No dia em que se assinala internacionalmente os Direitos Humanos, foi lançada uma pós-graduação sobre Mutilação Genital Feminina (MGF), que será ministrada na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Universidade Nova de Lisboa.

Encarando a MGF como "uma grave violação dos direitos humanos das meninas e mulheres", o curso "assenta num modelo mais ajustado às necessidades de qualificação de profissionais sobre estas matérias, tendo também em vista a produção de conhecimento", refere o comunicado de imprensa, enviado às redações.

“O conhecimento aprofundado sobre os problemas e a intervenção eficaz andam sempre de braço dado, por isso, é fundamental garantirmos a formação de diferentes profissionais, que podem fazer a diferença na prevenção e deteção de casos de MGF", indica Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade. "Esta edição do curso de pós-graduação, na ENSP, irá permitir qualificar mais profissionais de saúde que trabalham em territórios afetados por esta prática e reforçar o potencial de investigação e de produção de conhecimento sobre esta matéria”, completa.

Já António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, sublinha que "o papel dos profissionais de saúde é imprescindível para acabar com a dor e sofrimento de quem sofre de MGF", acrescentando que esses técnicos "são essenciais para a prestação de cuidados de saúde a vítimas de atos violentos, centrados numa perspetiva reparadora das lesões causadas, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista emocional."

Este curso de pós-graduação permitirá reforçar o projeto "Práticas Saudáveis: Fim à Mutilação Genital", um programa enquadrador da intervenção feita, em Portugal, nesta área. O projeto "foi pioneiro, ao ancorar a prevenção da MGF nas estruturas de saúde mais próximas da população afetada por esta prática e ao garantir a responsabilização e sustentabilidade deste trabalho ao nível local", pode ler-se.

Lançado em 2018, é coordenado em parceria pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), contando hoje com uma equipa de profissionais nos Agrupamentos de Centros de Saúde que o integram (Almada-Seixal, Amadora, Arco Ribeirinho, Loures-Odivelas, Sintra, Cascais, Estuário do Tejo, Lisboa Central, Lisboa Ocidental e Oeiras, e Lisboa Norte), que partilham recursos e atuam em rede na prevenção da MGF.

Fotografia de Rodolfo Sanches Carvalho, via Unsplash

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