Fundado em 2018 como um espaço dedicado à arquitetura e às artes visuais, o INSTITUTO tem vindo a reforçar o seu papel enquanto ponto de encontro e de partilha de ideias, servindo tanto de galeria, como um local de conversas informais, oficinas, exposições, coworking, pesquisa, projeções de filme, sessões fotográficas, entre outros.

A chegada do novo ano, 2021, traz a vinda de uma nova linha condutora para o projeto. Linha essa composta por problemáticas de índole social e política da sociedade contemporânea, instalações, exposições, oficinas, e divulgações de trabalhos de autores e estúdios emergentes.

Em entrevista ao Gerador, Paulo Moreira, fundador do INSTITUTO, explicou a história do projeto, falou acerca dos projetos do novo ano, e sobre alguns objetivos que gostava ainda de atingir.

Gerador (G.) – Gostava que me começasses por contar como surgiu o INSTITUTO. Em que consiste o projeto?

Paulo Moreira (P.M) – O INSTITUTO surgiu da vontade de ativação de um antigo armazém, no centro do Porto. Encontrei este edifício em 2017, quando procurava um espaço para instalar o meu estúdio de arquitetura. Apesar de o conjunto ser maior do que sonhava, senti uma atração imediata pelo espaço. Resolvi avançar e criar um projeto mais amplo, que complementasse a prática do atelier. Surgiu, então, o INSTITUTO.

O projeto e obra foram-se desenvolvendo num processo orgânico e com algum improviso. Ao longo de cerca de um ano, fizemos uma reabilitação ‘crua’. A disposição espacial original foi mantida, numa sucessão de salas com características e valências diversas. Após a conclusão dos trabalhos, em julho de 2018, celebrada com uma soft opening para alguns amigos, o espaço começou a atrair pessoas à volta do nosso meio. Nos primeiros meses, acolhemos alguns eventos para grupos fechados, o que permitiu ir testando as potencialidades do espaço e a nossa capacidade de organização. A diversidade destas primeiras atividades permitiu perceber que tínhamos condições para acolher aqui uma pluralidade de formatos de programação cultural. O INSTITUTO foi-se tornando, organicamente e ao longo do tempo, num lugar de interação entre pessoas e grupos.

Inaugurámos o INSTITUTO em dezembro de 2018. Tal como tínhamos vindo a fazer informalmente, apresentámos o INSTITUTO como um espaço disponível para acolher residências artísticas e programação externa, e receber freelancers e pequenas equipas em espaços de trabalho. As ideias e contactos foram surgindo, abrindo muitas possibilidades.

No início de 2020, depois do primeiro aniversário, publicamos o Anuário’19, um livro que compila temáticas tratadas no INSTITUTO no ano de 2019. Foi um exercício muito revelador, no qual estabelecemos uma base conceptual do projeto. Ou seja, gosto desta forma pragmática de fazer as coisas: primeiro deixá-las evoluir naturalmente, e, depois, selecionar, sistematizar e limar as arestas.

Por essa altura, estruturámos melhor a equipa, com interesses e percursos que partem do campo da arquitetura para outras artes — a Joana Graça é arquiteta com interesse pela curadoria, o João Ana trabalha com vídeo e audiovisual, o Ivo Tavares é fotógrafo, o Pedro Ponciano é designer, etc.  Estas interdisciplinaridades aliadas à informalidade do espaço convidam a um pensamento sério e descomprometido.

Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares

(G.) – Porquê a escolha do nome Instituto e a cidade portucalense?

(P.M) – O Porto é a minha cidade, onde vivo e trabalho. O projeto foi assim chamado para preservar a memória do local. O edifício original foi concebido na década de 1950 pelo arquiteto e engenheiro Júlio de Brito, responsável por projetos marcantes nas redondezas, entre eles espaços culturais como o Teatro Rivoli, o edifício da Mala Voadora, o edifício conhecido como Edifício Axa, na Avenida dos Aliados e outros como a Confeitaria Ateneia, o Café Aviz, que já fazem parte da história da cidade. Inicialmente, onde é agora o INSTITUTO, funcionavam os armazéns farmacêuticos do Instituto Pasteur, num conjunto de pequenas naves, dois anexos e um pátio generoso. Durante a obra, dizia “Vou ao Instituto!”, e foi ficando esse o nome…

(G.) – Sentiste que o projeto foi, desde logo, bem recebido pela comunidade?

(P.M) – Sim, logo desde o início! Logo depois da festa de inauguração, organizámos a Quinzena’19, um mini-festival em celebração do aniversário do edifício. Ao pesquisar os arquivos da Câmara, reparámos que o projeto original foi submetido a 20 de janeiro de 1955 e aprovado cerca de duas semanas depois, a 7 de fevereiro. Pareceu-nos que a aprovação recorde do projeto — em pouco mais de duas semanas, algo quase impensável nos dias de hoje — merecia ser celebrada com um ciclo de conversas em torno da arquitetura, cultura urbana e práticas espaciais. Abriu-se, assim, uma plataforma de partilha para as gerações emergentes, em que vários contribuidores apresentam o seu trabalho publicamente pela primeira vez.

