E assim ir até ao fim da rua
Só armado com tudo e mais alguma coisa
E os olhos envidraçados

E assim montar os animais
Entre as veredas ascendestes
E as encostas desnudas

E assim pegar nos ossos do ofício
Nas montras das lojas
E outros lugares comuns

E assim almoçar, jantar, dormir
Fazer amor e outras banalidades
E pronto

E assim sorrir nos ecrãs dispersos na sala
Nas ondas eletromagnéticas, hertzianas
E na crista dos galos

E assim cuidar das crianças, dos cães, das maçãs,
No sítio do costume e mesmo fora dele
E que mais

E assim soçobrar na piscina no mar e numa conversa de café
Comendo pipis bebendo imperiais
E dizendo mal dos reis

E assim chegar
Sem outros adjetivos adereços adesões
E tocando com os dedos o ar, simplesmente

-Sobre Jorge Barreto Xavier-

Nasceu em Goa, Índia. Formação em Direito, Gestão das Artes, Ciência Política e Política Públicas. É professor convidado do ISCTE-IUL e diretor municipal de desenvolvimento social, educação e cultura da Câmara Municipal de Oeiras. Foi secretário de Estado da Cultura, diretor-geral das Artes, vereador da Cultura, coordenador da comissão interministerial Educação-Cultura, diretor da bienal de jovens criadores da Europa e do Mediterrâneo. Foi fundador do Clube Português de Artes e Ideias, do Lugar Comum – centro de experimentação artística, da bienal de jovens criadores dos países lusófonos, da MARE, rede de centros culturais do Mediterrâneo. Foi perito da agência europeia de Educação, Audiovisual e Cultura, consultor da Reitoria da Universidade de Lisboa, do Centro Cultural de Belém, da Fundação Calouste Gulbenkian, do ACIDI, da Casa Pia de Lisboa, do Intelligence on Culture, de Copenhaga, Capital Europeia da Cultura. Foi diretor e membro de diversas redes europeias e nacionais na área da Educação e da Cultura. Tem diversos livros e capítulos de livros publicados.

Texto e fotografia de Jorge Barreto Xavier
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