Depois dos primeiros dias fechados em casa, é natural que nos comecem a surgir dúvidas e angústias. Da falta de encontro e troca de afeto com amigos e família, às dúvidas existenciais que vêm ao de cima e até aos pais ou avós que teimam em sair para a rua como se continuássemos a viver como antes, alguns ilustradores portugueses começaram a desenhar o que se passa à sua volta ou consigo próprios. Através do Instagram partilham as suas dores - que são tantas vezes as dores de outro alguém - , as suas rotinas e desafios diários, ou aproveitam para agradecer aos profissionais de saúde. 

Estar em casa tem muito que se lhe diga, e encontramo-nos com os outros (e connosco!) também. Entre definir o nosso espaço, os limites que devemos impor aos nossos medos e como não atingir picos de ansiedade, os dias vão passando a velocidades diferentes - inconstantes apesar de vividas dentro do mesmo lugar. 

Hoje partilhamos contigo sete ilustradores que começaram a tratar os dilemas do dia-a-dia em isolamento por tu e, pelas suas mãos, começaram a fazer terapia visual para quem também está confinado ao perímetro da sua casa. Vanessa Santos, Joel Almeida, Rita Silvestre, Maria Azul, Bia Kosta, Joana Estrela e Vicente Niro responderam a duas perguntas lançadas pelo Gerador e partilharam como estão a viver esta fase, e porque é que decidiram começar a desenhar o agora. Nesta tour pelos lugares mentais que ilustram dividimo-los em três espaços imateriais: “Eu e os outros”, “O mais profundo eu” e “O despertar das fobias”.  

“Eu e os outros”
As saudades da família, a casa em que deixamos de caber, a garantia de que vai ficar tudo bem e o agradecimento a quem continua lá fora.

Vanessa Santos (@vanessa_s_illustration)

De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustradora?
Tenho muita sorte porque a ilustração não é a minha única ocupação. Também trabalho numa agência de publicidade, como motion designer, e continuo a trabalhar a partir de casa. Acho que se não fosse assim, estaria mais assustada. Tento manter ao máximo as mesmas rotinas que tinha antes, mas agora dentro de casa. Sobra mais tempo, é claro, mas logo no início da minha quarentena decidi fazer uma lista de coisas que queria fazer e para as quais nunca tinha disponibilidade. E comprometi-me a cumpri-la. A verdade é que já vai a meio, e isso tornou-me ainda mais produtiva.

Em relação às encomendas de ilustração, tive de adiar entregas de alguns trabalhos — ou até cancelá-las —, porque não só a gráfica com quem trabalho está fechada como, para minha segurança, preferi adiar as idas aos correios. Há quem compreenda e apoie, há quem não perceba assim tão bem. Mas faz parte, acho.

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho?
Para mim é, sem dúvida. E partilho na esperança de que seja um momento de calma e distração para os que me seguem. Nem que seja uma distração de um minuto das notícias que correm.

Mais do que nunca, as pessoas estão ligadas à internet à procura de ideias para passar o tempo. Por isso, comecei logo a partilhar sugestões que estão disponíveis online — não só relacionadas com o meu trabalho, mas também o que quer que esteja ao meu alcance para ajudar. Vou partilhando, também, ideias que sigo para os meus dias serem mais produtivos: o que estou a ler, o que cozinho, técnicas novas que estou a testar… Enfim, o meu dia. Curiosamente, comecei a ter pedidos para partilhar mais processos do meu trabalho (dizem que ajuda a relaxar) e até pedidos mais específicos, como o de uma seguidora que sugeriu que fizesse uma ilustração dedicada aos médicos. Mas a minha vontade foi a de ir mais além e agradecer a todos os que continuam a trabalhar, para que muitos de nós continuem em casa em segurança.

Joel Almeida (@joel_illustration)

De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustrador?
Como o meu trabalho com ilustração é uma atividade que desenvolvo essencialmente em regime pós-laboral, a maior diferença que noto é em termos de tempo. Neste momento, apesar de estar a trabalhar remotamente noutra área, consigo uma maior flexibilidade para anotar e desenvolver as minhas ideias de ilustração. Por outro lado, a gestão do tempo, por vezes, é difícil. Depois, pensando em termos de inspiração/temáticas de trabalho de ilustração, a pandemia obriga a que se pense nela constantemente e, desse modo, é inevitável fugir ao tema.

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho/a?
Exatamente. Ilustrar situações que nos transcendem tem quase sempre associada essa catarse. Sinto que as situações vão “inundando” a minha cabeça e sinto a necessidade de a ir “esvaziando” no papel.