O ano foi passando e a atividade foi-se intensificando, com oficinas, exposições, sessões de trabalho, etc. A meio do ano, fomos desafiados pela Ana Resende para organizar uma sessão especial da Bolsa de Ideias — que, à data, apenas por uma vez tinha saído das portas do Palácio da Bolsa. Tivemos carta branca para programar o evento, desde os oradores a convidar, à refeição a servir no final das palestras (da tia Filó, que muita gente no meio artístico conhece, porque faz almoços maravilhosos perto das Belas Artes). Este modelo permitiu-nos pensar no papel que o Instituto pode ter na discussão de temas relevantes da nossa cidade. Convidámos autores de diferentes áreas cujo trabalho tem incidido sobre as ‘margens’, e, assim, trouxemos para o coração do Porto alguns temas e lugares geralmente periféricos ao meio cultural da cidade. Este viria a tornar-se um dos principais motes do INSTITUTO.

Pouco depois, organizámos um ciclo de conversas, a Expedition’19, inspirando-nos mais uma vez na história do edifício, seduzidos pela palavra ‘Expedição’ que consta na legenda do hall na planta original de 1955. Este ciclo, com convidados nacionais e internacionais das áreas da arquitetura, curadoria e paisagismo, remeteu-nos para as histórias e sensibilidades de lugares concretos, próximos e distantes. Convidámos autores mais estabelecidos para falar das suas investigações e incursões editoriais ou expositivas: o Pedro Campos Costa, o Paulo Palma, a Marina Otero, a Olga Canales e o Paulo Vale Afonso. Tal como a Quinzena, o Expedition iria tornar-se um ciclo anual, e em 2020 tivemos a Inês Moreira, o Tiago Castela e o Oren Sagiv.

A partir da reta final do primeiro ano, as atividades intensificaram-se. Para além de iniciativas espontâneas e dispersas, que sempre nos têm motivado, acolhemos também vários eventos institucionais, desde projetos satélite da Porto Design Biennale ao curso de arte contemporânea ‘Love and Garbage’, orientado pelos Assemble e promovido pela Pláka, da Câmara Municipal do Porto.

Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares

(G.) – Entre 2019 e 2020 a programação do INSTITUTO focou-se em quatro grandes temáticas ligadas à discussão do território e do espaço urbano; às práticas espaciais críticas e à relação com as restantes artes visuais; aos assuntos de caráter social e político e, por fim, ao escape das formalidades impostas pelas instituições académicas e culturais. Em 2021 pretendem continuar a aprofundar estas temáticas? Se sim, de que forma?

(P.M) – Totalmente! Sentimos que esses temas estarão sempre presentes no trabalho do INSTITUTO, de algum modo. Vamos continuar a dar ênfase a problemáticas de índole social e política da sociedade contemporânea, a debater perspetivas críticas sobre temas fraturantes e causas sociais e humanitárias. Estamos muito interessados na ligação ao real, ao mundo concreto que nos rodeia.

Em 2021, vamos continuar a apresentar programação cultural que reflete sobre estes fenómenos, através de conversas, instalações, exposições e oficinas. Vamos também dar continuidade à divulgação de trabalhos de autores e estúdios emergentes. Estes trabalhos marcam, por vezes, o início das carreiras dos seus autores, e, nesse sentido, pretendemos continuar a ser uma plataforma para as novas gerações, provocando encontros e sinergias. Já este mês, arranca a 3ª edição do ciclo Quinzena, a decorrer entre 20 de janeiro e 5 de fevereiro, desta vez em formato online. Este ano convidámos uma jovem curadora e jornalista, a Catarina de Almeida Brito, para pensar o programa. Vamos abordar temas importantes sobre as alterações climáticas, habitação e saúde, ação cívica, comunicação de arquitetura, entre outros.

Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares

(G.) – Foi a partir do ano que passou, já com o apoio municipal do Criatório, que a programação do Instituto viu um novo ponto de foco: o questionamento da herança colonial que todos partilhamos. Em 2021, esta linha promete ter continuidade. Podes explicar um pouco em que consiste e qual a importância na programação?

