Em 2017 Aires de Gameiro, Hugo Gomes, Nuno Ferreira e Pedro Cabrita e Paiva criaram o Las Palmas, um artist-run space, na Rua da Bica, em Lisboa. No dia 23 de fevereiro lançaram um catálogo que agrupa as exposições que fizeram nesse espaço e apresentaram-no em Entrecampos, na nova casa que ocupam desde setembro. Com uma concepção gráfica assinada por Aires de Gameiro, o catálogo espelha uma das vontades do grupo com o espaço: envolver-se em todos os momentos de criação do projeto. 

Pela Rua da Bica passaram, por ordem cronológica, Manuel Tainha e Samuel Duarte, João Seguro, Nuno Ferreira, Valerio Nicolai, primeira desordem, Rowena Harris, Daisy Paris, Aires de Gameiro e Hugo Cantegrel. São esses os nomes em destaque no catálogo que representa a programação de 2017/2018, e eterniza no papel o primeiro ano do espaço que decidiu arriscar desde o primeiro dia ao pintar as paredes de cor de rosa e criar folhas de sala que resultam como apêndice da exposição — sempre diferentes e com a possibilidade de interação, como aconteceu com as palavras cruzadas da primeira desordem ou, mais tarde, com a folha de sala que se transformava num chapéu de aniversário, de Sofia Mascate. 

Mudar da Rua da Bica para a Rua Francisco Tomás da Costa implicou repensar a forma de expor, mas abriu outras possibilidades. "Ganhámos algumas coisas e perdemos outras. A localização do espaço anterior (Rua da Bica), devido à sua acessibilidade, beneficiava o fluxo de público que ia às inaugurações. Neste novo espaço em Entrecampos, nota-se por vezes menos afluência, embora nada de muito significativo. Relativamente à dimensão, agora temos um espaço mais pequeno mas com outras características (rés do chão com uma montra ampla para a rua) que nos permite testar e abordar as exposições de outra forma”, explicam. 

A programação, planeada de setembro a julho do ano seguinte, é pensada pelos quatro, tendo em conta diferentes aspetos que passam pelas afinidades estéticas de cada um, a adequação do trabalho ao espaço, o enquadramento com a identidade do projecto, e questões logísticas. Aires de Gameiro, Hugo Gomes, Nuno Ferreira e Pedro Cabrita e Paiva gerem o projeto no seu todo; enquanto artist-run space procuram que o Las Palmas lhes possibilite "trabalhar e evoluir todas as componentes do projecto” como a concepção gráfica, a comunicação, a produção, e outras que acabem por surgir no mapa das suas necessidades. "Tendencialmente ocupamo-nos nós dessas tarefas porque acreditamos que esse tipo de envolvimento nos oferece um sentimento de pertença colectiva que nos interessa”, conta o grupo.  

O lançamento do catálogo que fizeram no passado sábado, dia 23 de fevereiro, resultou numa festa de angariação de fundos com venda de desenhos, a Espirro (Cíntia Coutinho) a tatuar esses mesmos desenhos e uma banca de comes e bebes caseiros que podiam ser desgustados com uma banda sonora escolhida pelo DJ Cool Fire and the Burning Ventilator. Organizaram Let’s Have Some Fund, o evento de angariação, para tentarem colmatar as despesas que têm com o espaço e como resposta a um problema que os acompanha desde o começo. "Desde que começámos este projeto independente que a falta de meios é uma realidade diária. Estamos interessados em procurar estratégias para contrariar essa realidade, e esta angariação de fundos é uma delas”, confessam ao Gerador. 

Tanto a curto como a longo prazo, sabem o que procuram: "O Las Palmas quer ser um espaço de experimentação nas artes visuais em Lisboa que, embora operando localmente, procure obter uma visibilidade mais alargada (nacional e até internacional). Queremos ser um espaço aberto a toda a comunidade artística, um local de convívio que tenta criar proximidade entre a prática artística e o público.”

O catálogo ainda pode ser comprado através do e-mail laspalmasproject@gmail.com, da conta no Instagram ou da página no Facebook. Sabe mais sobre o Las Palmas aqui no site oficial, ou através da entrevista que deram à revista Droste Effect, que podes ler aqui

Texto de Carolina Franco
Fotografias de Las Palmas

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