A nova peça “História Ilustrada do Teatro Português”, que estreia esta quinta-feira, dia 6 de junho, no Teatro D. Maria II, funciona como compêndio da história do teatro em Portugal, misturando factos reais e ficcionados, narrados a partir de uma personagem – “o teatro português” –, interpretada por Marina Albuquerque.

“Humanizámos o teatro português e por isso tentámos distanciar-nos de uma parte mais didática, baseando-nos em elementos factuais e outros ficcionais”, conta João Telmo, ator e responsável pelo texto da peça.

Planeada inicialmente como uma palestra, que seria dada pela crítica Eugénia Vasques, mas recusada pela própria, a peça foi depois escrita como um docudrama tragicómico sobre uma pressuposta história do teatro português.

Para o encenador Martim Pedroso, a peça construída por camadas, com referências a dramaturgos e obras portuguesas, celebra a diversidade de teatro feito em Portugal, com espaço para uma crítica ao “sistema” e à falta de apoios.

Em declarações à imprensa Martim Pedroso realçou ainda que o teatro em Portugal é sobretudo “feito de influências”, sendo por isso “um teatro distanciado, que gosta de documentar”.

“Já que chegamos ao teatro contemporâneo temos coisas a dizer, inquietações, e é no dizer que vamos conseguir ultrapassar os problemas e continuar a perpetuar o teatro em Portugal”, acrescenta.

Pelo meio a peça integra registos mais cómicos, de farsa, como Gil Vicente e o seu “Monólogo do vaqueiro”, António Ferreira, num registo mais trágico, que conta a história de Pedro e Inês de Castro, ou Alves Redol, um revolucionário liberal e também tragediógrafo português, exemplificou o encenador.

Pelo palco vão desfilar ainda “A Vizinha do Lado”, de André Brun, “O Fim”, de António Patrício, “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett, “Os Marginais e a Revolução”, de Bernardo Santareno, “Marinheiro”, de Fernando Pessoa, “Cinderela”, de Lígia Soares, “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, “A Cidade Queimada”, de Mário Cesariny, “Terra Firme”, de Miguel Torga, “Em nome da paz”, de Natália Correia, e “Peça romântica para um teatro fechado”, de Tiago Rodrigues.

O espetáculo, com produção da Nova Companhia, conta com interpretações de Ana Sampaio e Maia, Cleia Almeida, João Telmo, Marina Albuquerque, Martim Pedroso e Paulo Duarte Ribeiro e permanece em cena até 23 de junho.

“História Ilustrada do Teatro Português” terá ainda uma sessão com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, e conversa com os artistas após o espetáculo no dia 16 de junho.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Filipe Ferreira

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