebrar os vivos”. “Muitas vezes, com muitos dos nossos escritores é preciso que eles deixem de existir para existirem na realidade. Isso não me interessava nada, eu tinha que fazer alguma coisa com estes arquivos e acho que foi a altura certa, tanto para mim como para o Alberto”, disse.

“O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta” teve o apoio da RTP, o que garante a sua exibição na estação pública no futuro.

Trailer do filme de Edgar Pêra sobre o poeta Alberto Pimenta 

Alberto Pimenta nasceu no Porto em dezembro de 1937. Mudou-se para Heidelberg, na Alemanha, em 1960, onde assumiu funções de leitor na universidade, de onde foi demitido três anos depois “por ter assumido posições antagónicas ao regime português”, como é possível ler na entrevista que deu em maio do ano passado a Joana Emídio Marques, para o Observador. Foi contratado pela própria universidade alemã, onde lecionou durante 16 anos, e foi convidado a dar aulas na Universidade do Porto após o 25 de abril. O convite foi retirado após apresentar a performance no Jardim Zoológico de Lisboa.

Durante alguns anos Alberto Pimenta esteve desempregado e a viver de traduções, até ser convidado para integrar o corpo docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Atualmente vive em Lisboa e o seu legado ganha projeção na tela com “O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta”, de Edgar Pêra.

Texto de Carolina Franco e Lusa
Still de “O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta”, de Edgar Pêra

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