Os Norton regressaram aos discos no passado dia 3 de julho. A banda, formada em 2002, esteve afastada dos palcos nos últimos três anos e regressa agora com “Heavy Light”. Este é o quinto álbum de originais do grupo de indie rock, constituído por por Manuel Simões, Leonel Soares, Pedro Afonso e Rodolfo Matos, e que está disponível nos formatos vinil, CD, cassete e digital.

O primeiro single apresentado foi “Changes”, em outubro de 2019, com a promessa de lançamento do disco para 27 de março de 2020. Em fevereiro lançaram mais um dos temas do novo álbum “Passengers”, cujo vídeo que o acompanha mostra imagens de arquivo da digressão pelo Japão feita em 2015. A situação pandémica nacional trocou-lhes as voltas e o disco acabou por ser lançado só em julho, altura em que o apresentaram ao público em concerto no Cine-Teatro Avenida, de Castelo Branco, cidade onde nasceu o grupo.

Um mês após o lançamento, em entrevista ao Gerador, os Norton falam sobre o período de interregno da banda e sobre os planos para “Heavy Light”, com a certeza de que: “Estamos a trabalhar no sentido de contrariar estes tempos incertos”.

Gerador (G.) – O que é que representa, para vocês, o novo álbum e o que é que os ouvintes podem esperar dele?

N. – O álbum engloba o que foram as vidas de cada um de nós nos últimos cinco anos. Crescemos enquanto pessoas através das experiências que atravessámos e as canções cresceram connosco.
Uma das melhores coisas que nos têm dito sobre este disco é que continuamos com a nossa identidade. Os ouvintes podem esperar isso, mas também vários cenários que criámos para as histórias que contamos nas canções. Acima de tudo, um bom presságio para um futuro que, apesar destes tempos estranhos, desejamos ser repleto de luz.

G. – “Heavy Light” é o quinto disco de originas, após seis anos de interregno da banda. Trouxeram as mesmas sonoridades do passado para este disco? Ou sentem que houve um processo de maturação na criação?

N. – A banda esteve sempre a trabalhar durante esse tempo. O disco anterior foi lançado em 2014 e tocámo-lo ao vivo até 2017, ano em que fechámos a digressão com um concerto no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. No entanto, nesse período, não parámos de criar. Há sempre ideias a circular. Este tempo entre discos permitiu-nos olhar em volta com mais atenção e ensinou-nos a aprimorar as emoções que colocámos em cada canção. A maturação na criação reflecte-se na nossa maturidade enquanto músicos e pessoas. Em “Heavy Light”, as canções respiram.

G. – Foi fácil para os quatro voltarem a trabalhar em conjunto?

N. – É sempre um desafio trabalhar num novo disco. Existe uma certa pressão de querer ir além do que fizemos noutros registos. Durante esse processo, sem dar por isso, acabamos por acrescentar algo de diferente. Mas, se se fizer o exercício de ouvir a nossa discografia desde o princípio, é curioso que há sempre qualquer elemento que é transversal em cada um dos álbuns. Lá está, a identidade.

G. – Este álbum marca o regresso dos Norton não só aos discos, mas também à estrada. Qual a sensação de lançar um disco e não o poder levar ao maior número de palcos possível? Como estão os vossos planos nesse sentido? Onde vamos poder ver-vos?

N. – É uma sensação de impotência muito grande não poder arrancar para a estrada com a mão cheia de concertos que tínhamos marcados. Um disco acabado de lançar significa um novo universo de possibilidades que amplifica e estimula o nosso percurso. Tocá-lo ao vivo completa o círculo de todo o trabalho que começou na composição do “Heavy Light”.
Com as devidas restrições, demos dois concertos, no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, e no Salão Brazil, em Coimbra. Foram incríveis! Que bom foi poder, finalmente, partilhar as novas canções, que fazem tanto sentido ao vivo, com as pessoas.
Estamos a trabalhar no sentido de contrariar estes tempos incertos. Por isso, aguardamos boas novidades. As ganas de subir ao palco e de viver momentos de comunhão continuam a ser muitas!

G. – Depois da vossa experiência numa digressão pela Europa e Japão, onde gostavam que chegasse este “Heavy Light”?

N. – Gostávamos que chegasse além do que já alcançamos, a mais lugares e a mais pessoas. É sempre um desejo e um objectivo quando colocamos um disco cá fora. Queremos muito percorrer a Europa e o Japão outra vez, mas acrescentar diferentes coordenadas no mapa. A estrada e a partilha com o público são onde o “Heavy Light” ganha a maior dimensão.

Entrevista Bárbara Dixe Ramos
Fotografia de Arlindo Camacho