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No Erasmus Campus, fala-se de Abril com os olhos no futuro da democracia portuguesa

Trinta jovens de vários pontos do país e do mundo juntaram-se em Marvão para mergulhar na memória, aprofundar conhecimentos sobre o fim da mais longa ditadura europeia do século XX e projetar o futuro da democracia portuguesa. Inserida nas Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, a iniciativa, organizada pela Agência Portuguesa Erasmus+ com o apoio da Câmara Municipal de Marvão, foi um momento de reflexão e discussão enquadrado no cenário bucólico e simbólico do interior do Alentejo. O Gerador esteve presente no evento, que ocorreu de 14 a 17 de setembro, e conversou com participantes e oradores convidados.

©Carlos Silva

O tempo condensa-se à medida que a paisagem se vai transformando, surgindo montes pontilhados de sobreiros e vestidos de cores quentes. Cruzamos aldeias, algumas crianças de bicicleta e mulheres que conversam ao abrigo da sombra. O epicentro dos quatro dias de debate, formação e capacitação que compuseram a primeira edição do Erasmus Campus foi a histórica estação ferroviária Marvão-Beirã, criada no séc. XIX, com alguns dos seus edifícios da autoria do arquiteto Raul Lino, cujo estilo foi muito utilizado pelo regime de Salazar em locais públicos. A importante estação fronteiriça de Beirã trouxe a esta freguesia do município de Marvão um grande afluxo de novos habitantes. Nos carris do Ramal de Cáceres que por ali passa circulavam o Lisboa Expresso, que, até 1989, ligava a capital de Portugal a Madrid e o Lusitânia Comboio Hotel, que também fazia a viagem a Espanha, circulando de noite.

A fachada foi decorada com uma panóplia de azulejos do pintor, ceramista e intelectual português Jorge Colaço, incluindo um conjunto de painéis em que figuram locais simbólicos do país. A arquitetura do local demonstra a importância dada outrora ao comboio, que já antes da implantação da República se havia tornado o mais importante transporte de passageiros e mercadorias. Na região raiana, a ligação ferroviária contribuía para a coesão social do território e promovia a cooperação transfronteiriça, desempenhando um papel crucial na integração económica e cultural entre Portugal e Espanha. Encontrámos parte desta informação na guest house que alberga os jovens participantes no Erasmus Campus, um negócio familiar criado por um casal lisboeta que se mudou há pouco tempo para o distrito de Portalegre e que veio trazer uma nova vida e função à estação.

As sessões com os ilustres oradores convidados aconteceram numa sala decorada com um lambril de azulejos de motivos brancos e verdes, cores que bem representam a natureza envolvente e as casas tradicionalmente caiadas. Ao longo dos dias, discutiu-se o papel da educação para promover uma maior participação cívica e política, para dinamizar o território do ponto de vista cultural e, passando uma expressão já amplamente utilizada, para “pensar globalmente e agir localmente” - e é precisamente este o objetivo anunciado da agência Erasmus+. Questão também destacada pelo ministro da Educação, João Costa, um dos conferencistas convidados, em resposta aos jornalistas: “se nos movermos num mundo mais global penso que isso também traz mais tolerância, respeito pelo outro, um conhecimento de outras formas de estar no mundo, que são essenciais até para combater alguns dos problemas que temos hoje, de radicalismo e populismo, porque nos apercebemos do que é a complexidade”.

A liberdade de movimento e a democratização do acesso ao ensino foram das mais importantes conquistas de Abril, pontos que foram reforçados ao longo do evento por várias das pessoas presentes. A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato aproveitou a sua intervenção no sábado (16/9) para salientar o aumento expressivo do número de candidatos ao ensino superior nos últimos 50 anos. Professora catedrática no departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa,  defendeu que, atualmente, qualquer aluno, independentemente da sua posição socioeconómica, pode ingressar num curso à sua escolha. No entanto, problemas prementes, como a falta de habitação a preços acessíveis e o aumento do custo de vida, colocam entraves a este acesso dado como adquirido. Segundo um estudo da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no ano letivo de 2020/2021, a percentagem de alunos que abandonaram as licenciaturas foi de 10,8%, quando no ano anterior tinha sido de 9,1%, números corroborados pela ministra.