(P.M) – No último ano, desenvolvemos uma programação focada em torno de temas particularmente importantes neste período. Questionámos e problematizámos a falta de representatividade de minorias étnicas e pessoas racializadas na esfera pública, sentindo que a multiculturalidade da sociedade portuguesa ainda não é devidamente reconhecida. Este ano, vamos continuar a seguir esta linha, para contribuir para a consciencialização do público sobre a nossa herança colonial. Mas queremos abordar estas temáticas a partir de casos concretos — não nos interessa deixar a conversa no campo abstrato ou da ideologia. Interessa-nos igualmente a capacidade de, a partir do particular e da pequena escala, abordar estes temas, por exemplo vendo o seu impacto nas artes, na arquitetura e nas cidades. Interessa-nos olhar para locais onde essas complexidades sejam visíveis (ou invisíveis), locais esses muitas vezes negligenciados, vulneráveis, situados “à margem”.

(G.) – Nesta linha, um dos projetos chama-se “Desmontando Manifestações Coloniais”, que consiste numa rede de diálogo com organizações culturais da Turquia e outros países europeus, que visa sensibilizar a sociedade civil. Qual a razão da aposta na união com outros países? Sentes que dá um maior impacto a esta temática?

(P.M) – É um projeto em parceria entre nós e dois outros grupos, o coletivo InterStruct e a Rampa. Unimos esforços para formar um novo hub com o objetivo de promover o debate sobre a herança colonial na cidade do Porto.  O projeto integra a iniciativa VAHA, uma rede composta por organizações culturais da Turquia e da Europa, que visa sensibilizar e emancipar a sociedade civil face aos mais diversos desafios sociais e políticos. O programa VAHA integra 50 entidades, organizadas em 16 hubs internacionais.

O primeiro resultado desta colaboração toma a forma de um ciclo de conversas online que vai chamar-se “Pós-Amnésia: Desmantelando Manifestações Coloniais”, dedicado a desvendar e questionar os vestígios — materiais e imateriais — do passado colonial em várias cidades, através de alguns convidados. Posteriormente, vamos fazer uma oficina sobre a forma como esses exemplos de outras cidades podem, ou não, fazer sentido para repensar os temas no caso da cidade do Porto. 

Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares

(G.) – Na segunda parte do ano, o Instituto funcionará, no Porto, como um satélite do Arquiteturas Film Festival, em Lisboa, com Angola como país convidado e, na vertente mais educativa do projeto, haverá duas oficinas com candidaturas contempladas pelos apoios simplificados da Direção-Geral das Artes, ambas no verão. Porquê Angola como convidada? E que atividades poderão ser esperadas?

(P.M) – Temos uma relação próxima com o Arquiteturas Film Festival, que já vai na 7ª edição, e acontece em Lisboa. Em 2019, organizei um evento satélite no Porto, com os filmes premiados, através do meu atelier, que curiosamente também usa Arquiteturas no plural. A 8ª edição deveria ter acontecido em 2020, mas foi adiada devido à pandemia da Covid-19. Fomos desafiados novamente pela diretora, Sofia Mourato, para organizar um satélite. Mas ainda não posso avançar muita informação sobre esta parceria, porque há vários aspetos por definir. Mas sabe-se que Angola é o país convidado, uma escolha da Sofia, que me parece muitíssimo pertinente.

Em relação à dimensão educativa, a certa altura começou a fazer sentido abrirmos essa frente no INSTITUTO. Delineámos duas oficinas, orientadas para profissionais interessados nos temas da arquitetura, do urbanismo e da participação. Estamos agora em fase de preparação, e vamos avançar com estas oficinas em junho e setembro.

O curso “Bairros Críticos” parte do tema da pesquisa que tenho feito nos últimos anos, em vários contextos, sobretudo em Luanda, onde fiz o doutoramento. Agora já era tempo de procurar intervir mais ativamente nos bairros mais vulneráveis também no Porto, e escolhi o Bairro do Leal como ponto de partida. Vamos reunir um conjunto de especialistas nacionais e internacionais, desenvolvendo sessões de análise sócio-territorial e exercícios práticos sobre como intervir e melhorar aquela zona.

(Des)Fazer Cidade é um curso prático que explora a noção de ‘subtração’ como modo de intervenção nas cidades de hoje. Toma como caso de estudo o viaduto de Gonçalo Cristovão, construído no início da década de 1960, numa altura em que as cidades eram construídas a pensar nos automóveis. Essa noção está a ser repensada globalmente, e pareceu-nos que no Porto há certas infraestruturas que precisam de um novo olhar, também. O caso do viaduto pareceu-nos particularmente sintomático — aliás, a estrutura desabou durante a construção, em 1962, foi um sinal que agora queremos recuperar! O curso contempla dois momentos: primeiro, uma oficina orientada por mim e pelo Tiago Patatas, e palestras por especialistas nacionais e internacionais de diferentes áreas (arquitetura, fotografia e práticas artísticas) e sessões de especulação e produção; posteriormente, entre novembro e dezembro, uma exposição do trabalho desenvolvido na Galeria Nuno Centeno.

