O meu sangue é uma web-série documental realizada por Tota Alves e Victor Ferreira, com produção de Videolotion, que estreará na RTP Play amanhã, dia 4 de março.

São três episódios de doze minutos que pretendem pôr as pessoas a falar de saúde menstrual. “Em média, metade da população mundial tem, terá ou já teve a menstruação: esse fenómeno de sangramento vaginal que acontece durante, em média, 5 dias por mês, durante cerca de 30 a 40 anos das nossas vidas. Apesar da sua banalidade, continuamos a guardar este assunto para a vida íntima de cada uma. Se não se fala, nem se vê, não existe”, lê-se na sinopse.

O meu sangue mostra mulheres reais, mostra o sangue que sai de cada uma, sem preconceitos, sem tabus e com conhecimento. Em conversa com o Gerador, os realizadores da web-série explicaram o ponto de partida deste trabalho: “Nós partimos para este documentário com uma premissa: "ser mulher é sangrar". O que mais nos surpreendeu foi estarmos errados. Nem todas as mulheres sangram, há mulheres que não têm útero e que nunca menstruaram na vida, da mesma maneira que há homens que nasceram com útero e menstruaram. Também nos surpreendeu a ausência total de informação que havia no tempo das nossas avós. Agora, apesar de ainda ser um tabu muito grande, a maioria das raparigas já está mais ou menos preparada. Mas a menstruação ainda está longe de estar normalizada”.

Justamente por a menstruação estar longe de estar normalizada, Tota Alves e Victor Ferreira conceberam um projeto sobre o período menstrual, que não só é necessário, como deve ser destinado a qualquer pessoa, mulher e homem. “O Meu Sangue é para todas as idades. A menina mais nova que entrevistamos tem 4 anos e a senhora mais velha quase 80. Todas nos falaram sobre a menstruação de uma forma aberta e é precisamente desta maneira que acreditamos que as pessoas devam falar, independentemente da sua idade ou género. Esta série traz acima de tudo realidade, mostramos o sangue como ele é: vermelho”.

As mulheres escolhidas para partilhar as suas histórias menstruais responderam a um open call no facebook. Com estas histórias e com estas mulheres, Tota e Victor puderam perceber como foram as primeiras vezes, que métodos foram utilizados, se houve mitos ou relatos insólitos. “A partir destes testemunhos, fizemos as entrevistas e construímos a narrativa”.

Uma narrativa que combate estigmas. A pergunta que está na base desta web-série é a seguinte: como é que algo tão natural, que inclusive gera vida, pode estar associado a repúdio e nojo? Os realizadores responderam ao Gerador: “É muito estranho que o sangue menstrual seja o único sangue que gera esses sentimentos. Se uma pessoa fizer uma ferida no dedo ou sangrar do nariz, não há nojo nem repúdio. Mas como é um sangue que sai da vagina, há uma grande resistência a encará-lo como normal, como algo que faz parte da vida. Nós queremos combater esse estigma”.

O meu sangue tem o apoio da RTP e cumpre o papel de serviço público, porque informa, apresenta a realidade, desmistifica. “Acho que estamos principalmente a dar voz a um protagonista que nunca teve o devido reconhecimento: o nosso sangue menstrual. Queremos que as pessoas falem de saúde menstrual. As dores menstruais não são normais e temos de perceber as origens, tomar a pílula para outros fins que não os anticoncepcionais não é o ideal, perguntar às amigas se têm um penso ou tampão sem fazer disso segredo não é uma vergonha. Serviço público todas as pessoas podem fazer: vamos combater o estigma? É um prazer que este combate ao tabu tenha sido apoiado pela RTP”.

Acompanha O meu sangue na RTP Play.

Texto de Rita Dias
Fotografia via press release

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.