©Carlos Silva

As sessões do acampamento de verão são uma oportunidade para debater os avanços e conquistas da jovem democracia portuguesa, mas também desafios e problemas. A escolha de realizar a atividade no município de Marvão não é inusitada, como explicou a vereadora Paula Trindade: “O nosso concelho está envelhecido, temos dificuldade em fixar os jovens, quer pela falta de emprego, quer pela falta de outros serviços que acabam por ir fechando. E, por isso, achámos que pudesse ser importante trazer esta dinâmica”. Acrescentou que “a democracia está muito envelhecida e é preciso “sangue novo”. O grupo de participantes inscritos no Erasmus Campus é isso mesmo:  jovens com vontades, ideias e esperança, com idades entre os 17 e os 25 anos, sobretudo do género feminino.

Uma das principais conquistas do 25 de Abril está à vista, a entrada das mulheres na vida política, aspeto posto em evidência pela historiadora Irene Pimentel, uma das convidadas a integrar o painel sobre a história contemporânea portuguesa e a memória. Em entrevista ao Gerador, ela analisou: “Há muita discussão sobre se o 25 de Abril foi uma revolução, ou um golpe de estado, ou um processo revolucionário em curso, há todos esses debates muito interessantes. Mas, se há alguma coisa que foi revolução, no sentido de ter modificado completamente na lei a situação, bem como na prática, foi o caso das mulheres, talvez sejam elas quem mais beneficiou com o 25 de Abril”.

©Carlos Silva

O primeiro dia acabou com uma sessão dedicada à participação cívica e ao associativismo que, como explicou a Comissária Executiva da Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola, sintetiza o espírito do Erasmus Campus. “Iniciativas como esta são um pólo de dinamização da intervenção dos jovens”, destacou. A historiadora acrescentou que o objetivo da iniciativa é formar dinamizadores para as diferentes regiões do país e para fora do país, “para que incentivem o debate em torno da necessidade da participação cívica e política”. Discutiu-se a importância das associações para fomentar a democracia, enquanto espaços de experimentação, onde se aprende a trabalhar em conjunto. No entanto, os participantes referem que nem sempre a voz dos jovens é tida em consideração. O Presidente do Conselho Nacional de Juventude, Rui Oliveira, sublinhou a falta de orçamentos da área: “O Conselho Nacional de Juventude é um Conselho Nacional com um quarto do orçamento de todos os outros”.

Participação política: o poder vital de uma democracia

©Carlos Silva

O dia de sábado começou com um passeio de Rail Bike. O comboio deu lugar a um conjunto de carros a pedais que circulam nos carris, permitindo aos visitantes apreciar um troço do Ramal de Cáceres. O Gerador falou com a participante Maya Afonso, uma jovem lusodescendente de 18 anos, que cresceu na Índia e chegou há pouco mais de um ano a Portugal para ingressar no ensino superior. Dando continuidade à sessão da noite anterior, a estudante de antropologia preocupa-se com o facto de a opinião dos jovens não ser tão valorizado quanto deveria. “Sinto que nem sempre nos dão a palavra, nem dão suficiente importância a temas que são mais próximos dos jovens, como a sustentabilidade ambiental, ou a qualidade do emprego. No entanto, somos nós que vamos ter que viver num mundo sem acesso aos recursos aos quais as gerações anteriores tiveram acesso”, argumentou.

A opinião de Maya é partilhada por alguns dos seus colegas. Parece haver um desinteresse dos jovens pela política e os participantes tentam descortinar as razões que culminam nesta aparente apatia: será que o sistema político responde às preocupações dos mais novos? Existe uma falta de representação jovem nos partidos e instituições com poder de decisão? Terão as pessoas tempo para se manterem informadas, num mundo cada vez mais rápido e produtivista, em que as responsabilidades ligadas à vida pessoal, ao trabalho e à educação se acumulam e multiplicam? Os processos de organização da vida em sociedade e o funcionamento dos órgãos de representação são demasiado complexos para quem está a começar a inteirar-se dos mesmos?

