Feminismo é a luta pela igualdade de género.

Ser feminista é defender que todas as pessoas têm o mesmo valor e devem ter os mesmos direitos, independentemente do seu género, da sua orientação sexual, de serem cis, trans ou não-binárias; independentemente da sua cor de pele, da sua situação social, económica, política, ou geográfica.

Ser feminista é procurar quebrar estereótipos de género, partindo da educação e da análise de comportamentos e assumpções machistas normalizados. Nenhuma profissão deve ser considerada inapropriada para um género — uma profissão é para quem tiver capacidade de a realizar; não há “coisas de menino” e “coisas de menina”; e a sexualidade não deve ser tratada com um peso diferente mediante o género da pessoa. Desta forma, o Feminismo tem como objetivo quebrar tabus, abrindo discussão e incutindo liberdade de comunicação sobre a sexualidade feminina, nomeadamente, masturbação, menstruação, (direito ao) orgasmo, e a desmistificação do conceito de virgindade (puramente social, cultural e religioso).

Feminismo é mostrar que as mulheres não devem ser limitadas pelo modelo de mulher proclamado pelo patriarcado, nem se devem deixar submeter por ele. A mulher tem direito a ter opinião, a expressá-la, a fazer-se ouvir e a ser ouvida. Foi o Feminismo que tornou possível as mulheres votarem, sem restrições. Foi o Feminismo que uniu as pessoas e as fez pintar os lábios de vermelho.

Ser feminista é empoderar as mulheres para a independência — um empoderamento que tem o objetivo de lhes mostrar o poder que elas já têm mas está adormecido: umas acordam as outras, através da sororidade.

O Feminismo é antirracista. Uma mulher negra sofre muito mais preconceito e tem de ultrapassar muitos mais obstáculos do que uma mulher branca. Ser feminista é reconhecer privilégios de cor de pele, económicos, geográficos, de orientação sexual e de identificação de género.

O Feminismo é para toda a gente e é a única forma de alcançarmos justiça social. Trata-se de uma luta pelo bem comum para todas as pessoas. Assim, também se deve preocupar com sustentabilidade, com o bem do planeta. O planeta é de toda a gente, por igual.

O Feminismo é altruísta. Inclui perceber a realidade masculina, de quem também é sujeito a um padrão de género, que limita e sufoca. É reconhecer que a masculinidade tóxica é uma realidade e um problema, mas nunca uma desculpa.

O Feminismo merece ser proclamado pelo seu nome. (Porque não só “igualdade de género”?) Os alvos a inferiorizar da sociedade machista são as mulheres. São elas que vêem a sua vida e liberdade em perigo diariamente; são elas que sentem o seu corpo e a sua vida privada invadidos e discutidos como objectos públicos. Todas estas razões fizeram com que o movimento fosse iniciado por mulheres. São elas que, ainda, atualmente, tomam as rédeas do movimento. Assim, chamar Feminismo não é só uma definição da força feminina intemporal em direção à igualdade, mas também é um tributo às mulheres que impulsionaram o movimento, pondo em risco a sua própria vida.

O Feminismo é altruísta, antirracista e antifascista.
O Feminismo é político, porque a liberdade é política.
Ser Feminista é acordar para a justiça.

Não passarão.

*Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

-Sobre Clara Não-

Clara Não é ilustradora e vive no Porto. Licenciada em Design de Comunicação, pela Faculdade de Belas Artes do Porto, e fez Erasmus na Willem de Kooning Academie, em Roterdão, onde focou os seus estudos em Ilustração e Escrita Criativa. Mais tarde, tornou-se mestre em Desenho e Técnicas de Impressão, onde estudou a relação fabular entre Desenho e Escrita. Destaca-se pela irreverência e ironia nas ilustrações, onde reivindica a igualdade, trata tabus da sociedade e explora experiências pessoais.  Em 2019, lançou o seu primeiro livro, editado pela Ideias de Ler, intitulado Miga, esquece lá isso! — Como transformar problemas em risadas de amor-próprio.  Nas horas vagas, canta Britney.

Texto de Clara Não
Fotografia de Another Angelo
gerador-gargantas-soltas-clara-nao