O São Luiz Teatro Municipal apresentou, na passada sexta-feira, dia 8 de março, a programação que vai dedicar à celebração dos seus 125 anos. Esta celebração surge como um exercício de memória e de projeção do que foram estes 125 anos de trabalho, mas também como um olhar para o futuro.

Na apresentação estiveram presentes Aida Tavares, diretora artística do São Luiz, Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura e vários artistas cujos projetos estão inseridos na programação dos 125 anos. Antes de Aida apresentar a programação que se dividirá em duas temporadas, apresentou os artistas presentes: Lúcia Lemos (em “A Voz Humana”), Miguel Loureiro (em “Paris-Sarah-Lisboa” e “A Dama das Camélias”), André Teodósio (em “Xtròrdinário” com o Teatro Praga, “Estar em Casa” e participação no livro São Luiz 125), Miguel Bonneville (em “A importância de ser Georges Bataille”), Filipe Raposo (em “Metrópolis”) e o maestro Cesário Costa (em “A Filha do Tambor-Mor” e “Metrópolis”). Estava também presente André Murraças, a cargo da encenação, texto e cenografia do espetáculo que abriu esta programação – “Espetáculo Guiado” – assim, como abriu a conferência de imprensa na interpretação de Francisco Goulão.

Numa programação que tem como mote o binário memória e futuro, Aida revela que se trabalhará na importância de fixar a memória, contando histórias, e de pensar o futuro. Por isso, o seu principal destaque na programação vai para a abertura da segunda temporada, no dia 6 de setembro, com o lançamento do livro São Luiz 125. Este livro foi uma encomenda do São Luiz Teatro Municipal que conta com edição de Vanessa Rato. Nele constará uma retrospetiva história acerca do Teatro São Luiz, uma cronologia comentada do teatro e textos de diversos autores que foram convidados a pensar o futuro, acompanhando com um olhar caleidoscópico os 125 anos de atividade do São Luiz. Esses textos serão assinados por nomes como André Teodósio, Filipe La Feria, Isabel Lucas, Inês Nadais, Joana Craveiro, ou José Gil.

Sala de espetáculo do São Luiz Teatro Municipal

Aida destaca ainda o regresso ao palco da opereta de Jacques Offenbach “A Filha do Tambor-Mor”, que foi o espetáculo que abriu o palco do São Luiz, então Theatro D. Amélia, a 22 de maio de 1894, o dia do oitavo aniversário do casamento da rainha com D. Carlos I, que não faltaram à ocasião. Para este espetáculo, chamou como diretor musical e maestro da orquestra, Cesário Costa, como encenador, António Pires, para os figurinos, Dino Alves, na cenografia, A Tarumba – Teatro de Marionetas, o Coro Participativo e lançou o desafio às escolas artísticas portuguesas para escolherem alguns alunos para se juntarem a este espetáculo, almejando reunir no palco deste teatro os futuros artistas. Os participantes são selecionados através de audições para integrarem esta nova versão cantada no original francês e com texto em português. Ao todo, serão 150 os artistas envolvidos no espetáculo, que apresentará cinco récitas de entrada livre, de 22 a 25 de maio.

A programação pode ser divida em três tipos. Para além da produção própria já referida, existem encomendas e reposições. Das encomendas destaca-se o espetáculo do Teatro Praga, “Xtròrdinário”, de 10 a 18 de maio, que olha para a efeméride dos 125 anos com um olhar crítico e pensa o papel do teatro no seu tempo e na cidade de Lisboa; o teatro documental de investigação de Joana Craveiro, “Ocupação”, de 24 a 30 de abril, em que se leva a cabo um projeto teatral de ocupação do São Luiz e que regista o que se passava dentro de portas, mas também os espaços envolventes, ou não estivesse o Teatro Municipal São Luiz situado a paredes meias com a antiga sede central da PIDE em Lisboa; e o espetáculo de Madalena Marques, “Os sapatos do Sr. Luiz”, a 28 e 29 de setembro, 11 a 15 e 19 de outubro e 2,3 e 15 de dezembro, em que se fala da peripécia de no São Luiz aparecerem e desaparecerem sapatos e, sempre que saltam à vista servirem de mote para descortinar histórias de pessoas que passaram pelo teatro, nomeadamente os técnicos do teatro, ou seja, “vamos ter o teatro dentro do teatro”, afirma Aida.

Das reposições programadas destacam-se “Paris-Sarah-Lisboa” de Miguel Loureiro, de 4 a 14 de abril, em que este encenador e a atriz Beatriz Batarda repõem a peça estreada em 2017 e que nos leva por um percurso pelos vários espaços do Teatro São Luiz, inspirado na mítica Sarah Bernhardt, que atuou neste Teatro em 1899; e “A voz Humana” de Francis Poulenc e Jean Cocteau, a 20, 21, 23 e 24 de novembro, uma ópera de um só intérprete em que a música do primeiro e a prosa do segundo criam uma alternância entre o coloquial e o poético.

No final da apresentação do programa, Aida aproveitou o pretexto do dia Internacional da Mulher para refletir sobre a representatividade das mulheres na arte. “Tenho muito orgulho em dizer que, dos 19 projetos destes 125 anos, 9 são dirigidos ou codirigidos por mulheres e nesta temporada, dos 42 projetos apresentados entre teatro e dança, 21 são dirigidos por mulheres. Nestes últimos quatro anos tivemos 16 novas mulheres a passarem por estes palcos, que nunca tinham habitado esta casa e, isso sim, importa: darmos espaço às mulheres e às criadoras para estarem aqui”, afirma.

Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura, elogiou a forma como a programação dos 125 anos foi construída. “Todos nós, que trabalhamos na área da cultura, é sempre disso que estamos a falar: como é  que o passado molda o nosso presente, projeta o nosso futuro e como é que podemos colocar toda a nossa criatividade e mostrar esse processo dinâmico da evolução das sociedades.” Destaca ainda o São Luiz como “o teatro da cidade com os artistas da cidade”, ressaltando a importância de envolver as comunidades e a possibilidade de os cidadãos, não só consumirem espetáculos, mas também de participarem neles.

Programa dos 125 anos do São Luiz Teatro Municipal

A programação teve início no dia 9 de março com o “Espetáculo Guiado” de André Murraças, um espetáculo que nasce da relação do São Luiz com aqueles que o visitam, e que estará novamente em exibição nos dias 13 e 14 de abril.

Começou por se chamar D. Amélia, foi rebatizado de República com o fim da monarquia e, depois da morte de um dos seus fundadores, deram-lhe o nome de São Luiz. Um dos mais importantes teatros situados na cidade de Lisboa faz 125 anos no dia 22 maio e convida todos para passar as portas do São Luiz Teatro Municipal e disfrutarem duma programação que celebra o seu aniversário promovendo uma reflexão social, política e artística para que a memória não se dilua e o futuro não se dissipe.

Texto e fotografias de Andreia Monteiro

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