Mariana Rodrigues tem 25 anos e emigrou com a família para os Países Baixos quando tinha apenas 14 anos. Apesar de estar prestes a concluir engenharia biomédica na Universidade Técnica de Eindhoven, diz-se apaixonada pelas letras, as humanidades e as relações internacionais, possivelmente um gosto adquirido ao viver em quatro países diferentes. Ao contrário da maioria dos outros participantes do evento, a jovem faz parte da primeira geração da sua família a ir para a universidade e, em conversa com o Gerador, afirmou que o capital cultural dos familiares é um fator determinante no nível de participação política dos jovens. “Eu falo com os meus colegas aqui e eu sinto que os pais deles já todos ingressaram no ensino superior e aí já há uma tomada de consciência, já há recursos suficientes para ter tempo para a reflexão. O que é que eu quero para o futuro em termos de sociedade? Qual pode ser o meu contributo? Uma criança crescendo sem acesso a várias coisas, está mais preocupada em ter dinheiro, em ter acesso às coisas que lhe vão dar melhor qualidade de vida. Primeiro, é preciso ter os recursos”, defendeu Mariana.

Para Dylan Pereira, um estudante lusodescendente da Madeira, nascido na Venezuela, a falta de engajamento político prende-se também com o desgaste das instituições tradicionais. No entanto, a professora da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e investigadora do Instituto Jurídico da mesma instituição, Benedita Urbano, defende que os jovens participam, sim. Oradora convidada numa sessão sobre a democracia representativa, ponderou, no entanto, que a agência dos cidadãos não se deve limitar ao ato de votar, existindo várias ferramentas e mecanismos de participação importantes. “Simplesmente, existem novas formas de participação política às quais os jovens aderem mais do que as formas convencionais, umas legais e outras ilegais, como por exemplo: boicote, manifestações, ações e campanhas de protesto, comunicação nas redes sociais, hacktivismo, ocupação de edifícios…”, destacou durante a sua intervenção.

©Carlos Silva

Ao longo dos quatro dias, as opiniões quanto à participação cívica dos jovens dividiram-se, mas todos pareceram concordar que a escola tem um papel fundamental em estimular uma maior consciência cívica, em despertar a curiosidade e em fazer os alunos acreditarem na sua capacidade para influenciar o mundo que os rodeia. A Comissária Executiva da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril e professora de história no ensino superior, Inácia Rezola, acredita que há um grande interesse da parte dos jovens em conhecer a sua história, em procurar exemplos e soluções, à semelhança daquelas que tiveram de ser encontradas em 1974. “Muitas vezes a culpa cabe na geração intermédia, na minha, que não sabe atear a chama, entusiasmar os jovens”, analisou.

Já a pedagoga Maria Brederote, antiga diretora pedagógica do programa infantil da RTP "Rua Sésamo" e presidente do Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022, lamentou que não exista uma maior adesão dos jovens aos órgãos de decisão e de representação e forneceu um exemplo prático de como o sistema de ensino poderia estimular a participação política: “No Movimento Escola Moderna existe sempre uma aula no início da semana em que cada um reúne com o professor e combina aquilo que vai estudar, faz a sua própria planificação. No final da semana, há sempre uma assembleia geral em que discutem o que se fez e o que se vai fazer. Existem algumas escolas - privadas e públicas -, sobretudo no primeiro ciclo, que aplicam esta corrente, mas devia haver mais”.