Tento sempre transmitir essa mensagem [de que os outros não estão sozinhos]. Confesso que me sinto muito impotente perante esta situação e pensei que uma das coisas que poderia fazer passava por utilizar a ilustração como veículo de “transmissão” de mensagens positivas. Chegar às pessoas desse modo e mostrar algo que as faça sentir um pouco melhor. É uma forma de dizer “coragem” ou “vai ficar tudo bem” e também de estar próximo de quem está longe. A arte tem esse poder de nos unir e de partilhar emoções que todos sentimos, mas que nem sempre conseguimos exprimir.

É confortante ter a certeza que, ao nosso lado, mesmo que seja do outro lado do mundo, alguém sente o que sentimos e que nos dá um pouco de si. É isso que tento fazer com a ilustração.

Rita Silvestre (@asilvestre_illustration)

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Where I Am . 03/2020

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De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustradora? 
A pandemia deu-me a hipótese de entrar no mundo da ilustração! Sempre gostei muito de ilustrar, mas nunca me senti suficientemente competente para me envolver na ilustração. Neste últimos anos, andei sempre numa correria entre faculdade e estágios em design gráfico e nunca ilustrei muito... agora que estou mais ativa e disponível, a quarentena está a dar-me a chance de ir mais além na ilustração. Para além disso, sinto que só consigo ilustrar quando tenho algo para dizer ou uma mensagem a passar, e agora a situação em que vivemos dá-me mais um motivo para o fazer.

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho?
Sim, a experiência de ilustrar sobre a pandemia é um “mixed feelings”… vivemos numa fase de agitação, mas, no entanto, pretendo transmitir positivismo e uma voz de força nas minhas ilustrações. Gosto de acreditar que possa dar uma força as pessoas que me seguem e que pensem que não estão sozinhos mas acima de tudo, algum conforto. Quero que as minhas ilustrações tragam uma luz de felicidade e esperança ao dia das pessoas.

“O mais profundo eu”
A intimidade, o que fazemos quando ninguém está a ver e as dúvidas existenciais que nos assaltam.

Maria Azul (@maria.por.acaso)

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Há uns bons belos dias eu senti dentro de mim uma enorme vontade de me sobrepor a toda a gente. Senti que realmente necessitava de algo, que eu nem sabia muito bem o que era. Decidi então ir a um local onde há várias coisas e, chegando lá, eu haveria de descobrir. Fui ao supermercado. Cheguei lá, toda transpirada e a salivar. Estava a transpirar pelos nervos, obviamente, e pelo facto de ter vindo a 95 numa zona de 50 e ter realmente ultrapassado 4 veículos pela direita enquanto os chamava de camelos e filhos da p$%&". E também pelo facto de ter feito um sprint desde o estacionamento até à entrada do supermercado, como já não fazia desde os meus 22 anos. Quanto ao "salivar", disso nada sei. Chegada à zona das promoções então, eu empurrei as pessoas, mandei um soco num senhor idoso e tratei mal os empregados todos! Afinal quem é que eles pensam que são! Peguei nos meus 4 carrinhos de compras e pus-me a encher. Como disse, eu precisava de algo mas nem sabia bem do quê... Portanto enchi de tudo! Qual não é o meu espanto quando chego à zona do papel higiénico e vejo que existe uma reposição! Trouxe tudo o que pude! O papel higiénico é daquelas coisas que dá para tudo! Dá para limpar o cu, dá para escrever, dá para desenhar, para fazer bolinhas, para comer, eventualmente, pois afinal falamos de celulose e comer madeira nunca fez mal a ninguém! Bem, fiquei satisfeita! À vinda para casa tossi para cima de 223 pessoas e ainda cuspi em 4 delas! Elas que se lixem! Arranjei lugar em casa para guardar tudo isto. Ainda tinha lugar na despensa, ao lado dos jerricans de gasóleo do ano passado! Depois, sentei-me feliz e contente na sanita. Aí eu comecei a meditar e ainda acho que me falta alguma coisa.... Epá..... Falta-me mesmo alguma coisa.......... . É pena que, com estas situações inesperadas e nestes períodos de doença venhamos a apercebermo-nos de muitas outras doenças bem diferentes mas igualmente destruidoras. . #illustration #minimal #blue #p3top #contemporaryart #portugeseillustrators #art #in #illustrator #mariaazul #pt #illustrated #artistaspt #worldillustration #artist #contemporary #concept #illustrationartists #illustragram #follow #coronavirus #virus #corona

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De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustradora?
Penso que a pandemia nos mudou a todos e isso, só por si, tem influência e interfere no nosso ser e também no nosso trabalho. Eu sinto isso especial e essencialmente na temática. De momento, não consigo pensar em nada que não passe pela pandemia e por tudo o que ela representa. O dia-a-dia em casa, os fenómenos sociais que daí se verificam, os conflitos internos de cada um e da sociedade como um todo… Tudo isso me intriga e me convoca a criar constantemente sobre o tema.

