O Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna, em Lisboa, exibe, desde o dia 30 de maio, 130 novas obras na exposição permanente, incluindo peças inéditas, com as artistas mulheres em grande destaque no novo percurso, anunciou a diretora, Penelope Curtis.

Durante uma visita guiada para os jornalistas, a diretora revelou a nova proposta de percurso expositivo, com algumas obras exibidas pela primeira vez e aquisições recentes, nomeadamente a peça “Círculo de Luz”, de Pedro Cabrita Reis, criada em 2018.

Penelope Curtis explicou que foi intencional “dar uma representação mais forte às mulheres artistas” presentes no acervo da coleção moderna da fundação.

“O novo percurso é assumidamente feminista, mas não é ainda igualitário, porque continuamos a contar com mais homens artistas do que mulheres”, observou.

Na nova configuração, o visitante poderá descobrir, entre as 130 novas obras introduzidas, cerca de uma dezena de aquisições recentes.

“Queremos que o público saiba que o Museu Gulbenkian não é sempre o mesmo, e vai mudando a sua exposição. Há muitas obras em reserva, a coleção tem peças interessantes, e tem muito para contar da História da Arte portuguesa do século XX”, disse a historiadora e curadora.

Na mudança, entraram mais de duas dezenas de trabalhos de Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, aquisições recentes de obras em papel de Jorge Barradas ou Ângela Ferreira, assim como uma instalação em vídeo de Grada Kilomba.

É essa instalação, intitulada “Illusions Vol.I Narcissus and Echo” (2017), com que o público se irá deparar assim que entrar no espaço do museu dedicado à Coleção Moderna.

Na nave do edifício encontra-se também a obra dedicada ao vento “mistral” de Leonor Antunes, artista que representa atualmente Portugal na Bienal de Arte de Veneza.

Um conjunto de desenhos de Maria Antónia Siza é mostrado ao público, pela primeira vez em Lisboa, resultado de uma doação à Fundação Gulbenkian do arquiteto Álvaro Siza Vieira.

Nesta remodelação, é visível um percurso temático que incide sobre artistas mulheres representadas na Coleção Moderna, com organização cronológica, de 1916 a 2018, com obras de 47 artistas, dando a ver pinturas, desenhos, têxteis, fotografias, vídeos, esculturas e instalações.

“Fazer um percurso feminista é uma maneira de atrair o público”, comentou Penelope Curtis, referindo que também há muitas obras que representam mulheres.

São apresentados trabalhos, em grande parte desconhecidos do público, de Mily Possoz ou Ofélia Marques dos anos de 1920 e 1930, passando por peças emblemáticas de Paula Rego, Helena Almeida ou Ana Vieira, mas também trabalhos de jovens artistas recentemente adquiridos, nomeadamente de Ana Cardoso, Luísa Jacinto ou Sara Bichão.

Entre as peças é possível ver ainda, da série “Diamantes” de Ângela Ferreira, a peça que representa o Cullinan Diamond, o de maior dimensão descoberto até hoje.

Ao longo do percurso há outras alterações, em várias áreas, atravessando várias épocas, desde os anos 1920, até à atualidade, nomeadamente com obras que vão desde Almada Negreiros, Malangatana, Eduardo Viana, Jorge Vieira, e Isabel Laginhas.

Entre 08 e 28 de junho, a Gulbenkian vai ainda organizar, na Sala Polivalente da Coleção Moderna, o ciclo “Cinema Elemental: Da Imagem Alquímica ao Ecofeminismo”, que reunirá obras que revelam preocupações ecológicas com enfoque em cineastas mulheres.

A Coleção Moderna tem a mesma idade que a Fundação Calouste Gulbenkian. Criada em 1956 sob a visão de Calouste Gulbenkian, encontra-se no edifício projetado pelo arquiteto Sir Leslie Martin e é considerada a mais completa coleção de arte moderna portuguesa. Além de um importante núcleo de arte britânica do século XX, este acervo conta ainda com obras de Amadeo de Souza-Cardoso, Paula Rego, Vieira da Silva e outros artistas portugueses. Atualmente continua a aumentar a sua coleção de obras de arte contemporânea através de doações e aquisições. 

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Texto de Lusa e Carolina Franco
Fotografia disponível via Wikipédia 

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