(G.) – O INSTITUTO tem, ainda, vindo a reforçar o seu papel enquanto ponto de encontro e de partilha de ideias, servindo tanto de galeria, como um local de conversas informais, oficinas, exposições, co-working, pesquisa, projeções de filmes, sessões fotográficas, entre outros. De momento, de que forma reúnem lucros para promover estes projetos?

(P.M) – O INSTITUTO é agora gerido pela Tamanho Azul – Associação, uma entidade sem fins lucrativos que formaliza a equipa que faz parte do projeto desde o início. O apoio do programa Criatório tem sido essencial para alavancar a nossa estrutura, garantindo as despesas básicas e mantendo a nossa capacidade para continuar a desenvolver programação.

Ao mesmo tempo, temos vindo a apresentar candidaturas a vários programas de apoio, a título próprio ou em parceria com indivíduos e entidades, permitindo assegurar os custos de cada projeto específico. Vamos reforçar este trabalho em 2021/22. Prevemos também algumas receitas através das inscrições nas oficinas, da angariação de “amigos” do INSTITUTO, das residências de artistas, aluguer do espaço co-work, ou de campanhas como a que acabámos de lançar, de pré-venda do “Anuário’20”.

O Anuário é a nossa review anual em forma de livro. É um veículo de comunicação e reflexão sobre o INSTITUTO. Para a concretização e impressão do livro, iniciámos uma campanha de pré-venda. Como projeto independente, dependemos significativamente das vendas para realizar esta publicação. Este ano, o livro tem contributos da Pamina Sebastião, Tiago Castela, Associação dos Amigos da Praça do Anjo, InterStruct Collective, Lab25, Tomas Spicer, Filipe Magalhaes / Corpo Atelier / Nuno M. Sousa, Frederico Vicente, Space Transcribers, Frame Coletivo, Kiluanji Kia Henda e Isabel Gomez.

Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares

(G.) – Para quem anseia visitar o espaço de que forma o pode fazer? Existe algum custo associado?

(P.M) – É possível visitar, claro. Em condições normais, o horário é de segunda a sexta feira das 10h às 18h e basta tocar à campainha. Nos dias de inaugurações ou eventos, abrimos as portas para a Rua dos Clérigos. Mas, devido à pandemia, passámos a aceitar visitas apenas por marcação, até porque estamos parcialmente em teletrabalho. Esperamos em breve voltar a ter a porta aberta, como tanto gostamos. A visita é gratuita.

(G.) – Perante o 2º aniversário do INSTITUTO, que objetivos gostavam, ainda, de atingir?

(P.M) – Isto ainda está a começar! Obviamente gostaríamos de consolidar o projeto, adquirir equipamentos, ter melhores condições para custear a programação, melhorar alguns aspetos no espaço, etc. Gostava também de expandir campos de ação que até agora só fugazmente foram explorados: a gastronomia e a performance musical. Faz sentido tirar maior partido da cozinha e do pátio, um espaço exterior privilegiado quer pela localização, quer no contexto de pandemia. Pode ser um espaço fantástico no verão!

Mas, acima de tudo, gostava de manter o espírito informal, que foi o mote desde o início da nossa história. Estamos abertos a propostas externas de programação, mantendo assim um lado espontâneo, aberto à comunidade. Uma das valências particularmente relevantes do projeto é manter essa capacidade de resposta a propostas com as quais nos identificamos.

Gosto também que os artistas deixem marcas no espaço, instalações permanentes, ou peças que vão contando a própria história do INSTITUTO. Por exemplo, o MaisMenos deixou uma intervenção com a frase “We Are Not A Loan”, no nosso pátio; a Isabel Gomez pintou as paredes do lavabo e deu-lhes uma perceção completamente diferente; os Lab.25 ‘estacionaram’ um escombro de betão que esteve em exposição; a Wiktoria Szawiel deixou-nos as experiências em cimento feitas durante uma oficina, e que agora convivem com plantas no exterior… Espero que essa apropriação continue, sempre foi nossa a intenção que o próprio espaço fosse enriquecendo com esses esses momentos.

Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares

(G.) – Há algo que ainda gostasses de destacar relativamente a este projeto?

(P.M) – Sim, gostava de aproveitar para convidar todos aqueles que vivem no Porto, ou que estão apenas “de passagem”, a conhecer o INSTITUTO. Penso que muita gente se vai rever, de certa forma, na nossa programação, no nosso espaço, na nossa cultura e naquilo que temos vindo a concretizar desde 2018. Apesar de ter dois anos, o INSTITUTO é algo ainda a ser definido e quem nos visita faz parte dessa construção. Queremos chegar à comunidade e continuar a contribuir para o mapa cultural da cidade do Porto.

Texto de Isabel Marques
Fotografia da cortesia da organização: Ivo Tavares