Aprender com Abril para projetar o futuro

No dia 25 de Abril de 1974, a esperança e a imaginação tomaram conta da consciência coletiva. Após 48 anos de ditadura, escancararam-se as portas, alguns sopraram de alívio, outros não queriam acreditar. O que se faz quando cai um regime que, durante décadas, constrangeu todas as esferas da vida pessoal, puniu o prazer e a ousadia, negou à esmagadora maioria o acesso à educação e a direitos básicos? Como falar e exprimir-se depois de anos a ser silenciado? Os oradores participantes no Erasmus Campus que cresceram durante o Estado Novo partilharam memórias e histórias que, para os mais novos, podem parecer ficção, contos de uma realidade distante e intangível. O historiador José Pacheco Pereira, por exemplo, destacou a censura: “Algumas coisas que a censura criou ainda hoje são vivas, a censura ainda está na cabeça de muita gente. Por exemplo, a ideia de que o que é bom é que esteja toda a gente de acordo. Eram proibidas notícias de suicídios. Porquê? Porque representam uma forma de conflito, neste caso o suicídio é um conflito consigo próprio”.

©Carlos Silva

O conflito, no sentido da discussão e debate entre ideias diferentes, entre formas de ver e de estar no mundo, pode ser saudável e uma condição necessária à democracia. Para Maria Brederode, que também foi membro da resistência estudantil ao Estado Novo, as competências que eram necessárias para lutar contra o regime ditatorial são totalmente opostas às caraterísticas exigidas para viver em sistemas representativos: “[Na resistência,] falar era pôr em risco os outros e a organização. Portanto, era muito importante que as pessoas cultivassem o máximo de reserva possível. Por outro lado, a própria sociedade, como eu disse, tinha essa cultura do silêncio e uma democracia é o contrário disso”. Para a jovem estudante de antropologia Maya, viver em democracia “é ter liberdade de escolha, ter voz e fazer o que queremos fazer em comunidade”.

Foi precisamente isso que aconteceu em 1974, com a abertura de um grande leque de possibilidades, como explicou Inácia Rezola, que também é investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC). “Todos os projetos políticos estiveram em cima da mesa, ou melhor, estiveram nas ruas, nos campos, nas fábricas, nos quartéis, nas escolas. Portugal foi uma democracia que se conquistou com luta, como dizia, em vários cenários. Não foi como no caso espanhol, que foi uma transição negociada entre elites da ditadura e da democracia”. Ou seja, as celebrações do 25 de Abril podem ser oportunidade para dar valor à liberdade de expressão, de organização, de encontro e de participação conquistadas, praticando-as no quotidiano, para que não sejam esvaziadas de sentido.

A jovem Mariana Rodrigues, nascida em Ourém e, atualmente, a estudar nos Países Baixos, compara a sociedade portuguesa àquelas que encontrou nos países por onde já passou e em que assistiu a grandes manifestações, com um conselho para os seus conterrâneos: “Zanguem-se. Eu acho que se calhar somos muito passivos, nós falamos, temos opiniões, mas eu vejo os jovens holandeses, por exemplo, a sair mais à rua, a fazer acontecer. E nós somos muito pacifistas e passivos. Quando as pessoas vão para a rua nós pensamos porquê, porque se estão a chatear? Usamos aquelas expressões, como “estudásses”. Culpabilizamos os jovens pela situação em que se encontram”.

A educação e a cidadania ativa

©Carlos Silva

Durante o evento, entre os vários debates e discussões sobre temas da atualidade, há tempo para conhecer a arte de trabalhar a cortiça para criar o tropeço, um banco tradicional da região. Ou, ainda, para apreciar as modas do grupo de cante alentejano de Portalegre. Os artesãos e os músicos populares transmitem práticas que, aparentemente, estão a cair em desuso. Contudo, é nestes momentos mais lúdicos que a face dos participantes se ilumina e emociona. A cultura que vai sendo cuidada e transmitida de geração em geração, transformando-se pelo caminho, tem o poder de carregar sentimentos.