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho/a?
Sim, absolutamente. Penso que todos nós fazemos isso de algum modo. É bom sentir que no meio de uma “prisão” conseguimos ser livres através da nossa arte — isso é fantástico. 

Sou uma ilustradora fictícia e, desde que existo que tento passar mensagens, muitas vezes importantes, de uma forma descomprometida, com humor e também com muita ironia. Já não ilustrava há umas semanas e, quando a quarentena se tornou uma realidade, senti necessidade de voltar, não só por mim mas por todas as pessoas que se identificam com o meu trabalho e que, a partir dele, se desprendem um pouco das suas preocupações e problemas. É muito engraçado receber o feedback de quem me segue e perceber que todos partilhamos as mesmas experiências, quer sejam boas ou más. Isso une-nos mais que tudo.

Bia Kosta (@biakosta)

De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustradora?
Devo dizer que tive bastante sorte, apesar de tudo. No início de março tinha-me mudado de novo para casa dos meus pais em Condeixa, Coimbra – onde vivo e trabalho desde então. Passar muito tempo em casa já era normal, mas tinha planos de voltar a viver a minha cidade, visitar sítios antigos/novos e encontrar-me com amigos. Foi também durante este mês que comecei a ter mais exposição e convites para dar workshops e palestras: consegui dar alguns nas semanas antes da quarentena, outros foram adiados indefinidamente e pararam de chegar por completo até agora. Tinha um trabalho de design que também estagnou durante estas primeiras semanas, mas com o alongar deste período, talvez ainda volte ao de cima antes do fim do isolamento. 

Tenho sorte por poder estar com a minha família, sem grandes preocupações financeiras e tempo ilimitado para criar e planear o meu novo arranque enquanto ilustradora. Ainda assim, não é fácil manter os ânimos e criar despreocupadamente. O tema principal que vivemos não pode ser ignorado, mas parece não deixar espaço (ou necessidade?) para outras temáticas importantes que antes me preocupavam (igualdade de género, sustentabilidade, etc). Dou por mim a questionar a importância de designers/ilustradores/artistas em tempos de emergência como este. A arte não é um bem essencial para sobreviver e não fará parte da linha da frente em nenhum combate. Por outro lado, este é um tempo em que muitos de nós somos pressionados a esperar e “aproveitar a vida”, a (re)pensar os nossos valores e a lidar connosco próprios antes do que com qualquer outra pessoa. Aí a Arte tem um papel importante: na introspeção, na expressão pessoal, no entretenimento, na empatia… Podem então os artistas ser a retaguarda (em vez da vanguarda) deste movimento mundial (?)

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho/a?
O desenho é uma ferramenta do pensamento. É o exercício de ligar a visão ao movimento da nossa mão – com o nosso cérebro. Não sei bem o que acontece lá dentro, mas enquanto desenho penso sempre muito, e em muito mais do que aquilo que estou a desenhar. Para mim, fazer banda desenhada é, sem dúvida, o meu coping mechanism. Escrevo e desenho. Escrever é bom para racionalizar o que sinto, mas os desenhos dão-me mais tempo para absorver (ou expelir!) tudo isso. 

No início desta quarentena fiz uma lista de palavras que não queria dizer nem ouvir: vírus, COVID-19, quarentena, infetados, distância social, entre outras. Pensei que se evitasse falar do assunto, custaria menos a passar. (Tinham só passado dois dias desde o início de uma quarentena de dois meses ou mais e eu estava em fase de negação ahah!) Estava redondamente enganada. Devemos falar do que se está a passar – principalmente do que estamos a sentir – e se conseguirmos juntar algum tipo de humor, compaixão, esperança… melhor ainda – e os desenhos são ótimos para isso. Só depois de abordarmos o assunto é que podemos seguir em frente. Cada dia um pouco mais. 

Nesta altura quero ser bastante real: não quero criar só imagens e histórias divertidas, nem só alarmantes ou depressivas. Tento que as narrativas que crio tenham algum fundo de realidade, partilhando a minha experiência e pensamentos pessoais. A webcomic “Coronentena” que estou a criar, procura registar os vários moods desta quarentena, para podermos rir, deitar uma lágrima, ou refletir em questões que me vão surgindo deste retiro social. Quero acreditar que a minha BD tenha algum efeito positivo nas pessoas que a lêem e que, no mínimo, as faça perceber que estamos todos na m*rda no mesmo barco :)

Joana Estrela (@dortyparker)

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De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustradora? 
Para já ainda não interferiu muito. Supostamente ia de férias em Abril (e para Itália, de todos os sítios!) por isso não tinha muita coisa em mãos para este mês de qualquer forma. Acho que vou tentar aproveitar para repescar alguns projectos pessoais, ou então redefinir o meu conceito de férias para ser algo mais doméstico.

