Não se trata de um grupo musical novo. Desde 2012 que o trio, composto por Nuno Costa (guitarras), Óscar Graça (piano e teclados) e André Sousa Machado (bateria e percussão), tem feito concertos pela Península Ibérica, trabalhando com um estilo muito próprio que nasce no jazz, passeia-se pelo rock, pela pop, pela canção portuguesa e desagua em sítios imprevisíveis. Em março de 2020, lançaram o seu disco de estreia – Evidentualmente – nas plataformas digitais e estará também disponível em vinil.

Este é um grupo que se propõe a estabelecer uma estética de fusão entre a contemporaneidade da música cosmopolita e a tradição da música improvisada com origem no jazz. No seu disco de estreia integram temas como “Miss Q”, “Valéria”, “Abertura” ou “O Duende do Velho”. No site de Nuno Costa, podemos ler um pouco mais acerca de Evidentualmente:

Miss Q é a peça de abertura. Foi pensada como vários cues musicais e além do contraste da eletrónica e do som acústico dos instrumentos, marca também a nossa estreia nas vozes. Valéria é um quase um Fado que mistura alguma percussão tradicional com uma guitarra elétrica processada e com uma afinação alternativa, numa alusão ao caos VS tranquilidade. Abertura e O Duende do Velho Oeste funcionam como dois movimentos que pertencem ao mundo do folk e da americana. Sete Anos ao Tabefe Boas Intenções também foram escritos e pensados como dois andamentos que devem ser interpretados juntos. O primeiro é orientado pela improvisação livre e o segundo pela tensão do ostinato. Ao vivo são separados por um interlúdio/cadência de guitarra, mas em estúdio optámos por algo diferente. Les Trois é a peça que serve de ponte entre esses dois temas e o conceito passa por tocarmos, os três, piano em simultâneo, aplicando e explorando as mesmas técnicas que utilizamos no nosso instrumento de origem. Noriati é uma canção simples, com muito espaço. All The Things You Are é um arranjo de um standard com barbas para se adaptar à imagem e à sonoridade deste trio. O disco fecha como abre. Com um take alternativo da intro do Miss Q. Com as novas plataformas ouve-se cada vez mais música avulso mas este alinhamento foi também pensado em termos de encadeamento e para que as composições tracem um fio condutor.”

“Boas Intenções”, em concerto no Hot Clube de Portugal em 2018

A chegada da pandemia veio baralhar os planos do trio que contava com concertos de abertura a partir de 25 de março. Tal como os concertos, também o lançamento do disco em vinil foi adiado, mas já é possível ouvi-lo nas plataformas digitais.

Como forma de contornar estes adiamentos, não deixando esta nova aventura do trio cair no esquecimento, criaram uma “espécie de rubrica”, intitulada #dizquedisse, em que partilham “o feedback de pessoas ligadas à música e às artes em geral sobre o disco”, partilha Nuno Costa.

Neste #dizquedisse já contam com ditos por nomes como Carlos Bica, João Paulo Esteves da Silva, Akiko Pavolka ou Joana Espadinha.

Podes acompanhar esta rubrica na página de Facebook de NoA.

Texto de Andreia Monteiro
Fotografia da cortesia de NoA
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