Por entre a chuva de final de verão que assenta na terra e os gigantes de granito, a jovem participante Mariana Rodrigues, que contou ao Gerador a sua história de emigração, explicou que sentiu que os seus “sonhos não cabiam aqui” quando os pais lhe disseram que a família teria de sair de Portugal. Ela enumerou oportunidades que lhe foram dadas nos países que a acolheram: “Tive imenso apoio com a língua, tive aulas extra, tive acesso a livros gratuitos. E como sempre tive interesse em atividades extracurriculares, foi-me posto à disposição um orçamento para eu poder ir a feiras internacionais, para desenvolver os meus próprios projetos. Quando terminei o ensino secundário, apercebi-me que tinha acesso a uma bolsa anual para poder estudar no estrangeiro e essas oportunidades todas eu não teria aqui e, no fundo, há uma mágoa, porque é triste sentir que o nosso país não tinha lugar para nós”.

Quando lhe perguntamos o que poderia ser feito para fixar os jovens no interior, referiu uma boa rede de transportes. Já a vereadora da Câmara Municipal de Marvão falou da necessidade de dar condições às empresas e aos jovens para “se aventurarem na construção dos seus sonhos”, renovando edifícios e colocando-os no mercado a preços acessíveis, por exemplo, ou estimulando atividades económicas mais sustentáveis a longo prazo: “Só o turismo também não funciona, vimos isso com o covid, o turismo é uma atividade económica vulnerável, há outras vertentes que é preciso não deixar para trás, como a agricultura no nosso caso”.

Durante a conversa com o Gerador, a professora Maria Brederode disse que gostava que os jovens tivessem consciência de que “a sociedade em que estão a viver é um privilégio tão grande que eles têm mesmo que se empenhar em defendê-la”. No entanto, para defender algo, é preciso dar-lhe valor, para dar valor é necessário gostar, e para gostar é preciso conhecer e sentir-se reconhecido. A historiadora Irene Pimentel afirmou que o sistema nacional de educação é essencial para preservar a memória e aprender a pensar no passado para projetar o futuro. “A nossa democracia cuida muito pouco, quer da história, quer da memória, e, sobretudo, eliminou praticamente a disciplina de história e de filosofia”.

©Carlos Silva

A realidade que esteve em discussão e debate durante os quatro dias da primeira edição do Erasmus Campus é complexa. Alguns dos convidados que intervieram nas sessões sublinharam isto mesmo: nada é preto, ou branco; é preciso empatia para compreender a forma como as pessoas, na sua pluralidade, formam redes de interdependência; as mentalidades, as condições económicas e sociais, não se alteram radicalmente de um dia para o outro e a democracia é um processo permanente que depende da ação, associação e participação coletiva. E, para participar, basta “que saibamos aquilo que queremos para o nosso futuro e para o futuro das gerações vindouras”, destacou na positiva a vereadora Paula Trindade.

A Comissária das Celebrações dos 50 Anos do 25 de Abril disse que esta efeméride se reveste de uma dificuldade acrescida que é importante ter presente, porque vai ser “provavelmente a última oportunidade de fazermos esta ponte entre duas gerações, entre os que viveram em idade adulta e participaram nos acontecimentos e os mais jovens que nasceram no presente século, para quem tudo isto é já uma realidade muito longínqua”. Neste sentido, até ao final de 2026, ano em que se cumprem cinco décadas desde a aprovação da Constituição e a formação do I Governo Constitucional, vão ser dinamizadas várias atividades para integrar os jovens na participação política a partir de uma perspetiva de transmissão do conhecimento intergeracional.

A campanha #NãoPodias, uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril que recorda algumas das proibições da ditadura e que foi também o mote para o Erasmus Campus, vai ter um programa de rádio na Antena 3. O primeiro episódio foi gravado em Marvão, com um jovem participante nomeado pelos seus colegas à conversa com Maria Inácia Rezola. Até abril de 2024, os jornalistas Francisco Sena Santos e Raquel Morão Lopes vão receber em estúdio duplas de convidados para viajar até um Portugal sem liberdade e refletir sobre os próximos 50 anos de democracia. Também estão previstos projetos de recolha de testemunhos e atividades em colaboração com as escolas, os municípios e associações que trabalham com a primeira infância.

Texto de Catarina Silva

Este texto faz parte de uma parceria remunerada pela Agência Erasmus + com o Gerador.

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