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho/a?
Suponho que sim, mas é ainda mais para eu própria não me sentir sozinha. E me divertir um bocado.

“O despertar das fobias”
Quando a excepção (des)controla a regra. 

Vicente Niro (@vicenteniro)

De que forma o estado de pandemia interferiu no teu trabalho de ilustrador?
Enquanto freelancer que trabalha a partir de casa, por vezes surgem projectos ambiciosos e com deadlines apertados que obrigam a alguma clausura até os terminar, no entanto há uma diferença muito grande entre ficar 2, 3, 5 dias trancado em casa com a certeza de que quando chegarmos ao final daquela ilustração ou animação podemos voltar à rotina habitual, em oposição a não sairmos de casa durante semanas sem saber exatamente quando é que este isolamento terminará. A rotina de trabalho não difere muito a não ser no contacto com os clientes, com quem se faziam reuniões presenciais, ou com colegas da área, com quem se combinava um café em troca de um brainstorming, que passa a ser feito através do skype. Até agora os projectos em que estou a trabalhar ajudam-me a manter a cabeça ocupada e não pensar demasiado no que se passa lá fora (ou no que não se passa lá fora), e também me dão alguma segurança por serem remunerados... mas tenho consciência de que muitos clientes ou empresas vão sofrer com esta imobilização e de que a arte ou a cultura, mais especificamente a ilustração e a animação, não serão uma prioridade nos próximos tempos, o que me assusta um pouco.

Ilustrar medos e rotinas da vida em quarentena é uma experiência catártica? Acreditas que também pode ser uma forma de dizeres a quem te segue que não está sozinho/a?
Completamente. O Instagram, e as redes sociais no geral, dão-nos uma visão quase idílica, bem enquadrada e com um filtro bonito da vida dos outros, que muitas vezes causa em nós uma certa inveja ou sensação de inferioridade. Quando o outro revela um medo ou uma parte da rotina menos agradável, mas com a qual nos identificamos, colocamo-nos em pé de igualdade. Há fobias surreais como o medo da gravidade, de joelhos ou da cor amarela, que nos provocam riso instantâneo só de imaginar que sejam possíveis. Há fobias mais sérias que partem da ignorância, como o medo de judeus, mulheres ou pessoas queer. E depois existem as fobias do dia-a-dia, o medo de gatos, de cozinhar ou de envelhecer, que muitas vezes temos vergonha de admitir, mas que se forem colocadas ao mesmo nível das outras, e desconstruídas com humor, percebemos que o medo só tem a dimensão que lhe quisermos dar. Os media já nos bombardeiam com notícias desanimadoras que intensificam este medo universal a cada dia que passa, é preciso um escape da realidade e não deixar que os nossos medos do quotidiano tomem proporções ainda maiores. Então, mesmo com o tom cómico das ilustrações, adicionava uma pitada extra de ironia e humor nas descrições que as acompanhavam. Foi também o que tentei fazer nos primeiros dias de confinamento; percebi que os ânimos gerais estavam um pouco em baixo e através das stories do Instagram pedi aos seguidores que sugerissem temas sobre os quais gostariam que fizesse reviews ilustradas com tom satírico, que tivessem ou não a ver com este período em que vivemos. Não só houve um feedback muito positivo, como serviu de mote para conversas com pessoas que estão noutros países a passar por realidades semelhantes à nossa (algumas completamente sozinhas em casa), e perceber como elas e os seus governantes estão a lidar com esta situação. Numa altura em que é praticamente impossível fugir a este tema, é importante levar ao público uma visão alternativa e esperançosa para encarar este confinamento.

Se por vezes o Instagram pode ser apontado como um lugar do irreal, onde se partilham vidas encenadas e à margem da realidade, há quem convoque as inquietações que por vezes ficam do lado de cá do ecrã. Vanessa Santos, Joel Almeida, Rita Silvestre, Maria Azul, Bia Kosta, Joana Estrela e Vicente Niro são alguns desses exemplos e, pelo menos durante esta quarentena, partilham as dores que possivelmente também terás. É possível que acabes a rir de ti mesmo/a, a pôr-te no lugar de outros ou simplesmente a perceber que não estás sozinho/a. 

Texto de Carolina Franco
Ilustração de ©Bia Kosta
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